Manifestantes ucranianos tomam gabinete do presidente Yanukovich, em Kiev

Por Reuters |

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Paradeiro do político é desconhecido. Manifestantes entraram no escritório, mas não houve saques. "Vamos guardar o edifício até que o próximo presidente venha", disse um deles

Reuters

Manifestantes tomaram neste sábado (22) o gabinete do presidente ucraniano, Viktor Yanukovich. O paradeiro do político é desconhecido, no momento em que o poder do líder pró-Rússia diminui rapidamente como consequência da violência na capital, Kiev.

No gabinete do presidente, o manifestante Ostap Kryvdyk, que se descrevia como um comandante do protesto, afirmou que alguns membros do grupo entraram nos escritórios, mas não houve saques. "Vamos guardar o edifício até que o próximo presidente venha", afirmou ele à Reuters. "Yanukovich nunca voltará."

A residência do presidente fora de Kiev está sendo guardada por milícias de "autodefesa" formadas por manifestantes. Centenas de pessoas entraram no terreno, mas não no prédio.

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Uma fonte de segurança disse que o presidente ainda está na Ucrânia, mas não afirmou se ele se encontra em Kiev. Um aliado afirmou que ele está em uma cidade do leste do país.

Yanukovich, que deixou grande parte da população furiosa ao virar as costas para a União Europeia para estreitar seus laços com a Rússia há três meses, fez grandes concessões em um acordo negociado por diplomatas europeus na sexta-feira (21), dias após atos de violência que mataram 77 pessoas, com o centro de Kiev parecendo uma zona de guerra.

Mas o acordo, que convocava eleições antecipadas até o fim do ano, não foi o suficiente para apaziguar os manifestantes, que pediam a queda imediata de Yanukovich, após um massacre no qual atiradores de elite disparavam balas do topo dos prédios.

Parlamentares atuaram rapidamente para implementar o acordo, votando para restaurar uma Constituição que diminuísse o poder do presidente e mudando a lei para permitir que sua rival, a líder oposicionista presa Yulia Tymoshenko, fosse libertada. Neste sábado, legisladores aprovaram acelerar sua soltura sem a assinatura do presidente.

