Coreia do Norte diz que cortou contato militar direto com o Sul

Por iG São Paulo |

compartilhe

Tamanho do texto

Canal de diálogo é usado diariamente para registrar sul-coreanos que trabalham em complexo industrial de Seul no Norte; linha foi cortada pela última vez em 2009

Elevando o nível de tensão com a Coreia do Sul novamente, a Coreia do Norte anunciou nesta quarta-feira (27) que cortou o contato militar direto que era essencial na operação do último símbolo da cooperação inter-coreana: um complexo industrial no Norte em que centenas de funcionários são do sul.

O "canal de diálogo" é usado diariamente para registrar sul-coreanos que trabalham no projeto industrial Kaesong, onde 123 empresas sul-coreanas empregam mais de 50 mil norte-coreanos para produzir bens domésticos.

Mais: Coreia do Norte diz que colocou tropas em posição de combate contra os EUA

AP
Soldados sul-coreanos fazem fila no vilarejo de Pnmunjom, em Paju, Coreia do Sul

Quinta-feira: Coreia do Norte ameaça base dos EUA no Pacífico

Não se sabe ao certo ainda o que o corte da única linha oficial entre os governos que restava significará para os funcionários sul-coreanos que estão na Kaesong. Na última vez em que o contato foi cortado, em 2009, muitos sul-coreanos ficaram presos no Norte.

O fechamento da linha é a mais recente das muitas ameaças e provocações da Coreia do Norte, que está irritada com os treinos militares conjuntos dos EUA com a Coreia do Sul e com a quarta rodada de sanções aprovada pela ONU devido ao teste nuclear norte-coreano em 12 de fevereiro. Em comunicado anunciando o corte do contato, o Norte repetiu que a "guerra pode estourar a qualquer momento".

Assista: Coreia do Norte divulga vídeo com simulação de 'ataque' aos EUA

Fora da Coreia do Norte, as ações de Pyongyang são vistas em parte como um esforço para estimular as negociações diplomáticas para conseguir ajuda externa e para fortalecer a lealdade interna ao jovem líder Kim Jong-un.

Autoridades de Seul dizem que cerca de 750 sul-coreanos estão na Kaesong nesta quarta, e que as comunicações entre as duas Coreias estavam normais mais cedo, e os funcionários conseguiram ir e voltar para o parque industrial como previsto. Os trabalhadores da Kaesong poderiam também ser contatados diretamente pelo telefone da Coreia do Sul nesta quarta.

Reação: Coreia do Norte rejeita sanções da ONU e China pede diálogo

Um funcionário sul-coreano da Pyxis, empresa que produz caixas de joias na Kaesong, disse em entrevista por telefone que estava preocupado com a possibilidade de atraso na produção se a viagem entre fronteiras fosse banida de novo. "Isso dificulta o envio de novos produtos e a chegada de materias", disse.

O funcionário, que estava na Kaesong desde segunda-feira, disse que não estava com medo. "Está tudo bem. Eu já trabalhei e vivi sob tensão aqui por oito anos. Estou acostumado", disse.

A ação de Pyongyang foi anunciada em uma mensagem que o delegado-chefe norte-coreano para os diálogos militares entre Coreias enviou ao seu colega sul-coreano. O Ministério de Unificação em Seul caracterizou o movimento como "uma medida inútil para a operação segura do complexo Kaesong".

Decisão: EUA reforçarão defesa de mísseis contra a Coreia do Norte

A Coreia do Norte recentemente cortou o contato da Cruz Vermelha com a Coreia do Sul e outro com o comando da ONU liderado pelos EUA na fronteira entre as duas Coreias. O Ministério da Unificação disse que apenas três linhas telefônicas restaram entre o Norte e o Sul, e estas eram usadas somente para trocar informações sobre o tráfego aéreo.

A Kaesong é operada na Coreia do Norte com dinheiro e know-how sul-coreano e com a maioria da força de trabalho vinda do norte. A última vez que a Coreia do Norte cortou a linha Kaesong foi em 2009, como protesto aos ensaios militares conjuntos realizados pela Coreia do Sul e os EUA naquele ano.

Após ameaças: Coreia do Norte não pode cancelar armistício, diz Seul

A Coreia do Norte se recusou por muitas vezes deixar os funcionários sul-coreanos fazer seu trajeto do trabalho para casa, deixando centenas de trabalhadores presos na Coreia do Norte. O país restarou a linha e reabriu a travessia da fronteira uma semana depois, quando os treinamentos tinham terminado.

A Coreia do Norte tem levantado recentemente o tom de sua retórica, incluindo uma ameaça de lançar um ataque nuclear preventivo contra os EUA. Ontem, o país anunciou que havia colocado seus foguetes estratégicos e unidades de artilharia de longo alcance em "posição de combate" mirando as bases militares dos EUA em Guam, no Havaí e no continente americano.

Com AP

Leia tudo sobre: coreia do nortecoreia do sulseulpyongyang

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas