Assembleia Geral da ONU declara referendo da Crimeia como ilegal e inválido

Por iG São Paulo |

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Resolução pela integridade territorial ucraniana é aprovada por 100 votos e rejeitada por 11; 57 se abstiveram, incluindo Brasil

Em uma rejeição surpreendentemente forte a Moscou, a Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução não vinculante nesta quinta-feira afirmando a integridade territorial da Ucrânia e declarando que o referendo da Península da Crimeia, realizado no começo deste mês e apoiado pelo Kremlin sobre a secessão da Ucrânia e união à Rússia, é ilegal.

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AP
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Na assembleia de 193 países, 100 votaram a favor, 11 contra e 58 se abstiveram - incluindo o Brasil. Também houve 24 países que não participaram da votação. Diplomatas do Ocidente disseram que o número de votos a favor foi mais alto do que o esperado, mesmo com o que chamaram de esforços lobistas agressivos de Moscou contra a resolução patrocinada por Kiev.

Embora a Ucrânia tenha muita simpatia entre os Estados-membros da ONU, a Rússia tem muita influência. Ambos os lados fizeram um forte lobby antes da votação, e os diplomatas previram um significativo número de abstenções e um máximo de 80 a 90 países apoiando a resolução. O documento adotado nesta quinta diz que o referendo não tem "nenhuma validade" e pede que os países e organizações não reconheçam a anexação pela Rússia.

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Um número tão alto de votos "sim", representando mais da metade dos 193 Estados-membros, foi um sinal da raiva internacional contra a invasão em câmera lenta da Rússia na Crimeia. "Esse apoio veio de todos os cantos do mundo, o que mostra que isso não é apenas uma questão regional, mas uma questão global", disse o chanceler ucraniano, Andriy Deshchytsia. "É a mensagem de que o mundo está unido e a Rússia, isolada", acrescentou.

Veja fotos da presença militar russa na Crimeia:

