Venezuela prende dois prefeitos da oposição acusados de 'incitar a violência'

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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O prefeito de San Cristobal, Daniel Ceballos, e o de San Diego, Enzo Scarano, foram detidos na quarta-feira (19) pelo Sebin

Agentes do Serviço de Inteligência Nacional Bolivariana, conhecido pela sigla espanhola Sebin, prenderam na quarta-feira (19) o prefeito anti-governo da cidade de San Cristobal, Daniel Ceballos, local onde começou a onda de protestos na Venezuela.

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AP
Manifestantes mostram cartazes com fotos de ativistas mortos durante protestos anti-governo na Plaza Altamira em Caracas, Venezuela


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Ceballos foi preso em Caracas, de acordo com seu assessor, Ronni Pavolini. Ele estava na capital para uma reunião de prefeitos da oposição e não escondeu suas críticas ao que ele chamou de repressão pelas forças de segurança em sua cidade.

Horas depois, a suprema corte anunciou que outro prefeito de oposição, Enzo Scarano, da cidade de San Diego, seria removido de seu posto e ficaria preso por dez meses e 15 dias por desobedecer ordem judicial de 12 de março para conter os manifestantes e retirar as barricadas das ruas.

Os prefeitos se juntaram ao líder da oposição, Leopoldo Lopez, que está preso sob acusação de incêndio criminoso e formação de quadrilha. Lopez é considerado um dos principais opositores do governo do presidente Nicolás Maduro desde que a agitação começou, em fevereiro.

"Eles o levaram para fora do hotel em Caracas e Daniel foi para a Helicóide (sede da Sebin)", disse Pavolini à Associated Press.

O ministro da Justiça e do Interior, Miguel Rodriguez Torres, confirmou a prisão a uma rede de TV estatal. "Esse é um ato de justiça para um prefeito que não só não cumprir as suas obrigações, conforme exigido por lei e a Constituição, mas também facilitou e apoiou toda a violência irracional em San Cristobal."

Os protestos anti-governamentais que abalam a Venezuela há mais de um mês começou no início de fevereiro com universitários de San Cristobal, um reduto da oposição ao longo da fronteira com a Colômbia. Desde então, a cidade tem sido palco de intensos confrontos entre autoridades e manifestantes, frustrados pela alta inflação, criminalidade violentamente desenfreada e a falta de itens básicos de consumo, como óleo de cozinha e papel higiênico.

Enquanto isso, a cerca de 25 km de San Cristobal, soldados da Guarda Nacional disparavam balas de borracha e gás lacrimogêneo ferindo ao menos 16 pessoas na cidade de Rubio.

