Crise de reféns deixa dezenas de estrangeiros desaparecidos na Argélia

Por iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Agência diz que governo resgatou mais de 650 em operação, em que 32 estrangeiros ainda estão desaparecidos. Contagem preliminar indica 12 reféns mortos

Uma operação militar para combater militantes que invadiram um campo de gás natural na desértica região sul da Argélia, e fizeram vários reféns na quarta-feira, deixou ao menos 32 estrangeiros desaparecidos - que poderiam estar mortos, escondidos na área desértica ou ainda sob domínio dos sequestradores.

Quinta: Argélia lança operação para resgatar reféns de militantes em campo de gás

AP
Foto de 19/04/2005 mostra campo de gás de Ain Amenas na Argélia, onde militantes islâmicos fizeram reféns em 16 de janeiro de 2013

Hoje: Crise de reféns na Argélia continua; número de mortos não está claro

Apesar de na quinta o governo argelino ter afirmado que a operação havia acabado, os governos britânico e francês afirmaram nesta sexta que a ação militar ainda continua. Segundo uma rádio estatal da Argélia, as forças especiais ainda cercam uma parte do campo de gás de Ain Amenas, que é operado pela estatal de petróleo da Argélia, Sonatrach, juntamente com a petrolífera britânica BP e a norueguesa Statoil.

Nesta sexta, a APS, a agência de notícias estatal da Argélia, disse que uma "contagem provisória" indica que 12 reféns, incluindo argelinos e estrangeiros, morreram desde o início da operação. Segundo a agência, há 18 militantes mortos. Antes dessa informação, a APS indicava um total de seis mortes: quatro na operação de quinta, sendo dois britânicos e dois filipinos, e duas no ataque inicial ao complexo na quarta, sendo um britânico e um argelino.

Previamente nesta quinta, a APS indicou que a ação militar resgatou mais de 650 reféns, dos quais 573 são argelinos e "quase cem" são estrangeiros. Como a própria agência afirmou que 132 estrangeiros eram mantidos em cativeiro desde quarta, o número de resgatados indicaria que ao menos 32 ainda estão desaparecidos. Não está claro como o governo argelino chegou ao número de 132 reféns estrangeiros, que é muito maior do que os 41 apontados inicialmente pelos sequestradores.

Os militantes justificaram o ataque ao complexo de Ain Amenas, no Saara perto da fronteira com a Líbia, como uma retaliação à Argélia por permitir que a França use seu espaço aéreo para lançar ataques contra grupos rebeldes vinculados à Al-Qaeda no norte do Mali.

Terrorismo: Al-Qaeda esculpe em cavernas e no subterrâneo seu próprio país no Mali

À Agência de Informação Nouakchott, rede de notícias da Mauritânia que divulga informações de grupos extremistas vinculados à Al-Qaeda, militantes disseram na quinta que helicópteros do Exército atacaram o local na quinta, matando 35 estrangeiros e 15 sequestradores. O porta-voz do Katibat Moulathamine ("Brigada Mascarada"), grupo fundado por um importante membro da Al-Qaeda no Norte da África, afirmou que Abou El Baraa, líder dos sequestradores, estava entre os mortos. A informação ainda não foi confirmada oficialmente. 

Operação de quinta

Com o drama dos reféns chegando a seu segundo dia na quinta, as forças argelinas resolveram atuar, primeiramente com disparos de helicóptero e depois com forças especiais, de acordo com diplomatas, um site relacionado aos militantes e uma autoridade de segurança da Argélia. À TV argelina, o ministro de Comunicações da Argélia, Mohamed Said Belaid, disse na quinta que o Exército foi forçado a agir porque os militantes rejeitaram se entregar e tentaram fugir do país com os reféns.

Saiba mais: Leia todas as notícias sobre a crise de reféns na Argélia 

Citando o Ministério de Relações Exteriores da Irlanda, a rede de TV BBC disse que um irlandês foi solto e falou com sua família, mas não está claro se ele foi libertado pela operação argelina.

Já os EUA, segundo a ABC News, afirmaram que cinco americanos foram recuperados e deixaram o país, enquanto o Japão afirmou que três de seus cidadãos estão livres, mas 14 permanecem desaparecidos. Há informações ainda não confirmadas de que alguns funcionários da refinaria conseguiram escapar antes da ação militar argelina.

Os militantes - liderados pelo braço da Al-Qaeda no Mali, conhecido como "Brigada Mascarada" - sofreram baixas na ofensiva militar de quinta, mas conseguiram uma audiência global.

É difícil confirmar de forma independente as informações porque é extremamente complicado chegar à localidade remota, que foi cercada por forças de segurança argelinas - que, como os militantes, estão inclinadas a fazer propaganda de seus sucessos e atenuar seus fracassos.

Análise: Terrorismo em Mali deixa França sem saída fácil de conflito

AP
Imagem de satélite de 8/10/2012 mostra campo de gás de Amenas, que foi atacado por terroristas na Argélia

O ministro do Interior argelino disse que os sequestradores operam sob as ordens de Mokhtar Belmokhtar, um graduado comandante da Al-Qaeda no Magreb Islâmico desde o fim do ano passado, quando ele montou seu próprio grupo armado depois de aparentemente ter se indisposto com outros líderes.

*Com BBC e AP

Leia tudo sobre: argéliaain amenasterrorismoal qaeda

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas