Coreia do Norte anula acordos de não agressão com o Sul

Por iG São Paulo |

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Anúncio ocorre horas depois da aprovação de uma nova rodada de sanções contra o país na ONU; China pede calma na península e Coreia do Sul sobe o tom contra o país vizinho

A Coreia do Norte anunciou nesta sexta-feira (8) que está anulando todos os acordos de não agressão que possui com a Coreia do Sul. O comunicado foi divulgado horas depois de a ONU ter aprovado uma quarta rodada de sanções contra Pyongyang, em resposta ao seu terceiro teste nuclear.

4ª rodada: ONU aprova novas sanções contra Coreia do Norte após teste nuclear

AP
Soldados do Exército sul-coreano circulam em tanques durante exercícios perto da zona desmilitarizada de Panmunjom em Jeokseong, Coreia do Sul

Advertência: Coreia do Norte ameaça realizar ataque nuclear preventivo contra os EUA

Antes, a Coreia do Norte afirmou que se sentia no direito de realizar um ataque nuclear preventivo contra seus inimigos e ameaçou cancelar o armistício que pôs fim à Guerra da Coreia (1973), caso os EUA mantivessem os exercícios militares conjuntos com a Coreia do SUL. Em resposta, os EUA afirmaram que essa "retórica extremada" é comum no regime de Pyongyang.

Maior aliado da Coreia do Norte, a China pediu para que os dois países da península mantivessem a calma e continuassem dialogando. Pequim raramente critica seu aliado, mas, desta vez, condenou os testes nucleares e apoiou as sanções aprovadas na ONU.

Dia 12 de fevereiro: Coreia do Norte desafia ONU e realiza 3º teste nuclear

A presidente recém-eleita na Coreia do Sul, Park Geun-hye disse que a situação de segurança atual era "muito grave", mas que ela "lidaria com firmeza" diante de qualquer provocação da Coreia do Norte. Ela também afirmou que estava preparada para dialogar com Pyongyang se o país "quiser estar no caminho da mudança".

O anúncio do governo norte-coreano, trazido pela agência estatal KCNA, disse que o Norte estava candelando todos os pactos de não-agressão com o Sul e fechando sua principal fronteira. As duas Coreias fizeram diversos acordos nos últimos anos, incluindo um pacto em 1991 para resolver disputas e evitar conflitos militares, mas a Coreia do Norte não especificou exatamente quais tratados estavam sendo cancelados.

Alerta: Coreia do Norte ameaça deixar armistício se EUA mantiverem exercícios militares

O comunicado também destacou que o "telefone vermelho" - linha direta de comunicação entre as duas Coreias - estava cortado, acrescentando que "não temos nada para conversar com o grupo de fantoches traidores".

O "telefone vermelho", instalado em 1971, tem como função servir como uma linha direta de comunicação em tempos de tensão, mas também é usado para coordenar a passagem de pessoas e produtos pela zona desmilitarizada.

Análise: O que motiva a corrida armamentista da Coreia do Norte?

A Coreia do Norte já violou acordos anteriormente, portanto o anúncio não significa, necessariamente, guerra. Entretanto, o cancelamento do "telefone vermelho" pode deixar os dois países mais predispostos a mal-entendidos.

O porta voz do ministro da Defesa sul-coreano alertou que em resposta a qualquer provocação do Norte, a Coreia do Sul tornaria "imediatamente" os exercícios militares com os EUA frequentes. Ele acrescentou que se Pyongyang atacar o sul com armas nucleares, o regime do líder Kim Jong-un será "apagado da Terra".

Os EUA, principal foco da ira norte-coreana, disse que era capaz de se proteger e proteger seus aliados de quaisquer ataques. "Eu repito aqui que somos completamente capazes de defender os EUA. Mas eu também quero dizer que esse tipo de retórica extremada não é incomum nesse regime, infelizmente."

Com informações da BBC

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