Coreia do Norte não pode cancelar armistício, diz Seul

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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País afirma que não é legalmente possível que acordo que pôs fim ao conflito entre as duas Coreias seja anulado unilateralmente

A Coreia do Sul afirmou nesta terça-feira (12) que o vizinho Coreia do Norte não tem o poder de cancelar o armistício que pôs fim à Guerra da Coreia (1950-1953) e pediu que Pyongyang diminuísse o tom de sua retórica. De acordo com Seul, não é legalmente possível que o armistício seja cancelado a partir de uma ação unilateral.

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Kim Jong-un acena para militares durante visita à unidade de artilharia perto da fronteira na Coreia do Norte


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"Revogação ou recisão unilateral do acordo do armistício não é permitida de acordo com seus regulamentos ou de acordo com o direito internacional", afirmou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores Cho Tai-Young. Segundo ela, Seul vai "absolutamente manter o armistício bem como fortalecer as consultas e cooperação com os EUA e a China, que também são partes do armistício".

"Exigimos que a Coreia do Norte retire suas afirmações que ameaçam a estabilidade e a paz na península coreana e na região", acrescentou.

Mais ameaças: Coreia do Norte anula acordos de não agressão com o Sul

Assim como a ameaça relacionada ao armistício, a Coreia do Norte, nos últimos dias, disse que cortaria a linha direta de comunicação com Seul e anunciou a anulação de todos os pactos de não agressão com o país vizinho.

Pyongyang tem aumentado o tom de suas críticas e ameaças após a aprovação no Conselho de Segurança da ONU da quarta rodada de sanções em decorrência da realização do terceiro teste nuclear pelo país. Essa não é a primeira vez que a Coreia do Norte ameaça cancelar o armistício. O país adotou uma retórica similar após seu teste nuclear em 2009.

4ª rodada: ONU aprova novas sanções contra Coreia do Norte após teste nuclear

Advertência: Coreia do Norte ameaça realizar ataque nuclear preventivo contra os EUA

Irritado com exercícios militares conjuntos entre a Coreia do Sul e os EUA e com as recentes sanções, a Coreia do Norte fez ameaça sobre ameaça, incluindo promessas de lançar um ataque nuclear contra os EUA. A advertência, porém, foi considerada retórica pelos analistas, uma vez que o Norte não tem capacidade militar para atingir os EUA. Apesar disso, Seul também aumentou o tom em suas respostas e pôs suas tropas em alto alerta.

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Alerta: Coreia do Norte ameaça deixar armistício se EUA mantiverem exercícios militares

Manobras militares de 11 dias começaram na segunda e envolvem 10 mil soldados sul-coreanos e cerca de 3 mil americanos. Elas coincidem com dois meses de exercícios de campo separados dos EUA e da Coreia do Sul que tiveram início no dia 1º. Segundo a Coreia do Norte, os exercícios seriam uma plataforma de lançamento dos EUA para uma guerra nuclear.

Também estão em andamento exercícios norte-coreanos em larga escala que, segundo Seul, envolvem o Exércio, a Marinha e a Força Aérea. Mas de acordo com o Ministério de Defesa da Coreia do Sul, nenhuma das atividades militares é suspeita.

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Parte do que o regime de Pyongyang quer é um tratado de paz formal para pôr fim à Guerra da Coreia, já que o armistício deixa a Península Coreana tecnicamente em estado de guerra. O país também quer garantias de segurança e outras concessões, negociações diretas com Washington, reconhecimento como um Estado nuclear e a retirada de 28,5 mil soldados americanos que estão posicionados na Coreia do Sul.

Com informações da BBC e da AP

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