Mudanças sugeridas após AF447 poderiam ter ajudado em buscas por voo da Malásia

Por BBC Brasil | - Atualizada às

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Após catástrofe com voo da Air France, autoridades sugeriram mudanças para agilisar rastreamento, mas não foram atendidas

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A catástrofe com o voo AF447 da Air France, que fazia a rota Rio-Paris quando caiu no Atlântico, em 2009, levou autoridades da aviação na França a fazer uma série de recomendações para facilitar o rastreamento e operações de busca de aviões perdidos.

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Se já tivessem sido colocadas em prática mundialmente, essas medidas poderiam facilitar as buscas do boeing da Malaysia Airlines, que caiu no Oceano Índico no início de março com 239 pessoas a bordo.

Os destroços do voo AF447, que caiu com 228 pessoas, só foram encontrados dois anos após o acidente. Quatro operações com navios altamente equipados, submarinos e robôs foram realizadas até que a fuselagem do Airbus fosse localizada, em abril de 2011.

Desde então, o Escritório de Investigações e Análises da França (BEA) vem propondo uma série de mudanças que visam também aprimorar as investigações sobre as causas dos acidentes.

A AESA (Agência Europeia de Segurança Aérea) levou em conta algumas dessas recomendações, como também a OACI (Organização Internacional de Aviação Civil). Algumas propostas, já implementadas pela Air France, devem entrar em vigor a nível mundial nos próximos anos.

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Saiba abaixo quais são as principais recomendações do BEA francês para o avanço nas operações de busca e em investigações sobre causas de acidentes aéreos.

Sinais das caixas-pretas

Quando aviões caem, suas caixas-pretas – equipamentos que registram comunicações e dados técnicos da aeronave – emitem por 30 dias sinais sonoros que podem ser captados por equipamentos usados por equipes de buscas.

Após o acidente com o AF 447, o BEA francês recomendou que essa duração fosse prorrogada para 90 dias. A tecnologia para isso já existe, disse à BBC Brasil Jean-Paul Troadec, ex-diretor do BEA e responsável pelas investigações do acidente com o voo Rio-Paris da Air France.

A OACI atendeu essa recomendação e as companhias devem implementá-la até 1° de janeiro de 2018. A Air France já adaptou toda sua frota.

Frequência dos sinais sonoros

Os sinais sonoros das caixas-pretas podem ser captados a uma distância de até dois quilômetros. Se o avião cair em águas muito profundas (como o AF 447, encontrado a quase quatro mil metros de profundidade), isso torna muito mais difícil captar os sinais.

Em 2009, o BEA recomendou que os aviões que transportam passageiros e sobrevoam zonas marítimas devem ser equipados com uma baliza suplementar na caixa-preta, que emite sinais em uma frequência bem mais baixa (8,8 KHz em vez dos 37,5 KHz atuais).

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Isso permite detectar o avião a uma distância de 30 a 40 quilômetros. A mudança será implementada pelo OACI a partir de janeiro de 2018.

Caixas-pretas ejetáveis

Para evitar difíceis e longas submarinas, o BEA também recomendou que as caixas-pretas pudessem ser ejetadas do avião e flutuar no mar.

O órgão prevê dois tipos de caixa-preta nos futuros aviões: uma na frente e outra atrás, ejetável. Hoje, as duas caixas-pretas (a que grava os sons da cabine de pilotagem e a que registra os dados do voo) se situam no fundo das aeronaves.

A Agência Europeia de Segurança Aérea se diz interessada pela medida, mas ressalta que a implementação desta mudança levaria tempo porque é necessário rever o design dos aviões.

Transmissão por satélite

Atualmente, o sistema digital ACARS, instalado em aviões, envia dados via satélite sobre o voo a computadores no solo monitorados por companhias aéreas e construtores.