Manifestantes antigoverno descansam em barricada no centro de Kiev, Ucrânia (21/2). Foto: APCorpos de manifestantes antigoverno mortos em confrontos com a polícia são vistos na Praça da Independência, em Kiev (20/2). Foto: APAtivistas apagam incêndio em árvore que foi incendiada durante queima de barricadas perto da Praça da Independência, em Kiev, Ucrânia (20/2). Foto: APManifestante ferido é levado de maca a um hospital em Kiev, capital da Ucrânia (20/02). Foto: APAtivistas retiram manifestante ferido em meio a choques com a polícia em Kiev, Ucrânia(20/2). Foto: APManifestantes mostram rosto de vítima morta em confrontos na Praça da Independência, em Kiev, Ucrânia (20/2). Foto: APManifestante antigoverno segura arma de fogo em barricada perto da Praça da Independência, em Kiev, Ucrânia (20/2). Foto: APManifestante antigoverno joga coquetel molotov durante embates com a tropa de choque na Praça da Independência, em Kiev, Ucrânia (19/2). Foto: APManifestante antigoverno dispara fogos de artifício de arma improvisada durante confrontos com tropa de choque em Kiev, Ucrânia (19/2). Foto: APProtestos na Ucrânia geram onda de violência em Kiev, capital do país (19/02). Foto: APManifestante caminha por zona de conflito com a polícia em Kiev, capital ucraniana (19/02). Foto: APCom capacete, manifestante descansa após confronto com policiais na Ucrânia (19/02). Foto: APPadre ortodoxo reza em barricada de manifestantes em Kiev, Ucrânia (19/02) . Foto: APManifestantes e policiais se enfrentam em Kiev, capital da Ucrânia (19/02). Foto: APUcraniana mostra retrato do presidente Viktor Yanukovych durante protestos em frente ao prédio do Parlamento Europeu em Brussels, Ucrânia (19/02). Foto: APMonumentos aos fundadores de Kiev queimam enquanto manifestantes entram em choque com polícia na Praça da Independência, na Ucrânia (18/2). Foto: APManifestantes antigoverno entram em confronto com tropa de choque na Praça da Independência, na Ucrânia (18/2). Foto: APManifestante antigoverno corre durante confrontos com a tropa de choque na Praça da Independência, em Kiev (18/2). Foto: APManifestante antigoverno acaba sendo queimado durante conflito em  frente ao Parlamento da Ucrânia, em Kiev (18/02). Foto: APPolícia de choque é atingida por fogo durante onda de protestos na Ucrânia (18/02) . Foto: APManifestante atira pedra em tropa da polícia na Ucrânia, durante onda de protestos em Kiev (18/02). Foto: APPoliciais e manifestantes se enfrentam durante conflito em Kiev, capital ucraniana (18/02). Foto: APPolicial ajuda colega ferido durante onda de protestos na Ucrânia (18/02). Foto: APManifestante encontra 'cobertura' em meio ao conflito com policiais em Kiev, Ucrânia (18/02). Foto: APManifestante joga coquetel molotov durante manifestações contra o governo em Kiev, Ucrânia (18/2). Foto: APManifestantes antigoverno deixam prefeitura de Kiev (16/2). Foto: APManifestantes ocuparam prefeitura de Kiev por três meses (16/2). Foto: APPartidários da oposição com uniformes militares e segurando bastões como armas fazem fila em frente de prédio do governo em Kiev, Ucrânia (4/2). Foto: APTropa de choque fecha área perto de barricadas que vão até a Praça da Independência, em Kiev (3/2). Foto: APManifestantes protestam contra governo da Ucrânia na capital, Kiev (1/2). Foto: Gleb Garanich/ReutersOpositor olha é visto enquanto se aquece perto de fogo em barricada próxima à Praça da Independência, em Kiev (31/1)
. Foto: APTendas de manifestantes antigoverno são vistas na Praça da Independência em meio a uma temperatura de -19°C no centro de Kiev, Ucrânia. Foto: ReutersManifestante guarda barricadas em frente de tropa de choque em Kiev, Ucrânia (29/1). Foto: APManifestante coloca placas de aço caseiras no peito ao se preparar para sair do Ministério da Agricultura em Kiev, Ucrânia (29/1). Foto: APManifestantes descansam atrás de barricada em frente de tropa de choque em Kiev, Ucrânia (28/1). Foto: APManifestantes montam guarda na entrada do Ministério da Justiça com ícones que encontraram dentro do prédio no centro de Kiev, Ucrânia. Foto: APPadres ortodoxos rezam enquanto ficam entre ativista pró-UE e a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (24/1). Foto: APManifestante usa enorme estilingue para lançar coquetel molotov contra a polícia 
em Kiev (23/1). Foto: APManifestantes usam enorme estilingue para jogar pedras contra a polícia no centro de Kiev (23/1). Foto: APManifestante lança fogo de artifício contra a polícia na capital ucraniana (23/1). Foto: APManifestante joga pneus no fogo durante confronto com a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (23/1). Foto: APManifestante prepara arremesso de coquetel molotov durante confrontos com a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APManifestantes entra em confronto com polícia no centro de Kiev (22/1). Foto: APManifestantes entram em confronto com tropa de choque no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APManifestante aponta arma durante confrontos com a polícia na capital da Ucrânia (22/1). Foto: APPolícia se prepara para entrar em confronto com manifestantes em Kiev, capital da Ucrânia (22/1)
. Foto: APManifestantes entram em choque com a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APPolicial bate em manifestante no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APPneus ficam em chamas na rua após serem incendiados por manifestantes em Kiev, Ucrânia (22/1)
. Foto: APManifestantes usam fogos de artifício durante choques com a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APManifestantes lançam pedras durante confrontos com a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APManifestantes usam fogos de artifício durante confrontos com a polícia na Ucrânia (21/1). Foto: APManifestantes usam escudos improvisados para entrar em choque com a polícia em Kiev (21/1). Foto: APManifestantes protegidos com armaduras improvisadas se preparam para brigar com a polícia em Kiev (20/1). Foto: APManifestantes protegidos com armaduras improvisadas se preparam para brigar com a polícia em Kiev (20/1). Foto: AP

O presidente do Parlamento, leal a Yanukovich, renunciou neste sábado, e o Congresso elegeu Oleksander Turchynov, um aliado de Yulia Tymoshenko, como seu substituto.

Neste sábado, os acontecimentos estavam rapidamente moldando o futuro de um país de 46 milhões de pessoas, distanciando a nação de Moscou e a aproximando do Ocidente, embora a Ucrânia esteja perto da bancarrota e precise da Rússia para pagar seus compromissos.

"Hoje ele (Yanukovich) deixou a capital", afirmou o líder da oposição, Vitaly Klitschko, ex-campeão mundial dos pesos-pesados no boxe, durante uma sessão de emergência no Parlamento, que debatia um pedido da oposição para a renúncia do presidente.

"Milhões de ucranianos veem uma única saída: eleições antecipadas para presidente e Congresso", afirmou Klitschko. Depois, ele afirmou pelo Twitter que a eleição deve ocorrer antes de 25 de maio.

Uma importante fonte de segurança disse sobre Yanukovich: "Está tudo bem com ele... Ele está na Ucrânia". Perguntado se o presidente se encontrava em Kiev, a fonte respondeu: "Não posso dizer".

Anna Herman, uma legisladora próxima a Yanukovich, disse à agência de notícias UNIAN que o presidente está na cidade de Kharkiv, no nordeste do país e onde se fala russo.

O Parlamento aprovou na sexta-feira a saída do ministro do Interior, Vitaly Zakharchenko, um partidário de Yanukovich e que foi apontado pela oposição como o culpado pelas mortes.

O ministério pediu aos cidadãos que se unam "na criação de um país europeu verdadeiramente independente, democrático e justo".

As concessões de Yanukovich na sexta-feira acabaram com 48 horas de violência, que tornaram o centro de Kiev um inferno. Sem policiais leais o suficiente para restaurar a ordem, as autoridades colocaram atiradores de elite nos topos dos edifícios, de onde eles dispararam contra manifestantes, mirando na cabeça e no pescoço.

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