Países se solidarizam com posição do Brasil contra espionagem, diz chanceler

Por Leda Balbino - Nova York* | - Atualizada às

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Figueiredo diz que ministros com quem se reuniu expressam que fala de Dilma ‘refletiu sentimento de todos’

O chanceler brasileiro, Luiz Alberto Figueiredo Machado, afirmou nesta quinta-feira (26) que os ministros de Relações Exteriores com quem se reuniu em Nova York desde quarta-feira (25) têm se mostrado interessados na posição brasileira de desenvolver um marco civil internacional para a internet como reação à espionagem dos EUA. “Todos os meus colegas têm manifestado sua solidariedade e têm dito que, quando a presidenta falou, refletiu o sentimento de todos”, afirmou durante coletiva na 68ª Assembleia Geral da ONU.

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AP
Chanceler brasileiro, Luiz Alberto Figueiredo Machado, participa de coletiva em Brasília (2/9)

Ao abrir o debate na Assembleia na terça-feira (24), Dilma denunciou a espionagem americana em todo o mundo como uma atividade que fere a lei internacional, uma “grave violação dos direitos humanos e das liberdades civis” e uma “afronta aos princípios que devem guiar as relações entre os países. Em seu pronunciamento, Dilma também anunciou que o Brasil apresentará propostas para o estabelecimento de um marco civil multilateral para a governança e uso da internet para assegurar a efetiva proteção dos dados que navegam pela web.

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O pronunciamento foi feito uma semana depois de Dilma ter cancelado uma visita de Estado programada para outubro. O governo brasileiro justificou a medida afirmando que a administração de Barack Obama não forneceu ao Brasil explicações suficientes sobre a denúncia de espionagem.

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Em declaração após encontro na quarta-feira, o Ibas (grupo que reúne Índia, Brasil e África do Sul e Índia) anunciou apoio à posição brasileira. “Houve um entendimento do Ibas de que coordenaremos esforços para que os três países possam levar à frente um marco civil global de governança da internet”, disse Figueiredo Machado.

Além da Índia e África do Sul, o Brasil também conseguiu nesta quinta-feira apoio da Rússia e da China no âmbito dos Brics à posição brasileira contra os programas de monitoramento de email e telefone dos EUA. De acordo com o chanceler brasileiro, o grupo chegou à conclusão de que a espionagem é um tema que afeta a todos e é necessário pensar um marco no âmbito da ONU para a internet.

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Em relação à Alemanha, porém, o ministro brasileiro indicou que o chanceler Guido Westerwelle não apoiou diretamente a proposta brasileira. Segundo Figueiredo Machado, a Alemanha tem uma iniciativa no Conselho de Direitos Humanos sobre o direito à privacidade, com os dois países tendo discutido a possibilidade de juntar esforços nessa instância.

Em coletiva na quarta, Dilma afirmou acreditar que os EUA acabarão por responder as reivindicações brasileiras sobre o caso pelo fato de as relações serem estratégicas para ambos os países. Dilma lembrou que o Brasil quer um pedido de desculpas e a tomada de medidas para impedir a repetição da espionagem no futuro.

Há previsão de que Figueiredo Machado se reúna amanhã com o secretário de Estado americano, John Kerry. Questionado pelo iG sobre o que esperava do encontro perante o fato de que os EUA até agora não acataram as reivindicações brasileiras no caso, Figuereido rejeitou se manifestar e afirmou que a posição do Brasil já ficou definida no discurso de Dilma na terça.

Durante a coletiva, o chanceler brasileiro também falou sobre a perspectiva de o Irã e as potências internacionais retomarem negociações sobre o programa nuclear. Para Figueiredo Machado, os discursos do presidentes do Irã, Hassan Rouhani, e do americano Obama parecem mostrar boa vontade para que “o gelo se quebre”. Sobre um eventual papel brasileiro na questão, o ministro afirmou que o Brasil está disposto a ajudar no processo se houver interesse das partes envolvidas na negociação.

*Repórter viaja como bolsista da Dag Hammarskjöld Fellowship, da ONU

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