Mandela é mantido vivo com ajuda de aparelhos, diz rede de TV CNN

Por iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Ícone antiapatheid está internado desde o dia 8 com uma infecção pulmonar; presidente cancela viagem ao exterior

O ícone antiapartheid Nelson Mandela é mantido vivo com a ajuda de aparelhos em um hospital em Pretória, informou nesta quarta-feira a rede americana CNN citando uma fonte identificada como uma autoridade que foi questionada sobre seu estado de saúde. A informação surgiu no mesmo dia em que o presidente do país, Jacob Zuma, cancelou uma viagem programada para Moçambique.

Oração: Arcebispo sul-africano pede 'fim pacífico' para Mandela

AP
Crianças e suas famílias seguram suas velas para mostrar apoio do lado de fora de hospital onde ex-presidente sul-africano está internado em Pretória

Terça: África do Sul planeja aniversário de Mandela

Entrevista: 'Apartheid deve ser perdoado, mas não esquecido'

Considerado o fundador da democracia sul-africana, Mandela, 94, está internado desde 8 de junho por causa de uma infecção pulmonar recorrente. Autoridades descrevem sua condição como crítica desde domingo, e Zuma disse mais cedo nesta quarta que sua condição não mudou, segundo a agência de notícias nacional do país.

"Enquanto ele continua em estado grave no hospital, devemos manter nossos pensamentos e orações para ele e sua família", disse em uma reunião com o sindicato de trabalhadores de saúde.

Os sul-africanos tem ido às centenas deixar bilhetes, flores e orações para Mandela em um muro que cerca o hospital de Pretória. Mensagens de melhoras, buquês e animais de pelúcia se amontoam no muro ao redor do complexo onde médicos tratam o ex-presidente sul-africano.

20 anos após eleições: Soweto reflete avanço da África do Sul

Uma parte do muro de tijolos foi coberta de bilhetes de homenagem por sua luta e sacrifício, incluindo os 27 anos passados em prisões do apartheid, que ajudaram a levar à primeira eleição multirracial em 1994.

"Sabemos que chegará o dia em que ele partirá, mas é tão difícil de aceitar", disse Patricia Ndiniza, de 53 anos, corretora de imóveis que deixou um bilhete desejando a Mandela uma pronta recuperação. "Ele é um pilar para todos nós. Ele é nosso pilar de paz e reconciliação", disse nesta quarta.

Crianças em idade escolar, grupos de orações, funcionários de escritórios, além de companheiros e partidários que seguiram Mandela na luta contra o apartheid, passam pelo hospital dia após dia, atravessando um corredor de jornalistas e cinegrafistas acampados em frente ao portão principal.

NYT: Disputa por Mandela transforma seu legado em troféu

Bilhetes que caíram foram substituídos por novos, alguns escritos com lápis de cor por crianças e outros por adultos expressando sua apreciação por Madiba, o nome do clã pelo qual Mandela é afetuosamente conhecido.

Os seguranças escoraram os animais de pelúcia e colocaram as flores na água, enfileirando-as ao longo da base do muro. "Deixei um buquê. Não foi muito porque era tudo o que eu podia dar", disse Tsepho Sibanyoni, que trabalha como motorista.

"Ele é como Jesus para mim. Ele tem uma mão de ouro. Mandela nunca se vingou de todos os que o perseguiram, em vez disso disse ‘vamos nos unir'", disse Sibanyoni, de 41 anos.

Viagem de Obama

No momento em que o país vive a incerteza em relação à saúde de Mandela, o presidente dos EUA, Barack Obama, partiu nesta quarta em uma viagem de oito dias para a África africano com o objetivo de reviver o compromisso dos EUA com o continente.

Abril: Mandela aparece frágil em primeira imagem na TV em nove meses

A viagem de Obama, sua segunda ao continente como presidente, o levará ao Senegal, África do Sul e Tanzânia. Enquanto o presidente espera destacar os temas de comércio e desenvolvimento econômico, sua visita definhará se o estado de Mandela piorar.

O Air Force One levou Obama, sua esposa, Michelle, e suas filhas Sasha e Malia, além da mãe da primeira-dama, Marian Robinson, e uma sobrinha de Obama, Leslie Robinson.

Os africanos têm um laço especial com Obama, o primeiro presidente negro dos EUA, e estavam impacientes para que ele fizesse uma visita prolongada ao continente. Os africanos também estão desapontados porque o governo Obama não se engajou com o continente da mesma forma que as administrações de George W. Bush e Bill Clinton.

Monumento: África do Sul relembra 50 anos da prisão de Mandela

Autoridades do governo dizem que a viagem é uma chance de colocar em movimento a relação. A primeira parada de Obama será no Senegal, onde ele visitará a Goree Island, local de um monumento aos africanos que foram enviados como escravos para as Américas.

Depois segue para a África do Sul, onde deve fazer um discurso esboçando sua política para a África na Universidade da Cidade do Cabo, onde Robert F. Kennedy fez seu famoso discurso em 1966 comparando a luta contra o apartheid na África do Sul à luta pelos direitos civis nos EUA.

O presidente também visitará a Robben Island, onde Mandela e outros presos políticos ficaram detidos, e visitará uma clínica de saúde.

A última parada de Obama será na Tanzânia, nação no Leste da África, onde ele participará de eventos com líderes empresariais e visitará uma usina de energia.

*Com Reuters

Leia tudo sobre: mandelaáfrica do sulapartheid

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas