Veja quem são os cardeais mais cotados para ser o novo papa

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Conheça os religiosos considerados os mais prováveis sucessores de Bento 16 no mais alto posto da hierarquia da Igreja Católica

Cardeais de todo o mundo se reúnem nesta semana no conclave para eleger um novo papa, seguindo a renúncia de Bento 16. No mundo secreto do Vaticano, não há maneiras de saber quem está na disputa e a história já reservou muitas surpresas. Ainda assim, alguns nomes têm sido citados diversas vezes por várias fontes como fortes candidatos.

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Veja os nomes mais cotados:

AP
Cardeal Angelo Scola, da Itália, celebra uma missa na Igreja Apostolica de Roma (10/3/2013)

Angelo Scola, arcebispo de Milão

Scola é visto como a melhor chance da Itália recuperar o papado, após dois pontífices seguidos vindos de outros países. Ele também é um dos principais candidatos entre todos os elegíveis. Scola, 71 anos, comandou a Catedral de Milão como arcebispo e a Catedral de São Marcos em Veneza como patriarca, duas igrejas extremamente prestigiadas que, juntas, já deram ao mundo cinco papas durante o século 20.

'Favorito': Italiano Scola adapta discurso para atrair jovens à Igreja 

O arcebispo já era cotado ao pontificado quando Bento 16 foi eleito há oito anos. Sua promoção para Milão, a maior e mais influente diocese italiana, foi vista como um sinal de seu favoritismo. Ele é conhecido por ser bastante severo e conservador em relação à doutrina, mas ao mesmo tempo por ter facilidade em se comunicar com a juventude - chegando a citar Jack Kerouac e Cormac McCarthy em seus pronunciamentos. 

Filho de um motorista de caminhão e de uma dona de casa, Scola nasceu em 1945 na Lombardia. Ordenado em 1970, é doutor em filosofia e teologia e foi professor do Instituto João Paulo 2º para Estudos sobre Casamento e Família Tornou-se bispo de Grosseto em 1991, patriarca de Veneza em 2002, arcebispo de Milão em 2002 e cardeal um ano depois. Fundou um grupo chamado Oasis, para melhorar os contatos e o diálogo entre cristãos e muçulmanos.

Reuters
O cardeal de São Paulo dom Odilo Scherer durante missa realizada em Roma (10/3)

Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo

Scherer é conhecido por ser um frequente atualizador de sua página no Twitter, por suas aparições em programas de TV populares e por usar o metrô como meio de transporte. Ele é a melhor chance brasileira de eleger um papa e seu nome vem se fortalecendo como um dos principais cotados.

Perfil: Cotado para papa, brasileiro Scherer mescla modernidade e tradição

Relativamente jovem, aos 63 anos, ele abraça com entusiasmo novos métodos para atingir fiéis, enquanto se mantém, ao mesmo tempo, em uma linha conservadora da doutrina católica e possui posições consideradas como "linha-dura" em temas como a união civil entre duas pessoas do mesmo sexo. Scherer entrou no Twitter em 2011 e em sua segunda mensagem disse: "Se Jesus pregasse o evangelho hoje, usaria a imprensa, a rádio a TV, a internet e o Twitter. Dê a Ele uma chance!" Scherer se tornou arcebispo de São Paulo em 2007 e foi nomeado cardeal mais tarde no mesmo ano.

Suas raízes familiares alemãs e o período trabalhando na cúria do Vaticano lhe dão ligações importantes com a Europa, o maior bloco de votação. A imprensa italiana diz que ele goza de apoio entre os cardeais da cúria contrários a Scola. Porém, o rápido crescimento das igrejas evangélicas no Brasil pode pesar contra ele.

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Marc Ouellet, cardeal do Canadá, tem posições de prestígio dentro do Vaticano (foto de arquivo)

Marc Ouellet, cardeal do Canadá

O canadense Ouellet disse uma vez que se tornar papa "seria um pesadelo". Ele sabia do que estava falando, uma vez que possuía a confiança dos dois papas anteriores e era considerado uma grande figura dos bastidores do Vaticano. Sua alta posição como prefeito da Congregação para os Bispos do Vaticano, suas inclinações conservadoras, seus anos na Colômbia e seu trabalho em Roma como presidente de uma importante comissão para a América Latina fazem dele um favorito para ser o primeiro papa das Américas.

