UE impõe sanções a 21 russos e ucranianos por crise na Crimeia

Por iG São Paulo |

compartilhe

Tamanho do texto

Ação inclui proibir viagens e congelar os bens de 13 russos e 8 crimeios. Estados Unidos também estudam imposição de vetos

Os ministros das Relações Exteriores da União Europeia concordaram em impor sanções contra 21 pessoas da Rússia e da Ucrânia nesta segunda-feira (17), incluindo proibições de viagens e congelamento de bens, disse o chanceler da Lituânia, Linan Linkevicius, por meio do Twitter.

Hoje: Após referendo, Crimeia se declara independente e pede anexação à Rússia

AP
Secretário de Relações Exteriores britânico William Hague,centro, o chanceler francês Laurent Fabius, dir.,e o ministro da Estónia Urmas Paet, em prédio da UE, Belgica


Ontem: Multidão na Crimeia celebra aprovação em referendo de anexação pela Rússia

As sanções vieram após uma reunião de cerca de três horas de duração, algumas horas após o parlamento crimeio declarar a região como estado independente, seguindo o resultado do referendo realizado neste domingo (16), onde maior parte da população da província optou por romper relações com a Ucrânia e ser anexada à Rússia. Os ministros que se reuniram em Bruxelas, Belgica, não divulgaram imediatamente os nomes dos alvos de sanções.

Dois diplomatas disseram que as sanções vão atingir 13 russos e oito crimeios. Eles falaram em condição de anonimato, porque a nacionalidade dos alvos das sanções ainda não foi oficialmente anunciada. As 28 nações da União Europeia e dos Estados Unidos disseram que o referendo realizado no último domingo era ilegítimo e inconstitucional.

O presidente Barack Obama disse ao presidente da Rússia Vladimir Putin no domingo (16) que o voto “Nunca seria reconhecido” pelos EUA, e que assim como ele, autoridades da UE advertiam Moscou contra a realização de novos movimentos militares em direção sul e leste da Ucrânia.

A UE está andando em uma corda bamba entre punir Moscou e manter linhas de comunicação abertas com a Rússia para que haja uma resolução diplomática sobre o caso, que já se transformou em uma das piores crises geopolíticas contra nações orientais da atualidade. Antes da reunião desta segunda em Bruxelas, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, disse que as sanções devem “"abrir caminhos e possibilidades para evitar uma nova escalada que pode levar à divisão da Europa."

A UE tem negociações com a Rússia sobre um pacto econômico amplo e um acordo de visto já suspensos. Os líderes do bloco se reunirão entre esta quinta e sexta-feira e podem começar a impor sanções econômicas sobre a Rússia, caso Moscou não recue, no final de semana.

O novo governo da Ucrânia, em Kiev, tem chamado o referendo de domingo de "circo dirigido por homens armados por Moscou". Putin, no entanto, insistiu que a votação foi realizada em "plena conformidade com o direito internacional e a Carta das Nações Unidas" e citou a independência de Kosovo, da Sérvia, como seu precedente.

Confira fotos da Crimeia após resultado do referendo

Pessoas marcham em apoio à anexação da Crimeia pela Rússia em Moscou (18/3). Foto: APIdosa segura calendário com imagem do líder soviético Josef Stalin na Crimeia enquanto assiste a pronunciamento de presidente russo (18/3). Foto: APDuas mulheres seguram bandeira em que se lê: 'Crimeia está com a Rússia' em Simferopol (16/3). Foto: ReutersMulher celebra com bandeira russa resultados preliminares de referendo em Simferopol, Crimeia (16/3). Foto: ReutersHomem pró-Rússia deposita cédula em urna durante votação sobre anexação da Crimeia pela Rússia em Bachisaray, Ucrânia. Foto: APCrimeia vota neste domingo se quer ou não se tornar parte da Rússia. Foto: AFPUma mulher pega sua cédula de votação sobre referendo na Crimeia em Simferopol, Ucrânia. Foto: APEleitor segura cédula do referendo em Simferopol, Ucrânia. Foto: APMulher coloca cédula do referendo em urna eleitoral, durante votação em Simferopol, Ucrânia. Foto: APNovo primeiro-ministro da Crimeia, Sergei Aksyonov lança seu voto em assembleia de votos de Simferopol, Ucrânia. Foto: APCom sua filha, eleitor participa do referendo da Crimeia, Ucrânia. Foto: APIdoso participa de referendo sobre anexação da Crimeia à Rússia, em Simferopol, Crimeia. Foto: APMilitares protegem o edifício do parlamento regional durante referendo da Crimeia em Simferopol. Foto: APBandeira da Rússia na entrada do prédio do parlamento regional da Crimeia. Foto: AP

Sábado: Rússia veta resolução da ONU contra referendo na Crimeia

Os alvos na primeira fase de sanções incluem políticos responsáveis pela organização do referendo de domingo na Crimeia, quando 97% dos eleitores decidiram separar a região da Ucrânia para se juntar à Rússia. A UE diz que o referendo foi ilegal e não reconhece o resultado.

Autoridades europeias dizem estar determinadas a pressionar a Rússia por suas ações na Crimeia, com a imposição de sanções, incluindo a proibição de viagens e congelamento de bens dos responsáveis. Os Estados Unidos devem tomar medidas semelhantes também nesta segunda.

Há alguns sinais de que a ameaça de sanções está gerando um impacto na Crimeia e na Rússia. Autoridades na Crimeia pediram formalmente a anexação à Rússia nesta segunda, e o chefe do Parlamento local disse que seriam dispersadas unidades militares ucranianas na península.

O presidente russo vai discursar em uma sessão conjunta do Parlamento da Rússia nesta terça-feira (18), quando possivelmente a separação será formalizada. Se isso acontecer, é provável que a UE passe à próxima fase de sanções, logo que líderes se reunirem nesta quinta-feira (20), com a expansão da lista de nomes. Mesmo assim, não está claro se Moscou tem qualquer intenção de recuar ou inverter o curso na Crimeia, e há indícios de que poderia ampliar sua influência em regiões de língua russa do leste da Ucrânia.

A UE disse que vai aumentar ainda mais a pressão das sanções se isso acontecer, incluindo a imposição de restrições comerciais e financeiras de maior alcance sobre a Rússia, como as impostas com sucesso contra o Irã. Embora constantemente ampliando a ameaça de sanções, a UE também tem incentivado a Rússia a negociar diretamente com a Ucrânia.

Em um sinal de que Putin pode estar se preparando para responder a essas chamadas, a Rússia apoiou nesta segunda a criação de um "grupo de apoio" internacional para mediar a crise. Mas informou que um dos objetivos do grupo seria a Ucrânia reconhecer a secessão da Crimeia, inaceitável tanto para Kiev como para a Europa, os Estados Unidos e a maior parte do mundo.

*Com Reuters e AP

Leia tudo sobre: russia na ucraniacrimeiareferendoeuaeuropaputinobamauniao europeia

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas