Alemanha convoca embaixador dos EUA após denúncia de espionagem a Merkel

Por iG São Paulo |

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Chanceler alemã telefonou a Obama na quarta-feira exigindo explicações sobre suposto grampo em seu celular

O ministro das Relações Exteriores da Alemanha convocou o embaixador dos EUA nesta quinta-feira (24) após as alegações de que a inteligência americana teria espionado o telefone celular da chanceler alemã, Angela Merkel.

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AP
Chanceler alemã Angela Merkel apresenta um modelo do celular Blackberry em Hannover (5/3/2013)

Ao mesmo tempo, um legislador de alta patente expressou preocupação em relação ao comunicado emitido pela Casa Branca, que afirmou que os EUA não estão monitorando e não vão monitorar as comunicações da chanceler - uma resposta que não diz respeito ao que possa ter acontecido no passado.

E o ministro da Defesa acrescentou que a Europa não pode simplesmente voltar aos negócios como de costume nas relações transatlânticas após uma série de reportagens de que os EUA estariam espionando seus aliados.

Alemanha: Merkel cobra explicações de Obama sobre suspeita de espionagem

O governo Merkel afirmou que a chanceler telefonou ao presidente Barack Obama na quarta-feira depois de ter recebido informações de que seu celular poderia ter sido grampeado.

O Ministério das Relações Exteriores alemão disse que é esperado que o embaixador americano John B. Emerson se encontre na tarde desta quinta-feira (24) com o ministro Guido Westerwelle, que deve marcar a posição da Alemanha. A embaixada dos EUA não fez nenhum comentário.

O ministro da Defesa Thomas de Maiziere disse à rede de televisão ARD que a suposta espionagem seria "muito ruim" caso fosse confirmada. "Os americanos são e continuam sendo nossos melhores amigos, mas isso é absolutamente incorreto", disse. "Não podemos simplesmente voltar aos negócios como sempre", disse De Maiziere quando questionado sobre os possíveis efeitos nas relações entre EUA e Alemanha. "Há suspeitas na França também."

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Essa semana, a França exigiu explicações sobre uma reportagem que dizia que os EUA coletaram milhões de registros telefônicos franceses, e também convocou o embaixador americano para dar explicações. Líderes da União Europeia se encontrarão em Bruxelas na noite desta quinta para uma longa reunião.

De Maiziere não especificou os efeitos que o caso pode vir a ter nas relações. Entretanto, ele disse que "as relações entre nossos países são estáveis e importantes para nosso futuro. Elas continuarão dessa forma."

A Alemanha, que possui a maior economia da Europa, é um dos aliados mais próximos aos EUA no continente. Washington foi o protetor da Alemanha Ocidental durante a Guerra Fria (1945-1990) e o país ainda é lar de milhares de tropas americanas.

Em junho: Vigilância da internet deve ter limites adequados, diz Merkel a Obama

O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, disse na quarta-feira que Obama garantiu a Merkel que os EUA "não estão monitorando e não vão monitorar as comunicações da chanceler".

O governo alemão não disse o que Merkel achava da explicação dada por Obama, mas um legislador proeminente de seu partido, que chefia o comitê de assuntos domésticos do Parlamento, criticou o comunicado de Carney.

"Eu acho que todos estão indignados, independentemente dos partidos", disse Wolfgang Bosbach à rádio Deutschlandfunk. "E isso também vai para a resposta de que o celular da chanceler não está sendo monitorado - porque essa frase não diz nada sobre se a chanceler foi monitorada no passado."

"Isso não pode ser justificado de nenhum ponto de vista pela luta contra o terrorismo internacional ou para evitar perigos", disse Bosbach.

Merkel já havia levantado preocupações sobre as alegações do uso de escutas eletrônicas quando Obama visitou a Alemanha em junho, exigiu respostas do governo dos EUA e apoiou apelos por uma maior proteção dos dados europeus.

Em um comunicado, o governo disse que Merkel pediu às autoridades americanas que esclarecessem a extensão da vigilância na Alemanha e que fornecessem respostas às "questões que o governo alemão fez há meses".

Com AP

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