Em seu último dia como pontífice, quando renuncia às 16 horas em Castel Gandolfo, Bento 16 faz despedida comovente e pede união dos 'príncipes' durante conclave para sua sucessão

O papa Bento 16 prometeu "obediência incondicional e irreversível" ao seu sucessor em suas palavras finais proferidas aos cardeais nesta quinta-feira (28), uma despedida comovente antes de se tornar o primeiro papa em quase  600 anos a renunciar .

Com a afirmação, o pontífice tentou neutralizar preocupações sobre possíveis conflitos que possam surgir por causa da situação tão particular - a existência de um "papa emérito" durante a governança de um papa.

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Papa Bento 16 faz discurso em encontro com cardeais no Vaticano no dia de sua renúncia
Reprodução/Vatican Player
Papa Bento 16 faz discurso em encontro com cardeais no Vaticano no dia de sua renúncia

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Em um discurso inesperado, Bento 16 também deu instruções finais aos "príncipes" da Igreja, responsáveis por eleger seu sucessor no conclave , pedindo-lhes união durante a difícil tarefa de escolher o 266º líder de 1,2 bilhão de católicos no mundo. "Que o Colégio de Cardeais funcione como uma orquestra, na qual a diversidade - expressão da Igreja universal - sempre trabalhe em direção a um acordo mais harmonioso", disse.

Sua afirmação foi vista como uma referência clara às divisões internas cada vez mais profundas que vieram à tona nos últimos meses, após o vazamento de documentos do Vaticano , que expuseram lutas de poder e acusações de corrupção dentro da Santa Sé.

O papa compareceu ao encontro de cardeais vestindo sua capa de veludo carmesim e usando uma bengala e despediu-se de seus assessores mais próximos, com os cardeais curvando-se para beijar o seu anel papal pela última vez.

Ele disse que rezaria pelos cardeais nos próximos dias, quando eles começarem a escolher seu sucessor. "Entre vocês está também o futuro papa, a quem eu prometo minha reverência e obediência incondicionais", disse Bento 16 ao final da audiência.

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Papa Bento 16 faz discurso em ocasião do encontro de despedida com os cardeais, no Vaticano
AP
Papa Bento 16 faz discurso em ocasião do encontro de despedida com os cardeais, no Vaticano

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A decisão de Bento 16 de viver no Vaticano após sua renúncia e o fato de que será chamado de "papa emérito" e de "Sua Santidade" e vestirá a batina branca associada ao papado aprofundaram as preocupações sobre a influência que ele poderia exercer no próximo pontificado.

Mas Bento 16 tentou afastar essas preocupações dizendo que, uma vez que renunciasse,  ficaria "escondido do mundo" . Em seu discurso final ao público na Praça de São Pedro na quarta, ele afirmou que não estava voltando à sua vida particular, mas, em vez disso, a uma nova forma de serviços à Igreja por meio da oração.

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Às 17 horas de Roma (13h de Brasília), Bento 16 deixou o palácio pela última vez como pontífice e se encaminhou ao heliponto no topo da montanha nos jardins do Vaticano, de onde se dirigiu para o retiro papal em Castel Gandolfo, no sul de Roma.

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Lá, às 20h de Roma (16h de Brasília), Bento 16 se tornará o primeiro pontífice em quase seis séculos a renunciar. As portas do palácio serão fechadas, e a Guarda Suíça, que acompanha o papa, sai de posição e fica fora de serviço. Entre sexta e segunda-feira, os cardeais devem se reunir para marcar a data do conclave.

A decisão de Bento 16 foi saudada e entendida pela maioria. Cardeais, autoridades do Vaticano e católicos se uniram em torno dele em reconhecimento de seu estado frágil e da necessidade da Igreja por um líder mais forte.

Mas o Cardeal de Sidney, George Pell, provocou um desconforto ao falar abertamente que a renúncia foi um "pouco desestabilizadora" para a Igreja. Em entrevista à rádio australiana ABC, Pell afirmou que Bento 16 tinha de reconhecer que se tratava de uma mudança na tradição. Na quarta, o papa afirmou que sua decisão não era grave, mas apenas uma "novidade".

Com AP

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