Acredita-se que família do garoto tentou chegar a Kos, uma ilha a poucos quilômetros da costa da Turquia

BBC

O corpo em decomposição de um bebê foi encontrado na ilha grega de Kos, um dos pontos de entrada para a União Europeia (UE) para as pessoas que estão fugindo de guerras no Oriente Médio.

A imprensa grega divulgou no domingo que autoridades locais acreditam que o menino, que teria entre seis meses e 1 ano, pertencia a uma família de refugiados que estava tentando chegar a Kos em um bote.

Morte ocorre mais de um mês após o afogamento de Alan Kurdi, que causou consternação ao redor do mundo
AP
Morte ocorre mais de um mês após o afogamento de Alan Kurdi, que causou consternação ao redor do mundo

Segundo a agência de notícias AFP, um segundo menino foi encontrado na mesma região, horas depois. Esse garoto teria em torno de 5 anos, e acredita-se que ele pertencia ao mesmo grupos de imigrantes que tentava chegar ao território grego.

Nos próximos dias, serão realizadas autópsias e exames de DNA nos dois corpos.

A morte dos dois garotos ocorre pouco mais de um mês depois da de Alan Kurdi, o menino refugiado sírio de 3 anos cujo afogamento causou consternação ao redor do mundo, após a publicação da foto de um guarda resgatando o corpo em uma praia de Bodrum, na Turquia.

Alan morreu afogado juntamente com seu irmão e sua mãe. A família também estava tentando chegar a Kos.

Entrada na União Europeia
A ilha grega de Kos está a menos de cinco quilômetros da costa da Turquia. Nos últimos anos, o local vem deixando de ser um importante destino turístico e se transformando em zona de passagem para imigrantes.

A agência da ONU para refugiados (Acnur) estima que o número de imigrantes na Grécia este ano chegará em breve a 400 mil. E Kos é conhecida como a "ilha dos imigrantes".

A Grécia continua sendo o maior ponto de entrada da Europa por via marítima, segundo a Acnur.

"Com esses novos números, o total de migrantes que cruza o Mediterrâneo este ano chegará a 530 mil pessoas. Em setembro, 168 mil pessoas cruzaram esse mar – a cifra mensal mais alta registrada até agora, e quase cinco vezes maior do que a de setembro de 2014, afirmou o porta-voz da agência, Adrian Edwards.

Ele afirmou ainda que esse aumento prova a necessidade de uma rápida implementação de um programa de relocação na Europa, além da criação de instalações para receber os refugiados.

O premiê grego, Alexis Tsipras, tem feito da imigração uma das prioridades de seu governo. Ele discutiu o tema com a chanceler alemã, Angela Merkel, e com o chanceler austríaco, Werner Faymann, no sábado.

Alemanha e Áustria se comprometeram a apoiar o pedido grego por mais fundos da União Europeia para lidar com a crise migratória.

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