Ao menos 23 pessoas ficam feridos na Venezuela; governo busca oposicionista

Por iG São Paulo |

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Autoridades acusam López de assassinato; manifestantes dizem que continuarão nas ruas até a renúncia de Maduro

AP
Manifestante atira pedras na Força Nacional Bolivariana, durante protesto ocorrido na Venezuela, sábado (15)

Ao menos 23 pessoas ficaram feridas em confrontos entre manifestantes e policiais na madrugada deste domingo (16) na cidade de Chacao, Venezuela, informou a imprensa local. Em ritmo intenso, com inúmeras postagens, usuários do Twitter trocaram informações sobre o paradeiro de jovens, supostamente detidos ao longo da noite e denunciaram suspeitas de “desaparecimento” de manifestantes.

Em vídeo: Leopoldo López afirma que vai participar de protesto na terça

Tropas dispararam gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar cerca de mil manifestantes que acenderam fogueiras com lixo e atiraram pedras em uma parte rica do leste de Caracas. Os manifestantes prometem permanecer nas ruas até que o presidente Nicolás Maduro renuncie, embora não há nenhum sinal de que isso vá acontecer.

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Quarta: Venezuelanos saem às ruas contra e a favor de Maduro

Enquanto isso, policiais buscam o líder oposicionista Leopoldo López. Autoridades o acusam de assassinato e terrorismo em conexão com a violência em torno de quatro dias de protestos esporádicos contra o governo, que deixaram três mortos. Policiais foram até a casa de López e de seu pai, buscando o líder da oposição.

O comportamento dos policiais foi "muito civilizado", disse o irmão mais velho de López a um jornal local, e quando descobriram que ele não estava lá, eles partiram.

"Maduro, você é um covarde", disse o irmão mais jovem de López mais tarde no Twitter. "Você não vai fazer com que eu ou a minha família nos curvemos a você. Para minha família: força. Amo vocês."

Desde quarta-feira à noite, López não foi mais visto pela imprensa local. Ele disse a apoiadores no Twitter para continuarem se manifestando, embora pacificamente. Autoridades acusam Leopoldo López de assassinato e terrorismo em conexão com a violência em torno de quatro dias de protestos esporádicos contra o governo, que deixaram três mortos.

Cerca de 2.000 pessoas se reuniram pacificamente, no domingo (16), muitos usando bonés de beisebol com as cores da bandeira venezuelana, cantando, soprando apitos, e ouvindo discursos.

"Para o país e os estudantes, que eu sempre admirei e apoiei, a batalha está nas ruas, mas sem violência", disse López no Twitter na noite de sábado.

O secretário de Estado americano, John Kerry, disse que os Estados Unidos estão “profundamente preocupados pelas crescentes tensões e violência na Venezuela".

Kerry pediu que o governo de Nicolás Maduro deixasse em liberdade todos os manifestantes que haviam sido detidos e pediu que as partes “trabalhem para restaurar a calma e evitar a violência”.

Dois lados

O governo nacional também denunciou ataques à sede do canal estatal, Venezuelana de Televisão e ao prédio do Ministério dos Transportes. Com as manifestações, 12 linhas de metrô da capital pararam no começo da madrugada de hoje.

Neste cenário incerto, a troca de acusações continua entre governistas e oposicionistas. De um lado, o governo denuncia um plano golpista da extrema direita e acusa grupos “fascistas” de estarem provocando o caos. Do outro, a oposição insiste na existência de infiltrados, apoiados pelo próprio governo para responsabilizar os opositores.

O oposicionista Leopoldo López, procurado pela polícia continuava foragido até a madrugada de hoje. De acordo com a imprensa a residência dele e a dos pais dele teriam sido revistadas por policiais após as 23h desse sábado.

Mais cedo, a Mesa da Unidade Democrática, que reúne partidos de oposição, informou que 112 pessoas que estavam presas desde a última quarta-feira foram liberadas, mas que ainda havia pelo menos 47 jovens detidos em diferentes penitenciárias do país.

Jornalistas que vivem em Caracas conversaram na noite de ontem com a Agência Brasil. Eles preferiram que seus nomes não fossem revelados, e afirmaram que a situação é muita confusa e que é difícil discernir o que está realmente acontecendo. “Não é possível fazer uma leitura precisa do que está ocorrendo”, afirmou uma correspondente brasileira.

Ela disse que os argumentos se confundem, há “teorias conspiratórias” e um clima de “terror e medo” no país. Um jornalista venezuelano acrescentou que "de ambos os lados, situação e oposição, há evidências que poderiam justificar as acusações”.

“Mas uma coisa é certa. Mesmo para um chavista ou não. A população não está contente. Há um sentimento de cansaço, de frustração e de impotência diante dos problemas que o país tem enfrentado”, ponderou.

(Com informações da Reuteres e da Agência Brasil)

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