Atenções se voltam à Europa por espionagem, mas crise real está no Oriente Médio

Por Nahum Sirotsky - colunista em Israel | - Atualizada às

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EUA dizem que não permitirão que Irã produza armas nucleares; Israel vigia céus com cada vez mais intensidade

A chamada crise entre EUA e Alemanha foi muito bem representada. Na verdade, hoje em dia, país, com condições, ouve tudo o que conseguir alcançar. O serviço de escuta americano é o mais poderoso e grava o que quer. O número de satélites artificiais para segurar sistemas de informação e internet é cada vez maior. A questão é ter tecnologia e recursos.

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Chanceler alemã Angela Merkel usa seu celular em evento em Berlim (20/1/2011)

A denunciada escuta do celular da chanceler alemã, Angela Merkel, que usa o aparelho para transmitir suas ordens, serviu para criar um pouco de emoção na pacífica Europa.

Na verdade, é o Oriente Médio a região mais sensível do mundo atualmente. Da fronteira de Israel com o Egito, por exemplo, há quem tenha observado o choque entre soldados, policiais do Cairo e terroristas, que estão se multiplicando no Sinai com sérios prejuízos ao país em homens e recursos. Passou a ser perigosa uma travessia no deserto, onde antes era pacífico. Isso, ao sul de Jerusalém.

No norte, fronteira com o Líbano, há o Hezbollah, classificado como terrorista, com poderosos mísseis apontados para Israel. Há dias, os israelenses confirmaram que atacaram e destruíram caravana de veículos, transportando armamentos vindos da Síria, visando aumentar o arsenal xiita. Quase que diariamente, sírios feridos na batalha entre rebeldes e governo, cruzam a fronteira para pedir ajuda a Israel, onde são atendidos em hospitais.

O primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, manteve conferência de várias horas com o secretário de Estado americano, John Kerry, em Roma. Os detalhes da conversa não foram divulgados pelos meios oficiais, mas, certamente, os temas foram a preocupação com o programa nuclear do Irã e a paz com os palestinos.

Uma emissora de rádio local chegou a divulgar, e não foi repetido, o rumor de que uma das maiores empresas de petróleo da Inglaterra estaria negociando concessões de áreas petrolíferas com Teerã.

Também foi noticiado que, dentro de poucos meses, entrará em ação o primeiro reator nuclear iraniano, para a produção de energia elétrica. Além disso, começou a preocupar aos israelenses a possível redução das sanções impostas ao regime dos aiatolás, que insiste no argumento de que o projeto atômico tem fins pacíficos. Os israelenses não acreditam no Irã.

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Premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, e secretário de Estado dos EUA, John Kerry, se cumprimentam durante encontro bilateral na Itália

A mídia americana diz que os EUA não mudaram a determinação de impedir o Irã de se transformar em potência nuclear por todos meios possíveis e necessários. Com tudo o que já se disse sobre o assunto, o leitor já deve estar cansado.

Aconteceu o mesmo com o Iraque, onde atentados entre xiitas e sunitas continuam a produzir vítimas, sem interesse maior da mídia. E estão morrendo soldados e policiais egípcios no Sinai. As dúvidas quanto à verdade sobre o que dizem os iranianos começa a desinteressar o público, em geral, mas não a Israel, que vigia seus céus com cada vez mais intensidade.

Colaborou Nelson Burd

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