Presidente da Rússia declara Crimeia 'Estado soberano e independente'

Por iG São Paulo |

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Decreto é emitido após Parlamento de península estratégica ter declarado independência com base em referendo de domingo

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, reconheceu a estratégica Península da Crimeia como "um país independente e soberano" nesta segunda-feira, poucas horas depois de a região ter declarado que se separou da Ucrânia. Putin discursará para as duas Casas do Parlamento russa sobre a situação da Crimeia na terça-feira.

Após referendo: Crimeia se declara independente e pede anexação à Rússia

AP
Presidente da Rússia, Vladimir Putin, ouve pergunta de jornalista sobre atual situação da Ucrânia na residência presidencial de Novo-Ogaryovo, nos arredores de Moscou (4/3)

Domingo: Multidão na Crimeia celebra aprovação em referendo de anexação pela Rússia

As medidas desataram as sanções mais duras do Ocidente contra a Rússia desde a Guerra Fria — com Washington e a União Europeia (UE) retaliando com congelamento de bens e proibições de viagem e com o presidente dos EUA, Barack Obama, prometendo "aumentar o custo" se o Kremlin não recuar.

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O tumulto na Ucrânia se tornou a crise de segurança mais severa da Europa em anos, e as tensões estão altas desde que soldados russos tomaram o controle da Crimeia, que decidiu em um referendo no domingo se unir à Rússia. Putin assinou um decreto reconhecendo a independência da Crimeia, e soldados russos foram posicionados perto da fronteira do leste da Ucrânia, que é falante do russo.

O presidente em exercício da Ucrânia elevou as tensões ao convocar cerca de 20 mil reservistas e voluntários de todo o país e pedir a mobilização de outros 20 mil na recém-formada guarda nacional.

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Na capital da Crimeia, Simferopol, a população de etnia russa aplaudiu o referendo de domingo que de forma avassaladora pediu a secessão da Ucrânia e a adesão à Rússia. Homens mascarados em veículos blindados bloquearam o acesso da maioria dos jornalistas para a sessão do Parlamento que declarou a independência, mas, fora isso, a cidade manteve a normalidade.

Veja fotos sobre o referendo na Ucrânia:

Pessoas marcham em apoio à anexação da Crimeia pela Rússia em Moscou (18/3). Foto: APIdosa segura calendário com imagem do líder soviético Josef Stalin na Crimeia enquanto assiste a pronunciamento de presidente russo (18/3). Foto: APDuas mulheres seguram bandeira em que se lê: 'Crimeia está com a Rússia' em Simferopol (16/3). Foto: ReutersMulher celebra com bandeira russa resultados preliminares de referendo em Simferopol, Crimeia (16/3). Foto: ReutersHomem pró-Rússia deposita cédula em urna durante votação sobre anexação da Crimeia pela Rússia em Bachisaray, Ucrânia. Foto: APCrimeia vota neste domingo se quer ou não se tornar parte da Rússia. Foto: AFPUma mulher pega sua cédula de votação sobre referendo na Crimeia em Simferopol, Ucrânia. Foto: APEleitor segura cédula do referendo em Simferopol, Ucrânia. Foto: APMulher coloca cédula do referendo em urna eleitoral, durante votação em Simferopol, Ucrânia. Foto: APNovo primeiro-ministro da Crimeia, Sergei Aksyonov lança seu voto em assembleia de votos de Simferopol, Ucrânia. Foto: APCom sua filha, eleitor participa do referendo da Crimeia, Ucrânia. Foto: APIdoso participa de referendo sobre anexação da Crimeia à Rússia, em Simferopol, Crimeia. Foto: APMilitares protegem o edifício do parlamento regional durante referendo da Crimeia em Simferopol. Foto: APBandeira da Rússia na entrada do prédio do parlamento regional da Crimeia. Foto: AP

Os EUA, a UE e o novo governo da Ucrânia não reconhecem o referendo realizado no domingo na Crimeia, que foi convocado rapidamente enquanto a crise política ucraniana se aprofundava com a deposição do presidente pró-Rússia Viktor Yanukovych depois de meses de protestos e banhos de sangue esporádicos.

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Além de classificar a própria votação de ilegal, o governo Obama que havia "anomalias imensas" em uma votação que terminou com 97% de votos "sim" para a anexação à Rússia. Segundo as autoridades locais, 83% dos eleitores participaram da votação.

Sanções

As sanções europeias foram anunciadas após uma reunião em Bruxelas entre os ministros das relações exteriores dos países da UE. Entre seus alvos estão 21 autoridades russas e ucranianas, que terão seus bens congelados e sofrerão restrições a viagens no bloco, entre outras medidas. A UE já havia suspendido negociações com a Rússia sobre um pacto econômico e sobre a redução de restrições à concessão de vistos.

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Nos EUA, as autoridades anunciaram o congelamento dos bens de sete russos, incluindo conselheiros do presidente Putin e quatro ucranianos – entre eles o presidente afastado Yanukovych.

O presidente dos Estados Unidos disse que a decisão de seu país vai “elevar os custos” para a Rússia por seu envolvimento na crise na Ucrânia e advertiu que outras pessoas poderão sofrer represálias.

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“Se a Rússia continuar interferindo na Ucrânia, nós estamos prontos para adotar mais sanções”, disse o presidente, que salientou que ainda acredita que uma solução diplomática para a crise pode ser encontrada.

Diferentemente dos EUA, a União Europeia ainda não divulgou os nomes das autoridades que serão alvo das sanções, mas todos teriam tido um papel crucial no referendo de domingo.

*Com AP e BBC

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