Obama se encontra com negociadores israelense e palestino

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Encontro privado aconteceu na Casa Branca; 1 ª rodada discute como diálogo deve proceder nos próximos meses

O presidente dos EUA, Barack Obama, delicadamente se inseriu nesta terça-feira na primeira rodada de negociações de paz do Oriente Médio em anos, reunindo-se privadamente na Casa Branca com os principais negociadores das delegações dos palestinos e de Israel.

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Apesar disso, a estratégia da Casa Branca continua a de manter Obama com uma abordagem mais afastada das negociações reais. A estratégia é em parte um voto de confiança no secretário de Estado americano, John Kerry, que tem adotado a difícil e emotiva questão com gosto desde que assumiu o cargo no governo, no início deste ano.

Ela também aponta para o cálculo feito pela Casa Branca de que a intervenção presidencial direta é melhor reservada para os estágios finais das negociações - se o processo chegar a esse ponto - ou para momentos de tensão, quando Obama pode ser convocado para manter as negociações no rumo.

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Aaron David Miller, um conselheiro de paz de longa data do Oriente Médio para presidente democratas e republicanos, apoiou a abordagem da Casa Branca. "Não se quer perder o capital político presidencial", disse Miller, agora vice-presidente do Centro Internacional Woodrow Wilson. "Mas, no fim, Obama terá de assumir isso em suas mãos se quiser ser bem-sucedido."

Os negociadores israelenses e palestinos chegaram a Washington na segunda para abrir as negociações, o primeiro grande esforço desde que o diálogo entrou em colapso em 2008. Uma tentativa de reabrir as conversações em 2010 desabou quase imediatamente. A nova rodada, que ocorre no Departamento de Estado, continuou nesta terça, com o objetivo de discutir como as negociações deveriam proceder nos próximos meses. Autoridades disseram que as partes concordaram em negociar por ao menos nove meses.

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Em uma declaração divulgada na segunda, Obama disse que as negociações marcavam um "promissor passo para frente", mas alertou que "o trabalho duro e escolhas difíceis estão adiante".

Assim como Obama, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente da Autoridade Palestina,Mahmud Abbas, não estão diretamente envolvidos na primeira rodada. Mas ambos têm estado profundamente engajados no processo em meses recentes, encontrando-se frequentemente com Kerry.

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O secretário de Estado e outros funcionários da administração repetidamente projetaram a retomada das negociações como um resultado direto da viagem de Obama a Israel e à Cisjordânia no início deste ano.

"Sem seu compromisso, sem suas conversas lá e sem seu engajamento na iniciativa, não estaríamos aqui hoje", disse Kerry na segunda antes de dirigir-se à Casa Branca para passar ao presidente as informações sobre a primeira rodada de negociações.

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Apesar disso, Obama, diferentemente de seus predecessores Bill Clinton (1993-2001) e George W. Bush (2001-2009), manteve-se à margem durante boa parte de seu governo e não transformou as negociações em sua principal prioridade. Há muito tempo ele expressa dúvidas sobre qual é o tamanho da influência que os EUA têm para levar as duas partes à mesa de negociações e alertou que a paz não pode ser alcançada se as autoridades americanas a querem mais que os israelenses e palestinos.

A própria tentativa problemática do presidente em dar início ao diálogo de paz em seu primeiro mandato também definiu sua posição.

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Obama chegou ao poder ansioso para pôr uma nova face na relação dos EUA com o Oriente Médio. Mas ele rapidamente irritou líderes israelenses ao pedir o fim da construção dos assentamentos e ao parecer não compreender os vínculos históricos do povo judeu com a região em um discurso no Cairo em 2009.

Tensões com Israel também aprofundaram quando o governo israelense anunciou novos assentamentos em Jerusalém Oriental durante uma visita do vice-presidente Joe Biden.

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Ainda assim, no outono de 2010, Obama foi capaz de amarrar uma nova rodada de negociações entre Netanyahu e Abbas. Todos os três líderes se reuniram na Casa Branca e anunciaram o diálogo com grande entusiasmo. Mas o esforço desmorou poucos dias depois.

Dennis Ross, que atuou como negociador de Obama na época, disse que o esforço fracassado foi uma boa lição para a Casa Branca. "Se você cria expectativas muito cedo, na verdade torna menos provável alcançar qualquer coisa", disse Ross, que deixou o governo em 2011.

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Depois do colapso das negociações em 2010, Obama gastou poucos esforços na questão israelo-palestina. Uma série de preocupações mais urgentes no Oriente Médio surgiram rapidamente, incluindo os protestos pró-democracia da Primavera Árabe e a guerra civil da Síria. A campanha de reeleição de Obama em 2012 também consumiu boa parte da atenção de seu governo, e seu relacionamento com Netanyahu deteriorou ainda mais quando o líder israelense quase anunciou seu apoio ao rival de Obama, Mitt Romney.

Então pareceu uma surpresa para muitos quando Obama anunciou no início deste ano que ele planejava fazer sua primeira visita a Israel e à Cisjordânia como presidente. Seus conselheiros estabeleceram baixas expectativas para a viagem altamente antecipada e deixaram claro já ali que Kerry, e não Obama, seria a força motriz em fazer os dois lados voltarem à mesa de negociações.

*Com AP

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