Farc paralisam negociação de paz após proposta de referendo na Colômbia

Por Reuters | - Atualizada às

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Guerrilha quer tempo para avaliar plano do governo de levar eventual acordo à votação popular no ano que vem

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Os rebeldes da guerrilha colombiana Farc anunciaram nesta sexta-feira que vão paralisar a participação nas negociações de paz com o governo por causa do projeto do presidente Juan Manuel Santos de realizar um referendo no ano que vem sobre um acordo de paz.

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Pablo Catatumbo, chefe do bloco ocidental das Farc (C), fala ao lado de Ricardo Tellez (E) e Ivan Marquez, chefe-negociador da guerrilha em Havana, Cuba

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As Forças Armadas Revolucionária da Colômbia (Farc) não revelaram quando vão retomar as negociações, que começaram em Cuba em novembro.

"A Delegação de Paz das Farc-EP decidiu fazer uma pausa na discussão para concentrar-se exclusivamente na análise dos alcances da proposta governamental", disse um comunicado lido pelo guerrilheiro e membro da equipe de negociação das Farc Pablo Catatumbo.

O presidente colombiano enviou na quinta-feira ao Poder Legislativo um projeto para que se submeta à consulta popular o eventual acordo de paz que busca com as Farc.

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As Farc e o governo de Santos até agora conseguiram um acordo parcial no tema agrário, que incluiu consensos no uso e distribuição da terra, um aspecto fundamental que levou ao surgimento do grupo rebelde na década de 1960.

Em um ato do governo na cidade de Quibdó, a capital do Departamento de Chocó, o presidente referiu-se à decisão da guerrilha de fazer uma pausa no diálogo, mas lembrou que o tempo e a paciência dos colombianos têm um limite.

"Entendi que a guerrilha lá em Havana disse que se levantou da mesa para estudar a proposta, o procedimento. Acho legitimamente válido que a estudem, mas o tempo passa, e a paciência do povo colombiano tem seus limites e temos de seguir avançando nas negociações", disse o presidente.

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Santos ressaltou a necessidade de impor mais velocidade à negociação, indicando seu interesse para que ela seja concluída o mais rapidamente possível.

O chefe da equipe de negociação do governo, ex-vice-presidente Humberto de la Calle, esclareceu que o projeto de lei não convoca um referendo nem determina o seu conteúdo, afirmando que a eventual realização deste ou de qualquer outro mecanismo depende do que as partes acordarem em Havana.

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"O governo continua à mesa de negociação, o diálogo continua, espera-se que o tempo que as Farc vão se dedicar ao estudo do projeto de lei seja breve para retomar logo as negociações", afirmou Street.

Assembleia Constituinte

Atualmente, as partes discutem as garantias para que os guerrilheiros entreguem as armas e se integrem à vida política como um partido. De acordo com a agenda acertada, ambas as partes depois deverão abordar o narcotráfico, a compensação às vítimas da violência e o fim do conflito que matou mais de 200 mil em mais de cinco décadas.

AP
Pneu é queimado em bloqueio de rua enquanto motociclistas e ciclista trafegam por rodovia em Ventaquemada, Colômbia, durante protesto de agricultores e caminhoneiros

Nos diálogos, a insurgência tem insistido em convocar uma Assembleia Nacional Constituinte para ratificar os eventuais acordos de paz, mas o governo rejeita a idea com o argumento de que não é o mecanismo adequado.

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"A Constituinte, convocada no contexto de um grande acordo político nacional, seria o caminho para alcançar um verdadeiro tratado de paz, justo e vinculante, que funde nossa reconciliação, direcione o destino da nação e a leve à democracia real", disse Catatumbo.

A pausa nas conversações acontece em meio a um protesto nacional, apoiado pela guerrilha, de milhares de agricultores colombianos contra o governo de Santos.

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O referendo, uma ideia apoiada pela coalizão do governo, seria realizado durante as eleições legislativas ou presidenciais de 2014. Atualmente, a lei colombiana proíbe realizar consultas paralelas às eleições.

Apesar de as Farc terem sido debilitadas por mais de uma década de ofensiva militar e contarem atualmente com cerca de 8 mil combatentes, comparados aos 17 mil que chegaram a ter no final da década de 1990, elas ainda mantêm a capacidade de realizar ataques de grande impacto contra as Forças Armadas e a infraestrutura econômica do país.

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