Ataques aéreos americanos atingem comboio do Estado Islâmico no Iraque

Por Reuters | - Atualizada às

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Houve cerca de 50 mortos entre os insurgentes; ainda não há confirmação se o líder do EI Abu Bakr al-Baghadadi estava no comboio

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Ataques aéreos americanos destruíram um comboio de dez caminhões armados do Estado Islâmico, neste sábado (08),  próximo à cidade iraquiana de Mosul, porém, os militares informaram que ainda não era certo se o líder do grupo Abu Bakr al-Baghadadi estava em algum dos dez veículos atingidos.

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Homem limpa loja onde houve um ataque de carro-bomba em Bagdá. Carros-bomba mataram 12 pessoas na capital iraquiana e na cidade de Ramadi neste sábado

O coronel Patrick Ryder, porta-voz do comando central, disse que os militares americanos tinham informações para acreditar que o comboio levava líderes do Estado Islâmico, uma ramificação da Al Qaeda que controla vários territórios da Síria e do Iraque.

“Posso confirmar que as aeronaves da coalização que participaram da série de ataques na noite de ontem combatiam lideranças do Estado Islâmico próximo a Mosul”, declarou Ryder. “Não podemos confirmar que o líder Abu Bakr al-Baghdadi estava entre os presentes”.

O Estado Islâmico tem mudado sua estratégia desde que os ataques aéreos começaram, optando por veículos leves para evitar a identificação, de acordo com moradores das cidades dominadas pela milícia.

Um funcionário do necrotério de Bagdá informou que 50 corpos de militantes do Estado Islâmico foram trazidos ao local após o bombardeio.

Mosul, a maior cidade do norte do Iraque, foi tomada em 10 de junho, em uma ofensiva na qual vastas regiões sunitas caíram sob o domínio do Estado Islâmico e de aliados. Um mês depois, um vídeo foi publicado on-line com o objetivo de mostrar o recluso Baghdadi pregando na Grande Mesquita de Mosul.

Mais cedo no sábado, a emissora de tv Al-Hadath informou que os EUA lideraram ataques aéreos contra líderes do Estrado Islâmico próximo à fronteira síria, possivelmente, incluindo Baghdadi.

Autoridades de segurança iraquianas não estavam disponíveis para comentar sobre a informação da emissora, mas duas testemunhas informaram à reportagem que um míssil atingiu uma casa onde líderes do alto escalão do Estado Islâmico se reuniam, próximo à fronteira oeste do Iraque, na cidade de Al-Quaim.

Al-Hadath ainda disse que dezenas de pessoas foram mortas e ferida no ataque a al-Quaims e que a presença de Baghdadi não estava confirmada. Mahmoud Khalaf, um membro do Conselho da Província de Anbar, contou que houve ataques aéreos em Al-Quaim.

A coalização liderada pelos Estados Unidos realizou os ataques aéreos durante a noite, destruindo um veículo blindado do Estado Islâmico e dois postos de controle dominados pelo grupo, Ryder disse.

Bombardeios

O Estado Islâmico é um grupo radical sunita que visa formar um califado no Iraque. Sua atuação focada na violência sectária levou o país de volta aos piores momentos da guerra-civil, entre 2006-2007.

O Estado Islâmico é um grupo radical sunita que pretende formar um califado e cuja ação ajudou a violência sectária no Iraque voltar aos níveis de 2006-2007, período do pico da guerra civil no país.

Na noite de sábado, um carro bomba matou oito pessoas da maioria xiita em Bagdá, segundo fontes da polícia e do hospital, elevando para 28 os dias de bombardeio na capital Iraquiana e na cidade de Ramadi.

Um ataque de homem-bomba no posto de controle de Ramadi, em Anbar, matou cinco soldados. “Antes da explosão, o posto foi alvo de vários tiros de morteiro. Então, o homem-bomba o atacou”, descreveu um agente da polícia.

Nenhum grupo reivindicou a autoria dos ataques, mas eles se assemelham a ataques de guerrilheiros islâmicos.

Na cidade de Baquba, distante 65 km de Bagdá, um atirador matou um miliciano xiita e um carro-bomba atingiu um policial e matou o filho dele de dez anos, segundo fontes da segurança.

Tropas americanas

Fontes ocidentais e iraquianas informaram que os ataques aéreos não são suficientes para derrotar os insurgentes sunitas e que o Iraque precisa melhorar a capacidade de suas forças de segurança para conter a ameaça do Estado Islâmico.

O presidente Barack Obama aprovou o envio de mais 1.500 homems ao Iraque, praticamente dobrando o número da força americana em solo, para aconselhar e treinar os iraquianos.

O porta-voz do primeiro-ministro iraquiano declarou que o reforço americano é bem-vindo, mas que a ação, cinco meses após o Estado Islâmico avançar sobre o norte do país, foi tardia, segundo a televisão estatal.

Os EUA investiram US$ 25 bilhões durante a ocupação militar na Iraque que derrubou Saddam Hussein em 2003 e desencadeou a insurgência da Al-Qaeda.

Washington quer que o governo de liderança xiita do Iraque retoma a aliança com as tribos sunitas da província de Anbar, que ajudaram os fuzileiros navais americanos a derrotar a Al-Qaeda.

Uma aliança desse porte poderia enfrentar o Estado Islâmico, que tem armamentos e financiamento, o que pode não ser possível devido à desconfiança entre as tribos sunitas e o governo em Bagdá.

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