Coreia do Norte anula armistício com Coreia do Sul, diz jornal

Por iG São Paulo |

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Regime de Pyongyang havia ameaçado cancelar documento no dia 5, mas não fez nenhum anúncio formal nesta segunda; linha de comunicação da Cruz Vermelha é fechada

A Coreia do Norte anulou nesta segunda-feira o armistício de 60 anos que pôs fim à Guerra da Coreia (1950-1953), anunciou o principal jornal do país, Rodong Sinmum. O regime de Pyongyang havia ameaçado cancelar o armistício na terça-feira, mas não fez nenhum anúncio formal sobre a questão nesta segunda.

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AP
Soldados sul-coreanos fazem patrulha ao longo de cerca de arame farpado perto de vila fronteiriça de Paju na manhã desta terça-feira

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Irritado com exercícios militares conjuntos entre a Coreia do Sul e os EUA e com as recentes sanções da ONU em retaliação a seu terceiro teste nuclear, a Coreia do Norte fez ameaça sobre ameaça, incluindo promessas de lançar um ataque nuclear contra os EUA. A advertência, porém, foi considerado retórica pelos analistas, uma vez que o Norte não tem capacidade militar para atingir os EUA. Apesar disso, Seul também aumentou o tom em suas respostas e pôs suas tropas em alto alerta.

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O Norte cumpriu outra promessa nesta segunda, fechando uma linha direta da Cruz Vermelha que usava com o Sul, com quem não mantém relações diplomáticas, para comunicação geral e para discutir embarques assistenciais e reuniões de famílias que ficaram separadas entre os dois países. "Ligamos às 9 horas e não houve resposta", disse um funcionário do governo da Coreia do Sul. A linha é testada diariamente.

O governo norte-coreano também ameaçou cortar uma linha direta com as forças da ONU na Coreia do Sul, na "aldeia de trégua" de Pammunjom, na fronteira. Entre outras ameaças feitas na semana passada, a Coreia do Sul alertou o Sul disse que cancelou pactos de não agressão.

Manobras militares de 11 dias começaram nesta segunda e envolvem 10 mil soldados sul-coreanos e cerca de 3 mil americanos. Elas coincidem com dois meses de exercícios de campo separados dos EUA e da Coreia do Sul que tiveram início no dia 1º. Segundo a Coreia do Norte, os exercícios seriam uma plataforma de lançamento dos EUA para uma guerra nuclear.

Também estão em andamento exercícios norte-coreanos em larga escala que, segundo Seul, envolvem o Exércio, a Marinha e a Força Aérea. Mas de acordo com o Ministério de Defesa da Coreia do Sul, nenhuma das atividades militares é suspeita.

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Durante outros momentos de tensão passados, o regime de Pyongyang ameaçou várias vezes anular o armistício e, em 1996, enviou centenas de soldados a uma vila de fronteira. As tropas posteriormente recuaram.

Mas apesar das tensões elevadas, havia uma normalidade nesta segunda. As duas Coreias continuam a manter em funcionamento dois canais de comunicação entre as autoridades militares e de aviação.

Uma dessas linhas foi usada nesta segunda para dar a centenas de sul-coreanos aprovação para entrar no Norte para trabalhar. Seus empregos são o único símbolo operacional da cooperação entre Norte e Sul: o complexo industrial de Kaesong, que funciona na Coreia do Norte com dinheiro e knowhow da Coreia do Sul e tendo norte-coreanos como maior parte de sua mão de obra.

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Segundo analistas, grande parte da belicosidade norte-coreana tem o objetivo de reforçar a lealdade dos cidadãos e do Exército em relação ao jovem líder do país, Kim Jong-un.

Parte do que o regime de Pyongyang quer é um tratado de paz formal para pôr fim à Guerra da Coreia, já que o armistício deixa a Península Coreana tecnicamente em estado de guerra. O país também quer garantias de segurança e outras concessões, negociações diretas com Washington, reconhecimento como um Estado nuclear e a retirada de 28,5 mil soldados americanos que estão posicionados na Coreia do Sul.

*Com AP e Reuters

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