Premiê iraquiano diz não ter solicitado ação, mas que 'aplaude' ataque; Kerry adverte sobre possível reforço de países vizinhos

Aviões de guerra sírios bombardearam posições dos militantes sunitas no Iraque, o primeiro-ministro do Iraque, Nouri Malik, confirmou nesta quinta-feira (26).

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Homens choram perto dos caixões de vítimas mortas por um ataque suicida em Mahmoudiya, sul de Bagdá, no Iraque
Reuters
Homens choram perto dos caixões de vítimas mortas por um ataque suicida em Mahmoudiya, sul de Bagdá, no Iraque


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De acordo com ele, jatos aéreos sírios bombardearam posições militares da milícia da cidade fronteiriça de Qaim na terça. O premiê disse à BBC que embora não tenha solicitado a incursão, "aplaude" os ataques.

O movimento aprofunda ainda mais as preocupações de que a ação da insurgência extremista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, EII L ,  que abrange os dois países vizinhos, poderia se transformar em um conflito regional ainda maior. Enquanto isso, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, advertiu que outros países devem ficar de fora do conflito.

Vizinhos do Iraque como a Jordânia, Kuwait, Arábia Saudita e Turquia reforçaram a segurança dentro de seu espaço aéreo enquanto acompanham a situação, de acordo com um oficial iraquiano que falou sob condição de anonimato porque não estava autorizado a dar informações à imprensa.

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Enquanto isso, uma nova ofensiva de insurgentes contra aldeias cristãs no norte do Iraque levou milhares de cristãos a fugirem de suas casas em busca de refúgio em territórios controlado por curdos, de acordo com jornalistas da Associated Press.

Avanço de milícia

Centenas de iraquianos que fugiam dos avanços territoriais dos extremistas do EIIL lotaram posto de controle na borda do território curdo do país nesta quinta em busca de abrigo enquanto diplomata britânico chegou a Bagdá para exortar aos líderes do país que unam suas forças contra a ameaça insurgente.

A viagem do secretário de Relações Exteriores britânico, William Hague, segue a visita de Kerry, que no início desta semana emitiu mensagem semelhante e advertiu que Washington está preparado para uma ação militar, mesmo se Bagdá atrasar suas reformas políticas.

A pressão diplomática intensa ressalta a crescente preocupação internacional sobre os ganhos dos combates, que têm apreendido grandes áreas do Iraque e procura erguer um enclave islâmico em ambos os lados da fronteira Síria-Iraque.

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Hague chamou o grupo de "ameaça mortal" para o Iraque e também para outros países da região, de acordo com um comunicado de seu escritório. Ele deve se reunir com Maliki, o presidente regional curdo Masoud Barzani e outras figuras políticas mais tarde, ainda nesta quinta.

"A prioridade imediata e o foco das discussões hoje é ajudar a incentivar os líderes iraquianos a colocarem o conflito sectário em segundo plano e se unirem", disse ele. A Grã-Bretanha descarta uma intervenção militar no Iraque, mas Hague disse que forneceria "apoio diplomático, anti-terrorismo e de apoio humanitário."

Nova ofensiva

Militantes assumiram nesta quinta o controle de uma cidade situada a 1 hora de Bagdá e que abriga quatro campos de gás natural, em outro avanço dos insurgentes sunitas que rapidamente se apoderaram de grandes áreas ao norte e a oeste da capital iraquiana.

A Presidência do Iraque anunciou que o Parlamento realizará uma sessão em 1º de julho, no primeiro passo para a formação de um novo governo que a comunidade internacional espera seja suficientemente inclusivo para minar a insurgência.

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Os militantes lançaram a ofensiva durante a noite de quarta e incluiu Mansouriyat al-Jabal, local onde há campos de gás operados por empresas estrangeiras, disseram fontes do setor de segurança. Os combates ameaçam fragmentar o país, dois anos e meio depois do fim da ocupação norte-americana.

