Telefones da França foram alvo de espionagem dos EUA, diz jornal

Por iG São Paulo |

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Em meio à visita de Kerry a Paris, chancelaria francesa convoca embaixador americano para dar explicações

A Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA, sigla em inglês) coletou 70,3 milhões de registros telefônicos franceses em um período de 30 dias, segundo uma reportagem do jornal Le Monde que fornece novos detalhes sobre a massiva operação de espionagem que provocou indignação entre os aliados mais próximos aos americanos. O governo francês convocou nesta segunda-feira (21) o embaixador americano para dar explicações.

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AP
Embaixador americano para a França Charles Rivkin deixa o Ministério das Relações Exteriores em Paris, após reunião

A reportagem, escrita em parceria com Glenn Greenwald, primeiro jornalista a fazer matérias sobre os programas de vigilância secretos da NSA, descobriu que quando certos números eram usados, as conversas eram automaticamente gravadas. A operação de vigilância também coletou mensagens de texto baseada em palavras-chave. A reportagem tem como base registros de 10 de dezembro a 7 de janeiro.

A publicação veio à tona em meio à chegada do secretário de Estado dos EUA, John Kerry, em Paris para diálogos diplomáticos sobre o processo de paz entre Israel e palestinos.

"Esse tipo de prática entre parceiros que invade a privacidade é totalmente inaceitável e temos que garantir, muito rapidamente, que isso não mais aconteça". disse o chanceler francês, Laurent Fabius, durante encontro em Luxemburgo com seus colegas europeus. Fabius acrescentou que o embaixador americano, Charles Rivkin, foi convocado ao Ministério de Relações Exteriores.

Ele não comentou se havia sido chamado a prestar esclarecimentos e destacou a proximidade das relações entre EUA e França. "Esse relacionamento em nível militar, de inteligência, e forças especiais... é o melhor em uma geração."

Mais cedo, o ministro do Interior da França, Manuel Valls, disse que a revelação feita pelo Le Monde era "chocante". "Se um país aliado espiona a França ou espiona outros países europeus, isso é totalmente inaceitável", disse Valls à rádio Europe 1.

Programas similares foram revelados no Reino Unido e na Alemanha. No Brasil, as revelações deixaram a presidente Dilma Rousseff tão indignada, que ela cancelou uma visita de Estado a Washington e denunciou publicamente a "violação de direitos humanos e liberdades civis". O Ministério de Minas e Energia e a Petrobras também foram alvo de espionagem da NSA, de acordo com as denúncias.

O documento mais recente citado pelo Le Monde, datado de abril de 2013, também indicou o interesse da NSA em um endereço de email ligado ao Wanadoo - antes parte da France Telecom - e Alcatel-Lucent, a empresa de telecomunicações francoamericana.

Em julho, o Ministério Público francês iniciou uma investigação preliminar sobre a espionagem da NSA depois que a revista alemã Der Spiegel e o jornal britânico The Guardian revelaram a extensão dos programas de vigilância da agência norte-americana, com base em dados fornecidos pelo ex-prestador de serviço da NSA Edward Snowden.

Com AP e Reuters

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