Coreia do Norte sugere que países esvaziem embaixadas em Pyongyang

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Brasil recebeu oferecimento de apoio logístico do regime norte-coreano caso queira tirar seus cidadãos da capital; prazo para países entregarem plano de retirada é de cinco dias

A Coreia do Norte sugeriu nesta sexta-feira (5) que as embaixadas e as organizações internacionais presentes no país considerem retirar seu pessoal de Pyongyang, em meio ao aumento das tensões no país com o vizinho Coreia do Sul e com os EUA. Entre as embaixadas que receberam a notificação do governo estão o Brasil, o Reino Unido, a China e a Rússia.

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AP
Kim Jong-un, líder norte-coreano acena para militares em estádio em Pyongyang, Coreia do Norte (foto de arquivo)

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De acordo com o Itamaraty, Pyongyang ofereceu apoio logístico caso as representações estrangeiras localizadas na capital norte-coreana queriam transferir suas equipes para outra região ou outro país. A embaixada afirmou que está analisando a sugestão da Coreia do Norte e deve comunicar nos próximos dias se aceitará ou não auxílio para sair de Pyongyang. Por enquanto, a embaixada funciona normalmente.

Apenas seis cidadãos brasileiros vivem na Coreia do Norte atualmente, entre eles o embaixador Roberto Colin e sua família, a esposa do embaixador da Palestina e sua filha e um funcionário administrativo. A Embaixada do Brasil em Pyongyang foi aberta em 2009.

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O prazo imposto pela Coreia do Norte para que os países entreguem seus planos de retirada é 10 de abril. Nos termos da Convenção de Viena, que rege as missões diplomáticas, os governos anfitriões devem facilitar a saída do pessoal de embaixadas em caso de conflito.

A Embaixada do Reino Unido em Pyongyang informou ter recebido um comunicado do regime norte-coreano de que o governo "seria incapaz de garantir a segurança das embaixadas e organizações internacionais no país em caso de conflito".

Um porta-voz para a chancelaria britânica disse que seu governo estava considerando seu próximo passo na Coreia do Norte, mas qualificou a sugestão como mais uma de suas ameaças retóricas contra os EUA.

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O Ministério das Relações Exteriores da Rússia disse que a Coreia do Norte "propôs que o lado russo considerasse a retirada de funcionários", de acordo com Denis Samsonov, um porta-voz da embaixada em Pyongyang.

Uma reportagem da agência de notícias estatal chinesa Xinhua repercutiu o relatório russo, dizendo que Pyongyang pediu a embaixadas que considerem a retirada caso a situação se deteriore. A Coreia do Norte, governada por Kim Jong-un, não emitiu qualquer declaração oficial.

O chanceler da Rússia, Sergey Lavrov, diz que Moscou não entendeu por que a Coreia do Norte sugeriu que a Rússia e outros países retirassem seu pessoal de Pyongyang.

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Durante visita ao Usbequistão, Lavrov afirmou que estava em contato com a China, os EUA, o Japão e a Coreia do Sul para tentar entender a motivação do país. "Estamos muito perturbados com as tensões, que até agora são verbais. Queremos entender a causa dessa proposta", disse Lavrov, segundo agência estatal russa RIA-Novosti.

O pedido veio em meio a uma escalada militar dos Estados Unidos na Coreia do Sul, após os avisos da Coreia do Norte de que a guerra era inevitável por causa das sanções impostas pela ONU após um teste nuclear e o que chama de exercícios "hostis" de tropas dos EUA com a Coreia do Sul.

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Cerca de 20 países possuem embaixadas na Coreia do Norte. O porta-voz para a embaixada russa, Denis Samsonov, afirmou à imprensa local que a embaixada estava funcionando normalmente.

A Rússia tem subido o tom de sua retórica em relação à Coreia do Norte, conforme as tensões atingiram um nível mais elevado, com ameaças nucleares por parte de Pyongyang. O porta-voz da chancelaria russa Alexander Lukashevich criticou duramente a Coreia do Norte na quinta-feira por sua "negligência desafiante" em relação ao Conselho de Segurança da ONU .

Em comunicado emitido nesta sexta-feira após o pedido de retirada da embaixada, a chancelaria russa dizia que "estamos contando com a máxima restrição e compostura do todos os lados".

Com AP e Reuters

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