Comunidade internacional descarta intervenção militar na Líbia

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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'O que queremos evitar é uma situação similar à da Síria', disse o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal após reunião

A comunidade internacional descarta qualquer intervenção militar na Líbia e diz querer acertar cessar-fogo por meio do diálogo com as partes envolvidas no conflito, disse nesta quarta-feira (17) o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Rui Machete.

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Ministro das Relações Exteriores da Líbia, Mohamed Abdelaziz, à dir., e seu homólogo argelino, Ramtane Lamamra, em Madrid


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Ele falou sobre a crise durante conferência ministerial sobre a Líbia que está sendo realizada em Madri.

O chanceler português lembrou que foi unânime a decisão de não intervir militarmente no país, mas afirmou ser necessária pressão das Nações Unidas e da comunidade internacional mais próxima geograficamente da Líbia para ajudar a resolver o problema.

A segurança em Trípoli, capital líbia, tem piorado nas últimas duas semanas de confrontos entre brigadas de ex-guerrilheiros rebeldes, que trocaram tiros de foguetes, canhões e artilharia no sul de Trípoli.

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Em julho, confrontos pelo controle do aeroporto internacional de Trípoli obrigaram embaixadas, como a dos EUA, a retirarem seus funcionários em nome da segurança. O caso fez parte de uma série de combates entre grupos de ex-guerrilheiros que já lutaram lado a lado contra o ex-líder do país Muammar Gaddafi, mas que agora disputam o controle de regiões do país.

Machete disse ainda que não pode haver um posicionamento mais duro da comunidade internacional e que se não houver "espírito de conciliação" das partes envolvidas no conflito, a situação de crise pode se arrastar ainda mais.

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"O que queremos evitar é uma situação similar à que ocorre na Síria", afirmou, acrescentando que a comunidade internacional continua pressionando por uma solução de diálogo. Fora do debate da conferência, ele afirma que "outras formas de pressão", como a econômica, estão sendo discutidas.

O ministro disse que os participantes insistiram na necessidade de um cessar-fogo e de um diálogo politico inclusivo que reúna todas as forças que se enfrentam neste momento.

"Há esperança de que diante da gravidade da situação a que se chegou, haja boa vontade, que os espíritos se iluminem e reconheçam o interessa que a Líbia e o povo líbio têm em que isso se faça", disse.

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Participam do encontro de Madri os países mais próximos à Líbia, especialmente o grupo de países europeus mediterrâneos Med 7, o Fórum 5+5 e o Grupo de Países Vizinhos da Líbia, que promoveu o quarto encontro no Cairo em 25 de agosto.

Em nível ministerial, participam delegações da Argélia, do Chade, Chipre, Egito, da Espanha, França, Grécia, Itália, Líbia, de Malta, da Tunísia, do Marrocos, da Mauritânia, Nigéria, de Portugal e do Sudão. Participam ainda várias organizações internacionais incluindo a União Europeia, a União pelo Mediterrâneo, a Liga Árabe e as Nações Unidas.

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Reconciliação

No início de agosto, o novo Parlamento da Líbia fez um apelo pela união nacional em sua primeira sessão formal, enquanto facções armadas rivais lutam pelo domínio de um país que sofre para se manter coeso três anos após a queda de Muammar Gaddafi.

s legisladores se reuniram em um hotel fortemente protegido porque as três semanas de combates em Trípoli e Benghazi tornaram as duas principais cidades da Líbia inseguras para a sessão parlamentar.

Eleita em junho, a Câmara dos Deputados local substitui o Congresso Nacional Geral (CNG) após uma eleição que, segundo analistas, desgastou o domínio político que facções islâmicas ligadas à Irmandade Muçulmana tinham na legislatura. Dos 188 legisladores eleitos, 158 foram empossados durante a sessão.

*Com Agência Brasil e Reuters

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