Dezenas de milhares marcam posse simbólica de Chávez nas ruas de Caracas

Por AP | - Atualizada às

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Reunida do lado de fora de Palácio Miraflores, multidão gritou 'Todos somos Chávez', no que pode ser primeiro capítulo de movimento chavista sem a presença de líder venezuelano

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Nada até agora havia mostrado de forma tão clara quanto Hugo Chávez se agarra ao poder quanto sua ausência em sua própria cerimônia de posse nesta quinta-feira. A Venezuela reuniu aliados do exterior e dezenas de milhares de partidários para celebrar o início do quarto mandato do presidente venezuelano, que está muito doente em Cuba para poder voltar para casa e fazer o juramento ao cargo.

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Partidário do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, segura faixa com seu retrato durante manifestação em Caracas

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De muitas formas, pareceu o tipo de comício que o líder protagonizou várias vezes durante seus 14 anos no poder. A face do presidente apareceu em camisetas, placas e faixas. Partidários fervorosos dançaram e cantaram as músicas que saíam de caixas de som posicionadas em caminhões. Quase todos vestiram vermelho, a cor do movimento da Revolução Bolivariana.

Mas, dessa vez, não havia nenhum Chávez no balcão no Palácio de Miraflores.

Essa foi a primeira vez na história da Venezuela que um presidente perdeu sua posse, disse o historiador Elias Pino Iturrieta. Em relação à simbólica manifestação de rua, Pino afirmou: "Talvez esse seja o primeiro capítulo do que eles chamam de Chavismo sem Chávez."

Apesar disso, muitos na multidão do lado de fora do palácio presidencial insistiram que Chávez ainda estava presente em seus corações, testemunhando seu sucesso em forjar um forte senso de identidade com milhões de venezuelanos pobres.

A multidão gritou: "Todos somos Chávez!" Alguns usaram recortes de papel da amarela, azul e vermelha faixa presidencial para mostrar que simbolicamente assumiam o cargo eles mesmos, no lugar de Chávez.

"Um período histórico desta segunda década do século 21 está começando, com nosso comandante na liderança", disse o vice-presidente Nicolás Maduro, apontado por Chávez como seu sucessor.

O líder venezuelano, normalmente no centro da atenção nacional, está tão doente depois de sua quarta cirurgia relativa a um câncer que não fez nenhuma declaração televisiva em mais de um mês e não apareceu em uma única foto. Autoridades não especificaram que tipo de câncer ele tem ou em qual hospital é tratado.

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Ainda assim, a oposição, que se recupera de duas derrotas eleitorais, parece impotente para efetivamente desafiá-lo, e críticos veem sua impotência na batalha sobre a posse como um exemplo de quanto o presidente pode ignorar a Constituição.

Apesar das alegações da oposição de que a Constituição exige uma posse em 10 de janeiro, a Assembleia Nacional chavista prorrogou a cerimônia, e a Suprema Corte endossou essa decisão na quarta, dizendo que ele poderia assumir o quarto mandato perante essa corte em uma outra data.

A parlamentar opositora Maria Corina Machado classificou essas medidas de "um golpe bem planejado contra a Constituição venezuelana" e ecoou as suspeitas de outros críticos de que aliados estrangeiros estão influenciando eventos no país: "Isso tem sido dirigido de Cuba, por cubanos", disse.

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Reuters
Pôster do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anexado à imagem de Jesus é visto durante manifestação do lado de fora do Palácio de Miraflores em Caracas

Líderes da oposição convocaram protestos para 23 de janeiro, o aniversário da última ditadura do país em 1958. Mas não está claro quanto apoio as reclamações da oposição podem atrair em meio a um jorro de simpatia pública pelo líder doente, e com vizinhos latino-americanos apoiando a posição do governo ou relutantes em se intrometer nas questões domésticas do país.

O governo convidou líderes estrangeiros para acrescentar um peso político ao evento desta quinta. os presidente do Uruguai, Jose Mujica, da Bolívia, Evo Morales, e da Nicarágua, Daniel Ortega, compareceram.

Muitos disseram que mantinham a esperança de que o presidente possa voltar eventualmente vivo para a Venezuela, embora reconheçam que parece que ele enfrenta uma batalha difícil. "Viemos para mostrar apoio, para que ele saiba que sua nação está com ele", disse Anny Marquez, uma secretária e voluntária de uma milícia civil que Chávez montou em anos recentes. "Estamos com ele nos momentos bons ou ruins."

Mas enquanto alguns projetaram a confiança na resiliência do movimento socialista, alguns reconheceram a possibilidade de mudanças futuras. "Infelizmente Chávez não pode estar conosco hoje", disse o professor Marcelo Villegas. "Mas nós, o povo, representamos Chávez. Ele é e sempre será nosso líder."

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