Yingluck Shinawatra havia sido convocada para reunião; seus parentes e membros do antigo governo também foram presos

A primeira ministra deposta da Tailândia, Yingluck Shinawatra, e membros de sua família foram detidos nesta sexta-feira (23) enquanto os líderes do golpe de Estado acirram o controle sobre o poder no país.

Mais cedo: Premiê deposta na Tailândia é convocada a se reunir com militares

Van carregando possivelmente a premiê deposta da Tailândia Yingluck Shinawatra chega a quartel do exército após ter sido convocada por militares, em Bangcoc
Reuters
Van carregando possivelmente a premiê deposta da Tailândia Yingluck Shinawatra chega a quartel do exército após ter sido convocada por militares, em Bangcoc


Ontem: Comandante do Exército anuncia golpe de Estado na Tailândia

Yingluck, então primeira-ministra até ser removida pelo Poder Judiciário neste mês, havia sido obrigada a se apresentar aos militares junto a mais de 100 outros políticos - inclusive o premiê interino, Niwatthamrong Boonsongphaisan. Não ficou claro se Gen Prayuth encontrou com eles.

O chefe do Exército, Gen Prayuth Chan-ocha, também se reuniu com funcionários-chave do governo, dizendo que as reformas devem vir antes de qualquer eleição.

A ex-premiê chegou à base do Exército ao meio dia (horário local), de acordo com testemunha informou à Reuters. Prayuth estava no local no mesmo horário, mas não havia informações de que eles haviam se reunido de fato. Mais tarde, Prayuth foi para outra instalação do Exército para a qual outras autoridades do governo deposto foram levadas.

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Essa reunião para a qual Yingluck foi convocada seria uma tentativa de amenizar o impacto político da intervenção do Exército no país, à medida que Prayuth tenta afastar a crise e conter as críticas internacionais. Eles convocaram outros 22 aliados, incluindo parentes poderosos da premiê deposta.

Ela é irmã de Thaksin Shinawatra, um bilionário do setor de telecomunicações que virou político e conquistou grande apoio entre os pobres e o desprezo dos monarquistas - por causa de acusações de corrupção e nepotismo. Ele foi deposto do cargo de premiê em um golpe militar em 2006.

Constituição suspensa

Jonathan Head , correspondente da BBC em Bangcoc, informou que, ao contrário dos golpes anteriores, não houve promessas de um rápido retorno ao regime civil.

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Gen Prayuth disse na reunião que "Eu quero que todos os funcionários públicos ajudem a organizar o país. Nós temos que realizar reformas econômicas, sociais e políticas, antes das eleições. Se a situação for pacífica, nós estaremos prontos para devolver o poder ao povo."

Houve relatos de que Gen Prayuth estaria no local para atender o rei da Tailândia, Bhumibol Adulyadej, no palácio real em Hua Hin, sul de Bangcoc, para explicar sobre o golpe de Estado, mas essa informação não foi confirmada.

Na quinta os militares suspenderam a constituição, realizando encontros misteriosos e a detenção de políticos, dizendo que as medidas eram necessárias para sanar os meses turbulentos no país.

O general Prayuth aplicou o golpe de Estado após grupos rivais terem se recusado a ceder para pôr fim à luta pelo poder entre monarquistas e um governo populista, o que gerou temores de violência e prejudicou a economia. Bangcoc estava calma e a vida parecia normal, embora os militares tenham ordenado o fechamento de todas as escolas e universidades.

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Soldados detiveram políticos de ambos os lados quando Prayuth anunciou o golpe, após as conversações que ele estava presidindo terem fracassado. A ação foi amplamente condenada internacionalmente. Acredita-se que líderes de protestos pró e antigoverno ainda estejam presos, disse um parlamentar da oposição que não quis ser identificado.

Os militares proibiram 155 pessoas, incluindo políticos e ativistas, de deixar o país. Eles também censuraram a imprensa, dispersaram manifestantes rivais em Bangcoc e impuseram um toque de recolher nacional das 22h às 5h.

Os programas regulares de televisão foram suspensos e todas as emissoras transmitiam anúncios militares e veiculavam o canal do Exército. O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, disse que não havia justificativa para o golpe, o qual teria “implicações negativas” para os laços com seu aliado, especialmente de cunho militar.

*Com BBC e Reuters

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