Número de mortos em conflito entre Israel e palestinos passa de 100

Entre palestinos mortos estão 56 civis; Israel segue com ofensiva contra Faixa de Gaza apesar de pressão internacional, enquanto líder do Hamas rejeita demanda israelense

iG São Paulo | - Atualizada às

O número de palestinos mortos no sexto dia da ofensiva de Israel contra a Faixa de Gaza chegou a 109 nesta segunda-feira, informaram fontes oficiais à agência Associated Press. Do lado de Israel, três civis morreram por um foguete na quinta-feira . De acordo com Ashraf al-Kidra, um funcionário da Saúde em Gaza, dentre os palestinos mortos, 56 eram civis, enquanto os feridos somam 840, incluindo 225 crianças. Há dezenas de feridos também em Israel em decorrência do ataque de quinta.

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AP
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Somente nesta segunda-feira, 38 palestinos foram mortos. Aviões israelenses continuaram bombardeando áreas povoadas no enclave palestino controlado pelo grupo islâmico Hamas e mataram um militante graduado da Jihad Islâmica da Palestina em um centro de mídia.

A pressão internacional por um fim no conflito no território se intensificou também nesta segunda-feira com um telefonema do presidente dos EUA, Barack Obama, para o presidente do Egito, Mohamed Mursi, para discutir maneiras de acalmar os ânimos em Gaza. Obama ressaltou a "necessidade do Hamas cessar os disparos de foguetes contra Israel", segundo informou a Casa Branca em comunicado.

Durante o telefonema, Obama demonstrou pesar pela perda de vidas em ambos os lados, assim como fez em outra ligação ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Obama fez os telefonemas do Camboja, onde participa da reunião de líderes da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean).

Violência

Em uma escalada de sua campanha de bombardeios, Israel começou no domingo a atacar casas de ativistas do Hamas. No domingo, um único ataque matou ao menos 11 civis , em sua maioria mulheres e crianças de uma mesma família.

Do lado de Israel, os combatentes do Hamas dispararam mais de mil foguetes, incluindo 95 nesta segunda-feira. Um deles atingiu uma escola vazia na cidade de Ashkelon, na costa.

O porta-voz da polícia israelense Micky Rosenfeld afirmou que 29 foguetes foram interceptados pelo sistema de defesa antimísseis, enquanto outros caíram em áreas como Beersheva, Ashdod, Ashkelon, provocando destruição em algumas regiões. Escolas localizadas ao sul de Israel foram fechadas com o início da ofensiva na quarta-feira, e agentes da polícia foram posicionados em áreas com maior propensão a sofrer ataques.

A violência na região se intensificou na quarta, após a morte do comandante militar do Hamas, Ahmed Jabari , em um ataque aéreo israelense. Israel afirma que a morte de Jabari e o bombardeio a Gaza são respostas aos disparos de foguetes por militantes palestinos contra seu território.

Ataques de Israel

Nesta segunda-feira, um ataque aéreo de Israel contra um prédio na cidade de Gaza matou Ramez Harb, uma figura importante no braço militar da Jihad Islâmica da Palestina, a Brigada Al-Quds, informou o grupo em uma mensagem de texto enviada a jornalistas. O prédio, ocupado por grupos de mídia locais e de fora do país, também foi atacado no domingo . Um pedestre foi morto no novo ataque, segundo médicos.

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A Jihad Islâmica da Palestina, um grupo menor e aliado ao Hamas, afirmou que Harb deveria ser o alvo do bombardeio. Israel matou dezenas de militantes procurados em bombardeios estratégicos nesta ofensiva.

Antes do amanhecer desta segunda-feira, um míssil atingiu uma casa de três andares na região de Zeitoun, na Faixa de Gaza, danificando várias casas vizinhas. Moradores escalavam os destroços em busca de pertences em meio aos restos de metais retorcidos e blocos de cimento no meio da rua.

O ataque deixou três adultos e um menino de 2 anos de idade mortos, além de ter ferido 42, informou al-Kidra. Segundo residentes, Israel enviou o primeiro alerta de ataque por volta das 2h do horário local, fazendo com que muitos moradores deixassem suas casas. Minutos depois, os bombardeios tiveram início.

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'Quem começou a guerra deve terminá-la'

O líder exilado do Hamas, Khaled Meshaal, disse que o grupo islâmico não quer uma escalada da violência ou atrair tropas israelenses para uma incursão terrestre na Faixa de Gaza, mas que, se Israel quiser uma trégua, precisará iniciar um cessar-fogo, porque "começou a guerra" . "Quem começou a guerra deve terminá-la", disse.

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Em uma coletiva no Cairo, no Egito, onde ocorrem negociações para tentar alcançar o fim das hostilidades, Meshaal rejeitou as demandas de Israel de que o grupo pare de lançar foguetes contra o território israelense.

Em vez disso, afirmou, Israel deve atender os pedidos do Hamas de levantar o bloqueio imposto a Gaza desde que o Hamas assumiu o controle do território, em 2007.

"Não somos contra a calma (a trégua), mas existem demandas específicas. Em resumo, que a brutalidade e a agressão israelense parem e o cerco a Gaza seja suspenso", disse.

Meshaal afirmou que Gaza está "inabalável perante as máquinas de destruição de Israel". "Quem quer que ataque a Palestina será morto e enterrado", acrescentou. "É um momento difícil, mas é um momento glorioso na história da população palestina."

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Segundo CNN, o Hamas deu nesta segunda suas condições para um cessar-fogo tendo como intermediário uma autoridade do Egito. Uma delegação especial israelense recebeu a carta no Cairo do chefe de inteligência Mohamed Shehata, disse um general egípcio à rede de TV americana. "Estamos otimistas com as negociações até esse momento", afirmou.

Ainda não há detalhes sobre os termos das condições nem uma confirmação imediata da existência da carta por Israel.

Pressão internacional

A intensificação dos bombardeios israelenses no fim de semana aumenta a pressão internacional por um acordo de cessar-fogo entre Israel e Hamas . O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, foi ao Cairo, no Egito, para participar de negociações lideradas pelo governo egípcio para um possível acordo.

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Na noite do domingo, Ban pediu que os dois lados interrompam imediatamente a violência. O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou no domingo que Israel estava pronto para "expandir" a operação em Gaza.

Israel aprovou no fim de semana a convocação de até 75 mil reservistas , aumentando os rumores sobre uma possível invasão terrestre a Gaza. Até esta segunda-feira, 31 mil reservistas já haviam sido efetivamente convocados - quase o triplo do número de reservistas incorporados ao Exército durante o conflito de 2008-2009, quando o Exército israelense invadiu a Faixa de Gaza.

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O Egito tenta implementar um cessar-fogo com a ajuda da Turquia e do Catar. O chanceler turco Ahmet Davutoglu e uma delegação de chanceleres árabes devem chegar a Gaza na terça-feira para discutir um acordo. Uma autoridade egípcia afirmou à AP que o Hamas e Israel estavam apresentando suas condições de cessar-fogo para o Egito.

"Eu espero que pelo final do dia, nós recebamos um sinalização final do que poderá ser alcançado", disse. Ele acrescentou que Israel e Hamas estão tentando obter garantias que assegurem um fim às hostilidades.

Com BBC, AP e Reuters

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