Espionagem dos EUA pode prejudicar combate ao terrorismo, diz UE

Por BBC Brasil |

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Assunto dominou cúpula de chefes de Estado do bloco; França e Alemanha querem novo pacto com EUA

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Líderes da União Europeia divulgaram um comunicado nesta sexta-feira (25) dizendo que a desconfiança sobre o esquema de espionagem dos EUA poderá prejudicar os esforços mundiais no combate ao terrorismo.

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AP
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No entanto, as nações europeias ressaltam no comunicado que dão valor à "relação próxima" que possuem com os EUA. O assunto acabou dominando uma cúpula de chefes de Estado do bloco europeu em Bruxelas nesta semana, depois que as imprensas da Alemanha e da França revelaram novas denúncias de espionagem americana.

A Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA, na sigla em inglês) teria monitorado ligações telefônicas da chanceler alemã Angela Merkel. Na França, a agência teria monitorado milhões de telefonemas de diversos cidadãos.

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Agora, a França e a Alemanha estão fazendo pressão por um "entendimento" com os EUA até o final do ano. Na quinta-feira, surgiram novas denúncias no jornal britânico The Guardian de que a NSA teria monitorado os telefonemas de 35 líderes globais.

'Sementes da desconfiança'

Ao final da cúpula, Merkel disse que Europa e EUA enfrentam "desafios comuns" e que "não pode haver espionagem entre amigos". Ela afirmou que "as sementes da desconfiança foram plantadas" e que isso dificulta a cooperação no setor de inteligência.

"Ficou claro que algo precisa mudar para o futuro, e de forma significativa", disse a chanceler. "Vamos colocar todos os nossos esforços para forjar um entendimento mútuo até o final do ano para cooperação das agências de inteligência da Alemanha e dos EUA, e da França dos EUA, para criar uma estrutura de cooperação."

O comunicado dos chefes de Estado europeus disse que as revelações causaram "profundas preocupações" entre os cidadãos europeus e que "uma falta de confiança pode prejudicar a cooperação necessária no campo da coleta de inteligência".

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O editor para Europa da BBC Gavin Hewitt disse que os governos alemão e francês querem um novo pacto com os EUA que estabeleça, em sua essência, a "não espionagem" entre as partes.

Para Hewitt, o entendimento poderia seguir os moldes de um acordo feito entre os EUA e Reino Unido, Nova Zelândia e Canadá após a Segunda Guerra, uma operação de inteligência conhecida como Five Eyes (Cinco Olhos, em tradução livre).

O porta-voz da Casa Branca Jay Carney disse que o presidente Barack Obama deu garantias a Merkel pelo telefone de que ela não estava sendo monitorada agora e que não seria no futuro.

Essa declaração, entretanto, acabou dando crédito às alegações de que telefonemas da chanceler alemã foram monitorados no passado.

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