Veja o desespero das famílias que esperam por notícias dos desaparecidos

Parentes de passageiros chineses do voo desaparecido da Malásia choram durante protesto em frente de embaixada do país em Pequim (25/3). Foto: APIrmã de passageiro de avião desaparecido da Malásia chora ao assistir programa sobre o voo MH370 em sua casa em Medan, Sumatra do Norte, Indonésia (25/3). Foto: APChinesa é amparada por seus familiares após pronunciamento do premiê malaio que confirmou a queda do voo da Malaysia Airlines, em Pequim, China. Foto: APChinesa entra em desespero ao saber que o avião desaparecido da Malaysia Airlines caiu no oceano Índico, após coletiva de imprensa em Pequim, China. Foto: APParentes das vítimas do voo se desesperam ao saber da queda do avião no Índico, em Pequim, China. Foto: ReutersHomem se desespera ao saber que avião desaparecido da Malaysia Airlines caiu no Índico após coletiva de imprensa em Pequim, China. Foto: ReutersFamiliares não se conformam com a queda do avião da Malaysia Airlines. Na foto, parentes após coletiva de imprensa em Pequim, China. Foto: ReutersParente de passageiro do voo da Malaysia Airlines fica em estado de choque ao saber que avião caiu no Índico após coletiva de imprensa em Pequim, China. Foto: ReutersFamílias dos passageiros são amparados após saberem da queda do avião em coletiva de imprensa na China. Foto: ReutersFamiliares se abraçam após saberem da queda do voo desaparecido da Malaysia Airlines, em Pequim, China. Foto: ReutersMulher chora durante coletiva de imprensa sobre o desaparecimento do voo da Malaysia Airlines durante coletiva de imprensa na China (22/03) . Foto: ReutersFamiliar de um dos passageiros a bordo do voo desaparecido da Malaysia Airlines aguarda por novas informações em Pequim, China (22/03). Foto: ReutersParentes das vítimas do voo da Malaysia Airlines rezam enquanto aguardam por mais informações, em Pequim, China (22/03). Foto: ReutersParentes dos passageiros a boardo do voo da Malaysia Airlines assistem à noticiário sobre o avião em Pequim, China (17/03) . Foto: APParentes dos chineses a bordo do avião que havia desaparecido aguardam notícias em Pequim, China (março/2014). Foto: APFamiliares dos passageiros a bordo do voo da Malaysia Airlines deixam sala de hotel após reunião com oficiais malaios, em Pequim, China (março/2014). Foto: APParente de um dos passageiros chineses no voo da Malaysia Airlines chora em frente de jornalistas em Sepang, Malásia (março/2014). Foto: AP

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Essas mensagens são destinadas principalmente à manutenção da aeronave, já que qualquer problema de funcionamento, inclusive de banheiros, é transmitido às empresas.

No acidente com o AF 447, foram enviadas 24 mensagens ACARS de pane em apenas quatro minutos. Foi a partir dessas mensagens que se soube imediatamente que havia ocorrido problemas com os medidores de velocidade do avião.

O sistema ACARS não é obrigatório e o prazo de envio das mensagens varia de uma companhia para a outra (a cada 10 minutos no caso do AF 447 da Air France e 30 minutos, no caso do voo da Malaysia Airlines).

Especialistas no setor propõem criar uma transmissão de dados ACARS em tempo real. Mas o sistema custaria, segundo estimativas de empresas americanas, US$ 300 milhões por ano. Por enquanto, não há avanços nessa área.

Transmissão em emergências

Em 2009, o BEA recomendou que a transmissão dos dados do sistema ACARS seja ativada imediatamente se uma emergência for detectada a bordo - em vez de esperar, como no caso do MH370, os próximos 30 minutos para o envio dos dados. A opção é mais barata que o envio contínuo de dados.

Segundo a direção-geral da Air France, isso já passou a ser aplicado na companhia. Normalmente, os dados do sistema ACARS dos aviões da empresa são enviados a cada 10 minutos, mas se um avião, por exemplo, mudar sua altitude de cruzeiro sem motivo aparente, o sistema passa a enviar dados a cada minuto.

Sons da cabine dos pilotos

Hoje, a caixa-preta de voz, o CVR (Cockpit Voice Recorder) grava apenas as últimas duas horas de conversas dos pilotos na cabine.

Mesmo que a caixa-preta de voz do voo MH 370 seja localizada, nunca se saberá o que foi dito na cabine de pilotagem no momento em que o avião desviou bruscamente de sua rota original, já que ele continuou voando por mais quase sete horas.

Especialistas em segurança aérea recomendam que as conversas durante todo o voo possam ser gravadas. Tecnicamente, isso é simples. A agência europeia propõe que os sons do cockpit sejam gravados durante 15 horas.

Filmagem

A filmagem do computador de bordo dos aviões foi recomendada pelo BEA após o acidente com o voo AF 447, mas ainda não foi considerada pela OACI.

Isso permitiria complementar investigações sobre causas de acidentes, já que toda a ação dos pilotos seria filmada. No entanto, a mudança poderia enfrentar oposição de sindicatos de pilotos.

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