Invasão de soldados russos no leste da Ucrânia foi um acidente, diz Rússia

Por BBC Brasil | - Atualizada às

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Dez soldados russos foram capturados no leste da Ucrânia ao cruzarem a fronteira acidentalmente, de acordo com o Exército

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O grupo de soldados russos capturado no leste da Ucrânia cruzou a fronteira "por acidente", segundo fontes de Exército da Rússia. A Ucrânia capturou dez paraquedistas e divulgou um vídeo com entrevistas com alguns deles. O incidente ocorreu em meio a conversas entre líderes russos e ucranianos, em Belarus.

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Ministro de Defesa da Ucrânia
Os dez paraquedistas foram capturados a 20km da fronteira entre a Rússia e a Ucrânia


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Mais de 2 mil pessoas já morreram nos últimos meses em meio ao conflito entre forças da Ucrânia e separatistas na região das cidades de Donetsk e Lugansk. Estas duas regiões declararam sua independência de Kiev depois da anexação pela Rússia da península da Crimeia, em março.

Patrulhamento

O serviço de segurança ucraniano disse ter capturado os paraquedistas próximo à vila de Dzerkalne, a cerca de 50km ao sudeste de Donetsk, que está sob o controle dos rebeldes, e a cerca de 20km da fronteira com a Rússia.

Segundo uma fonte do Ministério da Defesa russo citada pela agência de notícias russa RIA Novosti, "os soldados participaram do patrulhamento de uma seção da fronteira entre a Rússia e a Ucrânia e a cruzaram por acidente em uma área não sinalizada".

"Até onde sabemos, eles não resistiram ao serem detidos por forças ucranianas", disse a fonte, que ainda acrescentou que cerca de 500 ucranianos também cruzaram a fronteira em vários momentos.

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"Não alardeamos isso. Apenas levamos de volta para lugares seguros aqueles que estavam dispostos a retornar para o território ucraniano."

Missão especial

O porta-voz do Exército ucraniano, Andriy Lysenko, disse que não se tratava de um acidente: "Não foi um erro, mas uma missão especial que estava em curso".

Comboio de caminhões brancos com ajuda humanitária deixa Alabino, nos arredores de Moscou, Rússia (12/08). Foto: APManifestante ao lado de transeuntes na Praça da Independência em Kiev (9/08). Foto: ReutersManifestante segura coquetel molotov enquanto tenta impedir que trabalhadores municipais e voluntários limpem barricadas em Kiev (9/08). Foto: ReutersMembro de equipe antibomba inspeciona cratera com os restos de um projétil depois de uma noite de combates em Donetsk, Ucrânia (6/08). Foto: APMulher deixa prédio danificado por suposto bombardeio levando seus pertences na área central de Donetsk, Ucrânia (29/07). Foto: ReutersRebeldes pró-Rússia em um tanque com a bandeira da Rússia em uma estrada a leste de Donetsk, Ucrânia (21/07). Foto: APPrimeiro-ministro ucraniano Arseniy Yatsenyuk, à dir., conversa com um oficial durante inspecção ao Exército fora da cidade de Slovyansk, Ucrânia (16/07). Foto: APPremiê ucraniano, Arseniy Yatsenyuk (E), cumprimenta soldado ao inspecionar tropas em Slovyansk, leste da Ucrânia (16/07). Foto: APMulher chora perto de prédio que desmoronou após ataque aéreo em Snizhne, a 100 km a leste da cidade de Donetsk, no leste da Ucrânia (15/07). Foto: APCombatente da República Popular de Donetsk se despede de sua família, que deixa essa cidade no leste da Ucrânia para refugiar-se na Rússia (14/07). Foto: APCombatentes separatistas pró-russos esperam atrás de sacos de areia em posto de controle em Donetsk, Ucrânia (10/07). Foto: ReutersMilitares ucranianos perto das armas apreendidas de separatistas pró-russos perto Slaviansk, Ucrânia (8/07). Foto: ReutersMilitante mascarado pró-Rússia organiza o trânsito em posto de controle após ataque das tropas ucranianas em Slovyansk (24/4). Foto: APAtiradores mascarados pró-Rússia guardam entrada de escritório regional ucraniano do Serviço de Segurança em Luhansk com bandeira russa ao fundo (21/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional capturado em Donetsk. Cartaz diz: 'EUA, tirem as mãos do leste da Ucrânia' (19/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia olha para o lado de fora de janela em prédio da administração regional de Donetsk, Ucrânia (18/4). Foto: APAtirador pró-Rússia abre caminho para veículo de combate com homens armados em seu topo em Slovyansk, Ucrânia (16/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional em Donetsk, Ucrânia (15/4). Foto: APAtivista pró-Rússia é visto durante invasão de delegacia na cidade de Horlivka, leste da Ucrânia (14/4). Foto: APAtivistas armados pró-Rússia ocupam a delegacia de polícia no leste da Ucrânia, na cidade de Slaviansk (12/04). Foto: APAtivistas pró-Rússia ocupam delegacia de polícia e constroem uma barricada na cidade ucraniana oriental de Slovyansk (12/04). Foto: APHomens armados não identificados caminham em área perto de unidade militar ucraniana em Simferopol, Crimeia (18/3). Foto: APSoldado armado, provavelmente russo, anda perto de uma base militar ucraniana na aldeia de Perevalnoye (9/3). Foto: ReutersUm homem armado, que se acredita ser um soldado russo, anda perto da base naval ucraniana na Crimeia, no porto de Yevpatory (8/3). Foto: ReutersMarinheiro observa navio inativo Ochakov, que foi afundado por tropas russas e bloqueou o tráfego de cinco embarcações ucranianas em Myrnyi, oeste da Crimeia, Ucrânia (6/3). Foto: APCriança brinca perto de soldado russo (D) enquanto soldados ucranianos observam do outro lado do portão de base em Perevalne, Crimeia (4/3). Foto: APSoldado pró-Rússia bloqueia base naval na vila de Novoozerne, Crimeia, na Ucrânia (3/3). Foto: APGrupo de homens armados sem emblemas em uniformes cortam luz do Quartel-General das forças navais ucranianas em Sevastopol, Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APComboio russo se move de Sevastopol para Sinferopol na Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APHomem com uniforme sem identificação monta guarda enquanto tropas tomam controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, em Sevastopol (Crimeia), na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda em Balaklava, nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Península da Crimeia (1/3)
. Foto: APEmblema em veículo e placas de outros carros indicam que tropas são do Exército russo (1/3). Foto: APHomens armados não identificados e vestidos com uniformes de camuflagem bloqueiam a entrada do prédio do Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomens armados não identificados bloqueiam entrada de Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomem armado não identificado com uniforme de camuflagem bloqueia estrada que leva a aeroporto militar em Sevastopol, na Crimeia. Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Crimeia. Foto: APHomem com uniforme sem identificação patrula aeroporto de Simferopol, na Ucrânia (28/2). Foto: AP

