Cumprimento entre os dois líderes de países inimigos na Guerra Fria aconteceu antes de discurso de líder dos EUA

O presidente dos EUA, Barack Obama, cumprimentou o presidente de Cuba, Raúl Castro, com um aperto de mão na cerimônia desta terça-feira em memória do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela , que morreu aos 95 anos no dia 5 de dezembro.

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Obama, Raúl Castro
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Obama, Raúl Castro

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O aperto de mão entre os dois líderes dos países que foram inimigos durante a Guerra Fria (1947-1991) aconteceu antes de o presidente americano discursar no evento, que deu ênfase ao legado de reconciliação de Mandela.

Obama cumprimentava uma fileira de líderes e chefes de Estado que participavam da cerimônia no Estádio FNB (Soccer City), no subúrbio de Soweto, em Johanesburgo. A presidente Dilma Rousseff , que também discursou no memorial, esteve entre os líderes cumprimentados por Obama.

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Os EUA e Cuba recentemente adotaram pequenos passos em direção a uma reaproximação, levantando esperança de que as duas nações poderiam estar perto de uma mudança nas relações.

Prevista para as 7 horas locais (11 horas em Brasília), a cerimônia começou com uma hora de atraso com a execução do hino nacional, ao que se seguiram vários pronunciamentos.

Em seu pronunciamento, Dilma afirmou que a luta de Mandela contra o apartheid (regime de segregação racial) cruzou as fronteiras da África do Sul e inspirou o mundo. Mandela morreu no dia 5 de dezembro aos 95 anos.

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A líder brasileira discursou logo após o presidente dos EUA, Barack Obama, que pediu que o mundo reverenciasse o legado do primeiro presidente negro da África do Sul combatendo a desigualdade, a pobreza e o racismo.

Multidões convergiram para Soccer City em Soweto, subúrbio que foi um reduto de apoio à luta contra o apartheid que Mandela incorporou enquanto era um prisioneiro do regime de dominação branca durante 27 anos e então durante um frágil transição para eleições multirraciais que o tornaram presidente em 1994.

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A chuva, entretanto, afastou muitos da cerimônia. Pouco antes de seu início, o estádio com capacidade para 95 mil espectadores estava 50% cheio.

A viúva de Mandela, Graça Machel, estava no estádio, assim como a atriz Charlize Theron, a modelo Naomi Campbell e o cantor Bono. O ex-presidente sul-africano Thabo Mbeki, que sucedeu a Mandela, recebeu uma ovação ao se levantar. O presidente francês, François Hollande, e seu antecessor e rival político, Nicolas Sarkozy, chegaram juntos.

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Esta terça-feira marca o 20º aniversário do dia em que Mandela e o último presidente branco da África do Sul, F.W. de Klerk, receberam o Prêmio Nobel da Paz por seus esforços para trazer paz ao país. A data também coincide com o Dia dos Direitos Humanos da ONU.

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Na época, Mandela disse em seu discurso de aceitação: "Vivemos com a esperança de que, enquanto ela se debate para se refazer, a África do Sul será como um microcosmo do novo mundo que deseja nascer."

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Desde a morte de Mandela, Johanesburgo tem visto um clima nublado e chuvoso incomum para a época - um sinal, segundo as tradições africanas, da passagem de uma pessoa querida que está sendo recebida na vida após a morte por seus antepassados.

"Na nossa cultura, a chuva é uma bênção", disse Harry Tshabalala, um motorista do Ministério da Justiça. "Apenas pessoas muito grandes são homenageadas com ela. A chuva é vida. Esse é um clima perfeito para nós nessa ocasião."

*Com Reuters e AP

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