Saiba mais: Veja o especial do iG sobre o conclave 

Mas as qualidades que fazem o cardeal de 68 anos popular na América Latina - que abriga a maior população católica do mundo - e entre os cardeais que elegem o papa contribuiram para que ele ganhasse a antipatia em Quebec, onde, ironicamente, ele foi considerado durante seu tempo como arcebispo como um pária que caiu de pára-quedas de Roma para reordenar sua província liberal através de ideias conservadoras. Estudou na Universidade de Laval, no Grande Seminário de Montreal e na Universidade de Montreal antes de ser ordenado, em 1968. É tido como próximo a Bento 16.

AP
Cardeal Peter Erdo, da Hungria, celebra missa em Roma (10/3/2013)

Peter Erdo, cardeal da Hungria 

Erdo é filho de um casal profundamente religioso que desafiaram a repressão comunista na Hungria para praticar sua fé. E se eleito papa, Peter Erdo, 60 anos, seria o segundo pontífice vindo do leste europeu - seguindo os passos de João Paulo 2º, polonês que deixou um grande legado e ajudou a derrubar o comunismo.

Cardeal desde 2003, Erdo é um especialista em lei canônica e formado em teologia por universidades renomadas. Ele também é conhecido por forjar laços estreitos com os fiéis da paróquia. Ele também é um pioneiro na iniciativa de "Nova Evangelização" para reavivar a fé católica na Europa. Erdo é cada vez mais visto como um candidato forte caso a maioria europeia do conclave não eleger um italiano, mas relutar em aceitar um papa de fora do continente.

Reprodução
Peter Turkson, cardeal de Gana, é bastante popular no oeste africano (foto de arquivo)

Peter Turkson, cardeal de Gana

Tido geralmente como a consciência social da Igreja, Turkson é visto por muitos como o principal candidato africano para o papado. Aos 64 anos, o presidente do Pontifício Conselho por Justiça e Paz foi muito elogiado por ajudar a evitar a violência seguida das manipuladas eleições em Gana. 

Ele lutou de forma agressiva contra a pobreza africana, mas é contrário à distribuição de camisinhas pelo Estado. Sua reputação como um homem da paz foi prejudicada recentemente, quando ele mostrou um vídeo anti-islâmico durante um pronunciamento, o que deve minar suas chances de assumir o pontificado. Segundo observadores, essas chances ficaram ainda mais distantes quando ele disse, um dia depois da renúncia de Bento 16, que estava preparado para o trabalho "se fosse essa a vontade de Deus". 

Estudou e lecionou em Nova York e Roma antes de se tornar padre, em 1975. Poliglota, fala fante, uma das línguas de Gana, inglês, francês, italiano, alemão, entre outras, além de entender latim e grego.

AP
O cardeal Timothy Dolan acena para jornalistas ao deixar a Igreja de Santa Maria de Guadalupe após celebrar a missa em Roma (10/3/2013)

Timothy Dolan, arcebispo de Nova York

Dolan, 63 anos, é um otimista e afável defensor da ortodoxia católia e uma figura religiosa muito conhecida nos EUA. Ele possui uma função descrita pelo papa João Paulo 2º como "arcebispo da capital do mundo". Seus colegas quebraram o protocolo em 2010 e o fizeram presidente da Conferência dos Bispos dos EUA, em vez de elevar o então vice-presidente como o esperado.

Durante a eleição presidencial de 2012 no país, republicanos e democratas competiam para saber qual das duas convenções políticas o cardeal abençoaria. Ele abençoou as duas. Mas especialistas se questionam se seu carisma e sua experiência são suficientes para fazer dele um sucessor de Bento 16.

Apesar disso, seu humor e dinamismo agradam a muitos no Vaticano, onde essas são qualidades em falta, e atraem cardeais que querem alguém que seja tão bom administrador quanto pregador. Mas há quem se oponha a ele por temer que faça uma limpeza rigorosa demais na cúria.