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A emissora de televisão que realizou as entrevistas com os soldados citou o sargento russo Andrei Generalov, que teria dito: "Parem de enviar nossos garotos. Por quê? Esta guerra não é nossa. E, se não estivéssemos aqui, nada disso teria ocorrido".

A Rússia vem negando as acusações da Ucrânia e de países ocidentais de que estaria dando apoio aos rebeldes.

Na segunda-feira, a Ucrânia disse que forças do Exército russo haviam cruzado a fronteira sudeste, gerando conflitos próximo a Novoazovsk.

Lysenko, do exército ucraniano, disse nesta terça-feira que as forças da Ucrânia haviam destruído 12 unidades da infantaria russa no local. Ele disse que 12 pessoas do exército ucraniano haviam sido mortas nas últimas 24 horas, além de quatro guardas da fronteira, que teriam sido alvejados por tiros de helicópteros russos Mi-24.

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Encontro

O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, e o presidente russo, Vladimir Putin, debatem sobre a crise nesta terça-feira na capital da Belarus, Minsk.

Putin disse que o conflito não poderia "ser resolvido por meio de uma escalada do uso de força" e pediu um diálogo direto com os separatistas.

Enquanto isso, Poroshenko insistiu que a única forma de acabar com o derramamento de sangue e estabilizar a região seria fazer um controle efetivo das fronteiras.

O encontro ocorre em meio a uma cúpula da União Aduaneira da Eurásia, que é liderada por Moscou e da qual também fazem parte Belarus e Cazaquistão. Também participam da cúpula autoridades da União Europeia, que, junto com os Estados Unidos, impuseram sanções econômicas à Rússia

Ainda não se sabe de Putin e Poroshenko terão uma reunião a parte. Antes do início do encontro, o ucraniano havia dito esperar "que o resultado da reunião de hoje seja um acordo que traga paz em solo ucraniano".

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Posições distintas

Segundo o correspondente da BBC em Minsk, Oleg Boldyrev, as posições russa e ucraniana são muito distintas.

"A Rússia quer um cessar-fogo incondicional no leste ucraniano, mas a Ucrânia leva vantagem contra os rebeldes e não quer parar os ataques e permitir que eles se reagrupem", diz Boldyrev.

"A Rússia afirma que a Ucrânia deve dialogar com os rebeldes, mas a Ucrânia diz que os rebeldes não são uma força por si só, mas uma extensão das hostilidades russas, e que é a Rússia que deve dialogar com eles e persuadi-los a baixarem suas armas. Ainda não está claro o que fará a ponte entre os dois países depois de tantos meses de conflito."

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