França e Reino Unido convocam embaixadores de Israel para explicações

Medida é protesto contra construção de 3 mil novas casas na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, anunciada após vitória palestina na ONU

iG São Paulo |

O Reino Unido, a França e a Suécia convocaram embaixadores israelenses nesta segunda-feira, em protesto à decisão de Israel de aprovar a construção de 3 mil novas casas na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental. O anúncio sobre os assentamentos foi feito na sexta-feira, um dia depois de a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) ter reconhecido de forma implícita um Estado palestino ao elevar o status da Autoridade Palestina de "entidade observadora" para " Estado observador não-membro " - ação rejeitada por Israel e EUA.

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AP
Palestinos celebram vitória em votação da ONU em Ramallah, na Cisjordânia (02/12)

As novas construções provocaram críticas da comunidade internacional porque Jerusalém Oriental e Cisjordânia, juntamente com a Faixa de Gaza, foram conquistados por Israel durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967, e são reivindicadas pelos palestinos para seu futuro Estado. Apesar de ter-se retirado de Gaza em 2005, Israel ainda controla a maioria dos acessos ao enclave.

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O embaixador de Israel em Paris, Yossi Gal, foi convocado para uma reunião nesta segunda-feira pelo ministério francês das Relações Exteriores. A França, que foi a primeira potência a apoiar o pedido palestino na ONU, também enviou uma carta ao governo israelense dizendo que a decisão sobre os assentamentos é um "obstáculo considerável para a solução de dois Estados".

Em Londres, o embaixador israelense no Reino Unido, Daniel Taub, foi convocado para uma reunião com o secretário de Estado para o Oriente Médio, Alistair Burt, na qual será questionado sobre o projeto. O governo britânico se absteve na votação da ONU.

A Suécia também fez a convocação e a Alemanha afirmou que a decisão de Israel atrapalha a capacidade de negociação para um acordo de paz, mas nenhum país europeu ameaçou tomar medidas concretas para punir o governo israelense. 

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, disse que não voltará à mesa de negociações enquanto Israel continuar expandindo assentamentos na terra conquistada durante o conflito. Atualmente, 500 mil israelenses vivem na Cisjordânia e Jerusalém Oriental, borrando as divisas de 67.

Além de uma suspensão parcial de dez meses que terminou em setembro de 2010 e fracassou em possibilitar negociações de paz sustentáveis, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, recusou-se a congelar a construção dos assentamentos.

De acordo com o jornal israelense Haaretz, algumas das novas unidades serão entre Jerusalém e o assentamento de Maaleh Adumim. Planos para construir colônias na área, conhecida como E1, são fortemente combatidos pelos palestinos, que dizem que elas cortarão a Cisjordânia em duas, evitando a criação de um Estado palestino contínuo.

Em novembro de 2011, após a concessão do status de membro da Unesco à Palestina, Israel também acelerou a construção nas colônias da Cisjordânia ocupada.

Palestino morto

Autoridades israelenses disseram que um palestino foi morto nesta segunda-feira após bater seu carro contra um jipe do Exército israelense na região ocupada da Cisjordânia. Depois da colisão, o motorista atacou oficiais de inteligência que estavam no veículo com um machado.

Dois passageiros do jipe ficaram feridos no incidente, que a polícia afirmou ter ocorrido em uma rua do lado de fora do assentamento judaico de Shavei Shomron, oeste da cidade palestina de Nablus.

Testemunhas palestinas identificaram o homem morto como Hatem Shadid, do vilarejo de Alar. As testemunhas disseram que após os veículos colidirem, Shadid aproximou-se dos israelenses, que estavam feridos por causa do acidente, acertando um na cabeça e o outro no ombro com o objeto cortante que estava carregando. Então, um dos israelenses atirou e o matou.

Com AP e AFP

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