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A insurgência é liderada pelo grupo linha-dura EIIL, mas também inclui outras organizações muçulmanas sunitas que acusam o primeiro-ministro de ter marginalizado essa corrente do islamismo em seus oito anos no poder, e se empenhar para continuar no cargo.

Violência

Uma ofensiva insurgente contra aldeias cristãs no norte do Iraque na quarta obrigou milhares de cristãos a fugirem de suas casas em busca de refúgio no enclave curdo. O bombardeio do um conjunto de aldeias aconteceu em uma área conhecida como Hamdaniya, a 75 km da fronteira da região curda auto-governado.

Refugiada que se apresentou apenas como Umm Alaa por temer represálias disse que assim como ela, centenas de outras pessoas haviam deixado a aldeia de Quba e outro lugarejo vizinho durante assalto inicial dos militantes em 10 de junho para procurar abrigo em comunidades próximas atacadas na quarta. Outra, que concordou em ser identificada apenas como Huda, tentava acalmar o filho Mohammed, de 10 anos, que chorava de sede.

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"Eles vão matar todos os homens xiitas e queimar todas as casas xiita. Ninguém tem ficado em Quba. Cada xiita deixou a cidade", disse ela, ecoando os temores de muitos entrevistados nesta quinta-feira.

Porta-voz da agência de refugiados das Nações Unidas, Adrian Edwards, afirmou na semana passada que a estimativa de iraquianos forçados a deixar suas casas é de 1 milhão ao longo deste ano.

Em outros lugares, as forças pró-governo lutaram contra militantes sunitas que ameaçavam uma grande base aérea militar de Balad, ao norte de Bagdá, segundo autoridades militares. Os militantes haviam avançado para a cidade vizinha de Yathrib, apenas cinco quilômetros da ex-base dos EUA conhecida como Acampamento Anaconda. Os funcionários insistiram que a base não estava em perigo imediato de cair nas mãos dos militantes.

Enquanto isso, dois funcionários dos EUA disseram que o Irã tem enviado drones de vigilância para o Iraque, controlando-os a partir de campo de pouso em Bagdá. Os funcionários, que falaram sob condição de anonimato porque não foram autorizados a discutir o assunto publicamente, disseram acreditar que os drones são apenas aviões de vigilância, mas não descartaram que eles poderiam estar armados.

Um funcionário da inteligência iraquiana disse que o Irã secretamente estava fornecendo armas às forças de segurança do Iraque, incluindo foguetes, metralhadoras pesadas e lançadores múltiplos de foguetes.

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Esse fornecimento vêm em meio a uma visita a Bagdá neste mês por um dos generais mais poderosos do Irã, Qassem Soleimani, comandante da Guarda Revolucionária das Forças Quds para ajudar a reforçar as defesas do exército iraquiano e as milícias xiitas que ele tem armado e treinado.

O envolvimento da Síria e do Irã no Iraque sugere uma cooperação crescente entre os três liderados por governos xiitas em resposta à fúria da insurgência sunita. E em uma junção incomum, EUA, Irã e a Síria agora têm interesse em estabilizar o governo do Iraque.

Não-árabe e de maioria xiita, o Irã tem mantido laços estreitos com os sucessivos governos liderado pelos xiitas desde a derrubada de Saddam Hussein em 2003, um sunita que oprimiu os xiitas por vários anos. O país é também o principal aliado da Síria de Assad, um seguidor da seita alauíta do xiismo.

Relatos de que os militantes sunitas capturaram armas, tanques e jipes do exército do Iraque, que seguem pela Síria, e que militantes têm cruzando livremente de um lado para o outro da fronteira tem alarmado o governo sírio, que teme a evolução poderia mudar o equilíbrio de poder na luta entre as forças de Assad e os rebeldes sunitas que lutam para derrubá-lo.

Al-Maliki tem enfrentado pressão, inclusive de seus aliados xiitas, para demitir-se e formar um governo interino até que seja encontrada uma solução permanente para o conflito. 

*Com AP, BBC, The Telegraph e Reuters

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