Em missa, Desmond Tutu afirma que sul-africanos devem se tornar 'memorial' de Mandela ao incorporar seus valores

Pessoas em toda a África do Sul e no restante do mundo estão homenageando Nelson Mandela , morto na quinta-feira, com música, lágrimas e preces, enquanto o governo sul-africano prepara cerimônias que atrairão líderes e outras autoridades mundiais.

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O arcebispo emérito Desmond Tutu (D) lidera uma missa em memória do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela na Catedral de St George, na Cidade do Cabo
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O arcebispo emérito Desmond Tutu (D) lidera uma missa em memória do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela na Catedral de St George, na Cidade do Cabo

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O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, anunciou nesta sexta-feira que o ícone antiapartheid será enterrado no domingo de 15 de dezembro na aldeia de Qunu, no sul do país, onde foi criado. Mandela será enterrado com honras de chefe de Estado, e diversos líderes mundiais devem comparecer à cerimônia, incluindo a presidente Dilma Rousseff  e o presidente dos EUA, Barack Obama .

Em uma missa nesta sexta-feira, o arcebispo emérito Desmond Tutu disse que o líder antiapartheid que se tornou o primeiro presidente negro da África do Sul gostaria que os próprios sul-africanos se transformassem em seu "memorial" ao aderir aos valores de unidade e democracia que ele incorporou.

Partidários em luto se reúnem do lado de fora da casa de Mandela em Johanesburgo, assim como em sua antiga casa no bairro negro de Soweto.

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A associação bancária da África do Sul disse que os bancos fecharão no dia do funeral de Mandela. No dia 10 de dezembro será realizada uma cerimônia nacional em memória do líder, no estádio de Soweto, em Johanesburgo. O corpo do ex-presidente ficará exposto na sede da presidência em Pretória entre o dia 11 até seu enterro.

África do Sul em luto

Os sul-africanos acordaram nesta sexta-feira para viver um futuro sem Mandela, e alguns reconhecem temer que a morte do herói da luta contra o apartheid possa deixar o país vulnerável a tensões raciais e sociais que ele lutou tanto para combater.

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Criança coberta com tecido com imagem de ex-presidente Nelson Mandela é vista do lado de fora de sua antiga casa, agora museu, em Soweto
AP
Criança coberta com tecido com imagem de ex-presidente Nelson Mandela é vista do lado de fora de sua antiga casa, agora museu, em Soweto

Os sul-africanos ouviram o presidente do país, Jacob Zuma, anunciar na quinta-feira que o ex-presidente e Nobel da Paz havia morrido em paz na sua casa, em Johanesburgo, na companhia de familiares.

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Apesar das garantias de líderes e figuras públicas de que a morte de Mandela, ao mesmo tempo que penosa, não vai impedir que a África do Sul siga avançando e se distanciando do passado amargo do apartheid, alguns ainda expressam inquietações sobre a ausência física do homem que ganhou fama como um agente da paz.

"Não vai ser bom. Acho que vai se tornar um país mais racista", disse Sharon Qubeka, 28 anos, uma secretária da comunidade de Tembisa, que se dirigia ao trabalho em Johanesburgo. "Mandela era o único que mantinha as coisas unidas", disse.

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Uma avalanche de tributos se espalhou pelo mundo em homenagem a Mandela, que estava doente havia quase um ano, vítima de uma enfermidade pulmonar recorrente, com a qual ele conviveu desde os 27 anos em que viveu em prisões, incluindo na notória colônia penal de Robben Island.

Para a África do Sul, no entanto, a perda de seu líder mais amado ocorre em um momento em que a nação, depois de ganhar reconhecimento global com o fim do apartheid, vive crescentes conflitos e protestos contra serviços precários, pobreza, criminalidade, desemprego e escândalos de corrupção que atingem o governo de Zuma.

*Com AP e Reuters

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