Braço da Al-Qaeda no Iraque assume responsabilidade por onda de ataques

Por iG São Paulo |

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Cerca de 20 atentados com carros-bomba e explosivos deixaram ao menos 60 mortos; segundo grupo islâmico, explosões foram vingança pelas execuções de prisioneiros sunitas

Um grupo afiliado a Al-Qaeda no Iraque reivindicou a responsabilidade pela onda de ataques de terça-feira, que deixou dezenas de mortos em Bagdá. Em comunicado publicado em sites de militantes, o Estado Islâmico do Iraque disse que os carros-bombas e outras explosões foram uma vingança pelas execuções e os "massacres" de prisioneiros sunitas condenados no Iraque.

A maioria dos cerca de 20 ataques de terça-feira, na véspera do 10º aniversário da invasão liderada pelos EUA no país, em 2003, teve como alvo regiões xiitas de Bagdá. Os ataques deixaram ao menos 60 mortos e mais de 200 feridos, o que reflete a perigosa divisão do Iraque mais de um ano após a retirada das tropas americanas.

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AP
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O comunicado da afiliada da Al-Qaeda fez um alerta ao governo xiita do país para que parasse de executar prisioneiros sunitas ou que "esperasse por mais eventos ruins...e mares de sangue".

"O que atingiu vocês na terça-feira foi apenas a primeira gota de chuva, e a primeira fase... dela, seguirão mais episódios de vingança."

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Nesta quarta-feira, a polícia informou que um carro-bomba explodiu no leste de Bagdá deixando dois mortos e ferindo outros quatro. Uma fonte médica do hospital próximo de onde ocorreu o atentado confirmou as mortes.

Episódios de violência têm se tornado cada vez mais comuns no Iraque desde que sunitas e xiitas quase levaram o país a uma guerra civil entre 2006 e 2007.

Insurgentes continuam a executar ataques mortais enquanto as rivalidades étnicas e sectárias vêm deteriorando a unidade nacional.

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Os ataques de terça também carregaram uma força simbólica com a chegada do dia em que, há dez anos, Washington liderou a invasão com uma campanha de bombardeios aéreos em 19 de março de 2003 - antes do amanhecer do dia seguinte no Iraque.

A ação militar rapidamente depôs Saddam Hussein, mas por anos abriu espaço para resistência de militantes e para ataques sectários entre sunitas e xiitas, deixando 4,5 mil americanos e 100 mil iraquianos mortos. Uma década depois, a estabilidade do Iraque e a força de sua democracia permanecem como questões em aberto.

O país está inquestionavelmente mais livre e mais democrático em comparação à era de Saddam Hussein. Mas o Iraque tem um governo comandado pelos xiitas muito mais próximo ao Irã que aos EUA e enfrenta a minoria sunita, que era dominante sob a liderança de Saddam.

Com AP e Reuters

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