Coreia do Norte deslocou míssil para a costa, diz Coreia do Sul

Por iG São Paulo |

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Segundo ministro da Defesa em Seul, míssil tem alcance considerável; imagens de satélite mostram que Pyongyang deu início às construções para reativar reator de plutônio

A Coreia do Norte deslocou um míssil de "alcance considerável" para sua costa leste, informou o ministro da Defesa da Coreia do Sul nesta quinta-feira (4), acrescentando, entretanto, que não há sinais de que Pyongyang esteja se preparando para um conflito em larga escala.

O informe foi divulgado horas depois de o Exército norte-coreano ter alertado que autorizou um ataque aos EUA usando armas nucleares "menores, mais leves e diversificadas". Foi a ameaça mais recente contra os EUA nas últimas semanas. A referência a armas nucleares menores pode significar que Pyongyang aprimorou sua tecnologia nuclear. Ou pode ser um blefe.

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AP
Nesta foto de abril de 2012, Coreia do Norte exibe seus mísseis durante marcha militar em Pyongyang

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O ministro da Defesa sul-coreano Kim Kwan-jin disse que não conhecia a motivação para o deslocamento do míssil no Norte, e que poderia ter como objetivo a realização de "testes ou exercícios militares".

Ele descartou a possibilidade, levantada pela mídia japonesa, de que se tratava de um KN-08, míssil de longo alcance que, caso seja operado, poderia atingir os EUA. Kim afirmou a deputados durante um encontro do comitê parlamentar que o míssil tem "alcance considerável", mas não suficiente para atingir o território norte-americano.

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O alcance que ele descreveu pode se referir a um míssil móvel da Coreia do Norte conhecido como Musudan, que pode atingir um raio de 3 mil quilômetros. Esse alcance torna o Japão e a Coreia do Sul alvos potenciais - vem como bases americanas nos dois países - mas há dúvidas sobre a precisão deste míssil.

O Pentágono anunciou que posicionaria um sistema de defesa antimísseis em Guam, território americano no Pacífico, para fortalecer a proteção regional contra um possível ataque.

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Especialistas dizem que a Coreia do Norte não demonstrou possuir mísseis capazes de atingir um longo alcance com precisão. Alguns suspeitam que os mísseis de longo alcance exibidos por Pyongyang em uma marcha no ano passado eram, na verdade, maquetes.

"Pelo que sabemos do seu estoque existente, a Coreia do Norte tem mísseis de curto e médio alcance que poderiam complicar a situação da península coreana (e talvez alcançar o Japão), mas não vimos qualquer evidência de que o país tenha mísseis de longo alcance que possam alcançar o território dos EUA, Guam ou o Havaí", escreveu James Hardy, editor do semanário Jane's Defense Weekly.

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Kim Kwan-jin disse que se a Coreia do Norte estivesse se perparando para um conflito em larga escala, haveria sinais, incluindo a mobilização de um número de unidades, suprimentos e tropas, mas autoridades do Exército sul-coreano não perceberam nenhuma preparação neste sentido.

"(As ameaças recentes da Coreia do Norte) são retóricas. Eu acredito que a possibilidade de uma provocação em larga escala seja pequena", disse. Mas acrescentou que a Coreia do Norte pode realizar um ataque em pequena escala, como o bombardeio em 2010 de uma ilha sul-coreana que deixou quatro mortos.

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Pyongyang expressou ira acerca dos exercícios militares conjuntos entre os EUA e a Coreia do Sul e das sanções aprovadas pela ONU após seu terceiro teste nuclear, realizado em fevereiro.

Apesar de especialistas acreditarem que se trata apenas de retórica inflamada, Pyongyang já foi além das ameaças. Na terça-feira, anunciou que reativaria um reator de plutônio que foi fechado em 2007. Um instituto de pesquisa norte-americano disse na quarta-feira que imagens de satélite mostraram que as construções necessárias para a reativação já começaram.

Na quinta-feira, autoridades da fronteira norte-coreana impediram a entrada de funcionários sul-coreanos que trabalham na Kaesong, complexo industrial que funciona com a mão de obra norte-coreana e o know-how sul-coreano.

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Em comunicado divulgado também na quinta, um porta-voz do Exército Popular da Coreia disse que as tropas foram autorizadas a conter as "agressões" dos EUA com "poderosas práticas militares de neutralização", incluindo armas nucleares.

O texto dizia que a "política hostil" dos EUA e as "ameaças nucleares" contra a Coreia do Norte "serão esmagadas pela força de vontade de todo o serviço unido com meios nucleares menores, mais leves e diversificados".

O secretário de Defesa dos EUA Chuck Hagel disse em Washington que está fazendo tudo o que pode para acalmar a situação. "Algumas das ações que eles tomaram nas últimas semanas apresentam um perigo real e claro e uma ameaça" aos EUA e seis aliados, disse.

O ministro da Defesa sul-coreano disse que o Exército está preparado para lidar com qualquer provocação da Coreia do Norte. "Posso dizer que não temos nenhum problema em gerenciar crises."

No domingo, o líder norte-coreano Kim Jong-un vai liderar uma importante reunião das autoridades do seu partido que afirmaram que construir a economia e as "Forças Armadas nucleares" são as prioridades do país.

Com AP

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