Após protestos, Hollande diz que menina deportada pode voltar sem a família

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Leonarda Dibrani, de 15 anos, foi retirada de um ônibus escolar, na frente dos colegas de classe, durante um passeio de escola

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O presidente da França, François Hollande, anunciou neste sábado que uma menina cigana que havia sido deportada após ser retirada de um ônibus escolar pode retornar ao país para terminar seus estudos, mas sem sua família.

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Leonarda Dibrani, de 15 anos, foi expulsa da França neste mês com os pais e cinco irmãos após a família perder uma batalha legal por pedido de asilo no país

Leonarda Dibrani, de 15 anos, foi expulsa da França neste mês com os pais e cinco irmãos após a família perder uma batalha legal por pedido de asilo no país.

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O caso gerou uma onda de protestos de grupos estudantis em todo o país. Uma investigação realizada pelo governo concluiu que a deportação havia sido legal.

Mas o relatório, divulgado neste sábado, diz que qualquer ação futura contra estudantes deve ocorrer fora do ambiente escolar.

Discriminação

A família deixou Kosovo em direção à França há cinco anos e vivia em Levier, na região de Doubs, no leste da França. Eles citavam discriminação contra os ciganos em Kosovo como argumento para o pedido de asilo.

O pai de Leonarda, que estava em uma cidade diferente, foi expulso no dia 8 de outubro.

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A menina havia dormido na casa de uma amiga à noite, por isso não estava na casa da família quando a polícia de fronteiras chegou para deportá-los.

Ela então foi retirada de um ônibus escolar, na frente dos colegas de classe, durante um passeio de escola. A família inteira foi depois enviada a Kosovo naquele dia.

"Se ela fizer um pedido, por conta das circunstâncias, e porque ela quer seguir com os estudos na França, uma permissão será estendida a ela", afirmou Hollande em uma declaração à TV francesa.

Mas ele enfatizou que o convite se dirigia somente à estudante. Leonarda já disse que não voltará à França sem sua família.

"Não abandonarei minha família. Eu não sou a única que precisa ir à escola, há também meus irmãos e minhas irmãs", disse ela à agência de notícias AFP.

Mendicância

O pai de Leonarda, Resat Dibrani, afirmou a repórteres em Mitrovica, onde a família está vivendo, que eles não querem permanecer em Kosovo.

"Eu não tenho liberdade aqui para mim, meus filhos e minha família. A polícia pode dizer o que quiser, mas para mim, a Justiça não funciona na França", disse.

Ele disse que a família não se dividirá. "Ou vamos todos (à França) ou não vai ninguém", afirmou.

Dibrani admitiu nesta semana que havia mentido sobre as origens das crianças na esperança de aumentar suas chances de asilo. Somente ele é originário de Kosovo, mas sua mulher e seus seis filhos são nascidos na Itália.

O prefeito da cidade italiana de Fano, onde a família viveu por vários anos, disse que eles saíram de lá após as autoridades locais ameaçarem tirar a guarda das crianças do casal.

"As crianças quase nunca iam à escola, apesar de ele as ter matriculado. Ele as mandava mendigar. Elas viviam nas ruas", afirmou Stefano Aguzzi à AFP.

"Nós dissemos a ele que não poderia continuar vivendo aqui sem pagar nada. Estabelecemos uma série de regras para que ele pudesse ficar", disse.

Aguzzi afirmou que se a família retornar à cidade, será tratada como "qualquer outro imigrante".

Cilada política

Centenas de estudantes franceses protestaram nos últimos dias em Paris e em outras cidades contra a deportação e a maneira como Leonarda foi removida.

Grande parte dos protestos foram dirigidos ao Ministro do Interior, Manuel Valls, até então uma das figuras mais populares do governo francês.

O correspondente da BBC em Paris Christian Fraser afirma que Valls também enfrenta críticas de seu próprio partido, que o acusa de trair os princípios do governo socialista.

Mas o governo também sofre a pressão da oposição de direita, que advertiu que se as autoridades cedessem aos protestos e permitissem o retorno da família, isso abriria um precedente perigoso.

Para Fraser, o convite de Hollande para Leonarda retornar sozinha é a melhor maneira que ele encontrou para tentar sair da cilada política dos últimos dias.

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