Confira imagens das manifestações pela Venezuela na galeria de fotos

Polícia nacional da Venezuela dispara gás lacrimogêneo enquanto manifestante antigoverno se ajoelha segurando pedra durante confrontos em Caracas (6/4). Foto: ReutersManifestantes mostram cartazes com fotos de ativistas mortos durante protestos antigoverno na Plaza Altamira em Caracas, Venezuela (20/3). Foto: APPartidários do líder da oposição Leopoldo López se reúnem para protesto que pede a libertação do político após um mês de sua prisão, na Venezuela (18/03). Foto: APGuardas das forças bolivarianas patrulham a Plaza Altamira após tomarem o controle do local em Caracas, Venezuela (17/3). Foto: APEstudante da Universidade Central da Venezuela grita contra governo de Nicolás Maduro durante protesto em Caracas (12/3). Foto: APManifestante antigoverno corre em meio ao gás lacrimogêneo lançado pela polícia durante protesto em Caracas, Venezuela (12/3). Foto: ReutersManifestante joga lata de gás lacrimogêneo em direção à polícia durante protesto antigoverno em Caracas, Venezuela (11/3). Foto: APGuardas prendem manifestante durante conflitos entre ativistas e motociclistas em Los Ruices, Venezuela (10/3). Foto: APPolícia impede passagem de manifestantes que protestavam contra escassez de alimentos (8/3). Foto: APManifestantes se preparam para jogar coquetéis molotov durante confrontos em Caracas, Venezuela (6/3). Foto: APOficiais da Guarda Nacional Bolivariana se protegem de fogos de artifício lançados contra eles por manifestantes em Caracas, Venezuela (março/2014). Foto: APManifestantes seguram cartazes com imagens de venezuelanos que foram mortos nas duas últimas semanas durante marcha em Caracas (28/2). Foto: APManifestantes rolam cano de água na tentativa de bloquear uma rodovia importante em Caracas, Venezuela (27/02). Foto: APOficiais da Guarda Nacional Bolivariana avançam em direção a protestos antigoverno em Valencia, Venezuela (26/2). Foto: APManifestante segura placa em frente de cordão da Guarda Nacional Bolivariana durante protesto perto da Embaixada de Cuba em Caracas, Venezuela (25/2). Foto: APObjetos colocados por manifestantes da oposição bloqueiam estrada no bairro de Altamira, em Caracas, Venezuela (20/2). Foto: APOpositor caminha perto de acusação feita a presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em rua no bairro de Altamira, Caracas (21/2). Foto: ReutersManifestante envolto com a bandeira da Venezuela coloca mais objetos em barricada em chamas no bairro de Altamira, em Caracas, Venezuela (20/2). Foto: APPartidários do governo venezuelano marcham no centro de Caracas (20/2). Foto: APManifestante levanta os braços em direção à polícia que lança gás lacrimogêneo em bairro de Caracas, Venezuela (19/2). Foto: APMiss Génesis Carmona é levada de moto a hospital. Ela morreu após ter sido atingida por disparo na cabeça em 18/2. Foto: Reprodução/TwitterManifestante usa máscara caseira para se proteger de gás durante protestos em avenida de Caracas, Venezuela (18/02). Foto: APEstudantes gritam slogans contra o presidente Nicolás Maduro durante marcha em Caracas, Venezuela (18/2). Foto: APLeopoldo López, líder da oposição da Venezuela, é preso vestido de branco e segurando flor em Caracas, Venezuela (18/2). Foto: APManifestante cobre a boca com pano durante protesto contra a censura do governo venezuelano em Caracas (17/2). Foto: APManifestante atira pedras na Força Nacional Bolivariana durante protesto na Venezuela (15/2). Foto: APManifestantes fecham a principal via da Venezuela (15/2). Foto: ReutersManifestantes na Venezuela são dipersados com canhões de água e gás lacrimogêneo (15/2). Foto: Carlos Garcia Rawlins/ReutersUniversitária segura cartaz em que se lê 'E quem tem as armas?' enquanto se manifesta contra o presidente Nicolás Maduro em Caracas, Venezuela (13/2). Foto: APEstudantes choram durante vigília em Caracas por dois jovens mortos em confrontos violentos na Venezuela (13/2). Foto: APEstudantes comparecem à vigília em Caracas por dois jovens mortos em confrontos violentos na Venezuela (13/2). Foto: APJovem segura livro marcado em espanhol com a frase 'Esta é a minha arma' durante protesto contra repressão de estudantes em Caracas, Venezuela (13/2). Foto: APEstudante segura cartaz em que se lê 'Paz e liberdade' durante manifestação em Caracas, Venezuela (13/2)
. Foto: APEstudantes gritam slogans contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante protesto em Caracas (13/2)
. Foto: AP

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"A situação é terrível aqui", disse o vice-presidente do conselho municipal de Rubio, Francisco Rincon, à Associated Press. Segundo ele, soldados com rifles estavam colocados nas esquinas. Ele afirmou ter contado 16 feridos, quatro deles por balas.

Em Caracas, autoridades disseram que um trabalhador público foi baleado e morto ao remover uma barricada de rua em um bairro de classe média. Segundo o procuradoria federal, Francisco Alcides Madrid Rosendo, 32 anos, foi baleado várias vezes em torno das 10h de terça-feira (18), enquanto desmantelava barricada no bairro de Montalban, trecho oeste de Caracas.

O prefeito pró-governo de Caracas, Jorge Rodriguez, por meio de sua conta no Twitter, culpou "terroristas" pela morte, mas não forneceu outros detalhes. Além dele, o estudante de engenharia mecânica Anthony Rojas, de 18 anos, também foi morto a tiros, segundo Raul Casanova, reitor da Universidade Nacional Experimental de Táchira.

Ele havia participado de protestos contra o governo no mês passado em San Cristobal, mas não estava entre os ativistas quando foi baleado, de acordo com Casanova. O reitor afirma que um dos membros da família de Rojas “disse que o jovem foi baleado ao se deparar com um confronto armado próximo de uma loja de bebidas”.

Mas Jorge Mora, presidente de um conselho de oposição a Nicolás Maduro disse à AP que Rojas foi seguido por partidários do governo armados e quando tentou se esconder em uma loja de bebidas "eles vieram atirando." Outra mulher ficou ferida no ataque, segundo Mora.

Caracas e outras cidades venezuelanas estão sendo palco de manifestações contra o governo que já duram mais de um mês. Protestos liderados por estudantes, que começaram no início de fevereiro, têm atraído o apoio de pessoas de classe média descontentes com a inflação, que atingiu uma taxa anualizada de 57% no mês passado, elevando o crime e levando a escassez de itens básicos, como óleo de cozinha e papel higiênico.

*Com AP

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