Justiça ordena que neto de Mandela devolva corpos de parentes a jazigo original

Por iG São Paulo |

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Corpos dos filhos do ex-presidente, exumados por Mandla Mandela, deverão ser enterrados novamente em Qunu

Um tribunal da África do Sul decidiu nesta quarta-feira (3) que Mandla Mandela, um dos netos de Nelson Mandela, terá que devolver os corpos dos três filhos do ex-presidente ao local original onde foram enterrados.

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AP
Um carro fúnebre escoltado pela polícia chega à casa de Mandla Mandela, neto do ex-presidente sul-Africano Nelson Mandela, em Mvezo

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O tribunal considerou Mandla Mandela culpado por mover os corpos de três filhos do ex-presidente sul-africano da cidade de Mandela, Qunu, para seu local de nascimento, Mvezo, localizada a 25 km de distância. A polícia do país invadiu a propriedade de Mandla nesta quarta-feira após a decisão da corte, para coletar os restos mortais em Mvezo.

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Os parentes alegaram que Mandla modificou o local onde jaziam os restos mortais sem conhecimento ou consentimento dos membros da família. O juiz disse que os corpos deveriam ser enterrados novamente na campa da família na tarde desta quarta-feira.

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Mandela tinha seis filhos - quatro mulheres e dois homens - com duas mulheres. Somente suas três filhas mais velhas ainda estão vivas. Mandla Mandela é o neto mais velho do ícone da luta antiapartheid.

Wandile Kuse, um professor aposentado especialista em estruturas familiares na África do Sul, disse que Mandla Mandela estava tentando se garantir em uma sociedade patriarcal, na qual as "mulheres têm um papel secundário". Mandla Mandela "parece considerar-se o único herdeiro masculino sobrevivente", disse Kuse.

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Os túmulos são de Makgatho Mandela, morto em 2005, pai de Mandla; Makaziwe Mandela, que morreu ainda criança em 1948; e o segundo filho de Mandela, Madiba Thembekile Mandela, morto em um acidente de carro em 1969.

Mandela, o ícone da luta antiapartheid que foi mantido na prisão por 27 anos durante o regime racista, continua em estado crítico no hospital nesta quarta-feira. Ele foi internado em 8 de junho com uma recorrente infecção pulmonar.

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O caso sobre os túmulos é somente uma parte de uma briga de família maior em relação aos milhões de dólares que Mandela deixará para trás, disse Charlene Smith, autora de uma biografia autorizada de Mandela.

"É uma questão de ganância, e todo mundo precisa estar consciente disso", disse Charlene, que escreveu três livros sobre o ex-presidente. "O período mais difícil da vida (de Mandela) não foi a prisão. Foi a democracia e a tentativa de lidar com sua família."

Com AP

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