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O cardeal argentino Leonardo Sandri comparece ao Vaticano para participar de reuniões pré-conclave (4/3/2013)

Leonardo Sandri, cardeal da Argentina

Leonardo Sandri, 69 anos, é um cardeal participante das operações diárias da vasta burocracia do Vaticano e percorreu o mundo como um diplomata do pontificado. Ele deixou a Argentina e foi para Roma aos 27 anos e nunca retornou à sua terra natal. Inicialmente estudante de direito canônico, ele alcançou a posição de número 3 na hierarquia da Igreja durante o papado de João Paulo 2º (1978 - 2005) - o auge de uma longa carreira na diplomacia do Vaticano que o levou a lugares como a África, o México e Washington. 

Como secretário de estado substituto por sete anos, ele essencialmente foi o chefe de gabinete do papa. Com sua experiência, costuma ser visto mais como um candidato ideal ao cargo de secretário de Estado, principal posição abaixo do papa, mas não como pontífice propriamente dito. Não tem experiência pastoral, e seu atual cargo na cúria (prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais) não é uma posição de poder na hierarquia católica.

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Cardeal filipino Luis Antonio Tagle posa para foto depois de ter sido nomeado em 24 de novembro de 2012

Luis Tagle, arcebispo de Manila

O mais proeminente líder da Igreja Católica na Ásia sabe como atingir as massas: ele canta no altar, prega na TV e leva os fiéis aos risos e as lágrimas em suas homílias. E está no Facebook. Mas a melhor resposta do cardeal filipino de 55 anos contra o secularismo, os casos de abusos sexuais e o avanço de outras igrejas pode ser sua reputação humilde. Sua compaixão pelos pobres e seu jeito depretensioso impressionou muitos fiéis em sua terra natal, nação com maior número de católicos na Ásia. 

Ele se aproximou de Bento 16 quando ambos trabalharam juntos numa comissão teológica do Vaticano. As chances de Tagle são consideradas remotas, uma vez que muitos acreditam que um papa latino-americano ou africano seria uma escolha mais lógica se a decisão fosse ter um pontífice de fora da Europa.

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Christoph Schöenborn é um cardeal da Áustria e um dos cotatos para suceder Bento 16 (foto de arquivo)

Christoph Schöenborn, cardeal da Áustria

Schöenborn é um conservador mais maleável que está disposto a ouvir os defensores das reformas na Igreja. Esse perfil pode agradar os cardeais que gostariam que o próximo papa tivesse apelo para a maior parte dos mais de 1 bilhão de católicos no mundo. Sua nacionalidade talvez seja a maior desvantagem: eleitores podem relutar em escolher outro falante de alemão como sucessor de Bento 16.

Aluno de Joseph Ratzinger, se tornou arcebispo de Viena após um escândalo de abuso sexual. Pregador poliglota, critica a forma como o Vaticano lida com a crise, e apoia reformas cautelosas, inclusive para demonstrar mais respeito a católicos homossexuais. Isso, junto a uma forte resistência ao seu nome por parte de padres austríacos, pode afetar suas chances junto aos conservadores.

AP
Gianfranco Ravasi, é cardeal da Itália e visto como um dos favoritos (foto de arquivo)

Gianfranco Ravasi, cardeal da Itália

Ravasi, o ministro da Cultura do Vaticano, é um erudito com um toque moderno - apenas a combinação que alguns fiéis veem como ideal para a Igreja superar os escândalos sexuais e de corrupção em que a instituição se envolveu.

Aos 70 anos, é também um dos favoritos entre os católicos que há muito desejam o retorno da tradição, com a eleição de um italiano. 

Poliglota, seus discursos fazem referências que vão de Aristóteles à cantora britânica Amy Winehouse, morta em 2011. Sua habilidade com línguas é notável: Ele escreve no Twitter em inglês, conversa em italiano e já impressionou seu público por misturar hebraico e árabe em alguns discursos.

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