Comboio de caminhões brancos com ajuda humanitária deixa Alabino, nos arredores de Moscou, Rússia (12/08). Foto: APManifestante ao lado de transeuntes na Praça da Independência em Kiev (9/08). Foto: ReutersManifestante segura coquetel molotov enquanto tenta impedir que trabalhadores municipais e voluntários limpem barricadas em Kiev (9/08). Foto: ReutersMembro de equipe antibomba inspeciona cratera com os restos de um projétil depois de uma noite de combates em Donetsk, Ucrânia (6/08). Foto: APMulher deixa prédio danificado por suposto bombardeio levando seus pertences na área central de Donetsk, Ucrânia (29/07). Foto: ReutersRebeldes pró-Rússia em um tanque com a bandeira da Rússia em uma estrada a leste de Donetsk, Ucrânia (21/07). Foto: APPrimeiro-ministro ucraniano Arseniy Yatsenyuk, à dir., conversa com um oficial durante inspecção ao Exército fora da cidade de Slovyansk, Ucrânia (16/07). Foto: APPremiê ucraniano, Arseniy Yatsenyuk (E), cumprimenta soldado ao inspecionar tropas em Slovyansk, leste da Ucrânia (16/07). Foto: APMulher chora perto de prédio que desmoronou após ataque aéreo em Snizhne, a 100 km a leste da cidade de Donetsk, no leste da Ucrânia (15/07). Foto: APCombatente da República Popular de Donetsk se despede de sua família, que deixa essa cidade no leste da Ucrânia para refugiar-se na Rússia (14/07). Foto: APCombatentes separatistas pró-russos esperam atrás de sacos de areia em posto de controle em Donetsk, Ucrânia (10/07). Foto: ReutersMilitares ucranianos perto das armas apreendidas de separatistas pró-russos perto Slaviansk, Ucrânia (8/07). Foto: ReutersMilitante mascarado pró-Rússia organiza o trânsito em posto de controle após ataque das tropas ucranianas em Slovyansk (24/4). Foto: APAtiradores mascarados pró-Rússia guardam entrada de escritório regional ucraniano do Serviço de Segurança em Luhansk com bandeira russa ao fundo (21/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional capturado em Donetsk. Cartaz diz: 'EUA, tirem as mãos do leste da Ucrânia' (19/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia olha para o lado de fora de janela em prédio da administração regional de Donetsk, Ucrânia (18/4). Foto: APAtirador pró-Rússia abre caminho para veículo de combate com homens armados em seu topo em Slovyansk, Ucrânia (16/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional em Donetsk, Ucrânia (15/4). Foto: APAtivista pró-Rússia é visto durante invasão de delegacia na cidade de Horlivka, leste da Ucrânia (14/4). Foto: APAtivistas armados pró-Rússia ocupam a delegacia de polícia no leste da Ucrânia, na cidade de Slaviansk (12/04). Foto: APAtivistas pró-Rússia ocupam delegacia de polícia e constroem uma barricada na cidade ucraniana oriental de Slovyansk (12/04). Foto: APHomens armados não identificados caminham em área perto de unidade militar ucraniana em Simferopol, Crimeia (18/3). Foto: APSoldado armado, provavelmente russo, anda perto de uma base militar ucraniana na aldeia de Perevalnoye (9/3). Foto: ReutersUm homem armado, que se acredita ser um soldado russo, anda perto da base naval ucraniana na Crimeia, no porto de Yevpatory (8/3). Foto: ReutersMarinheiro observa navio inativo Ochakov, que foi afundado por tropas russas e bloqueou o tráfego de cinco embarcações ucranianas em Myrnyi, oeste da Crimeia, Ucrânia (6/3). Foto: APCriança brinca perto de soldado russo (D) enquanto soldados ucranianos observam do outro lado do portão de base em Perevalne, Crimeia (4/3). Foto: APSoldado pró-Rússia bloqueia base naval na vila de Novoozerne, Crimeia, na Ucrânia (3/3). Foto: APGrupo de homens armados sem emblemas em uniformes cortam luz do Quartel-General das forças navais ucranianas em Sevastopol, Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APComboio russo se move de Sevastopol para Sinferopol na Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APHomem com uniforme sem identificação monta guarda enquanto tropas tomam controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, em Sevastopol (Crimeia), na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda em Balaklava, nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Península da Crimeia (1/3)
. Foto: APEmblema em veículo e placas de outros carros indicam que tropas são do Exército russo (1/3). Foto: APHomens armados não identificados e vestidos com uniformes de camuflagem bloqueiam a entrada do prédio do Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomens armados não identificados bloqueiam entrada de Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomem armado não identificado com uniforme de camuflagem bloqueia estrada que leva a aeroporto militar em Sevastopol, na Crimeia. Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Crimeia. Foto: APHomem com uniforme sem identificação patrula aeroporto de Simferopol, na Ucrânia (28/2). Foto: AP

Para ele, esse forte apoio reafirma a garantia de integridade territorial da Carta da ONU e "dará a uma grande maioria de países um argumento adicional" para "uma ação mais forte e concreta" contra a Rússia.

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Moscou foi capaz apenas de atrair dez outros votos não - Armênia, Bielo-Rússia, Bolívia, Cuba, Coreia do Norte, Nicarágua, Sudão, Síria, Venezuela e Zimbábue.

Mas o embaixador da Rússia na ONU, Vitaly Churkin, caracterizou a votação de "uma vitória moral para a diplomacia russa, porque um número cada vez maior de países começaram a entender a complexidade da situação e os motivos por trás das ações da Crimeia e da Federação Russa".

"O fato que quase metade dos membros da ONU se recusaram a apoiar tal resolução é encorajador", disse Churkin. "Então é uma tendência encorajadora e acho que ela se tornará cada vez mais forte."

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Diferentemente do mais poderoso Conselho de Segurança, as resoluções da Assembleia Geral não podem ser vetadas, mas não são legalmente vinculantes. A Rússia bloqueou a ação no Conselho de Segurança, onde tem poder de veto por ser um de seus cinco membros permanentes. Apesar disso, os conselho de 15 membros realizou oito reuniões sobre a Ucrânia à medida que as potências ocidentais buscaram manter a pressão sobre Moscou.

A Crimeia está no centro da maior crise geopolítica da Europa desde o fim da Guerra Fria (1947-1991). As tropas russas assumiram o controle da península ucraniana, onde está baseada a Frota do Mar Negro da Rússia, e Moscou oficialmente anexou na semana passada a Crimeia depois do referendo.

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O tumulto na Crimeia é resultado de meses de protestos antigoverno e de explosões de violência que levaram à queda do presidente pró-Rússia Viktor Yanukovych, que fugiu do país no ano passado.

*Com AP e Reuters

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