Presidente, que pode governar até 2019, elogia oposição por não contestar sua vitória e pede que Deus lhe dê 'vida e saúde'

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez , que foi  reeleito para um novo mandato de seis anos , comemorou neste domingo sua vitória na eleição e elogiou a oposição por não contestá-la. O líder enfrentou o retorno de um câncer neste ano.

"Foi uma batalha perfeita. Graças a Deus e graças à consciência de nosso povo não houve nenhum acontecimento hoje (domingo) para lamentar, nada que manchasse a batalha perfeita e a vitória da Venezuela", disse Chávez, diante de uma multidão de partidários reunidos na frente do "balcão do povo" do Palácio de Miraflores, em Caracas. "Foi um dia memorável, por isso desde o mais profundo do meu coração agradeço e peço a Deus que me dê vida e saúde."

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Hugo Chávez acena aos eleitores e comemora reeleição no Palácio de Miraflores
Reuters
Hugo Chávez acena aos eleitores e comemora reeleição no Palácio de Miraflores

Segundo o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Chávez obteve 54,42% dos votos, enquanto seu principal adversário, Henrique Capriles , conquistou 44,97%. Com isso, ele pode permanecer no poder até 2019, quando deve totalizar 20 anos na presidência.

Chávez, de 58 anos, felicitou a oposição por reconhecer "a verdade" de sua vitória e fez um convite ao diálogo. "Felicito o dirigente opositor (Capriles) porque reconheceu a verdade, reconheceu a vitória do povo", disse, acrescentando que os opositores não se prestaram "aos planos desestabilizadores" de alguns.

"Faço um apelo a todos para que forneçamos o melhor de cada para que, com nossas diferenças, com nossos conflitos, ponhamos acima o interesse de nossa pátria e contribuamos para fortalecer a cada dia mais a Venezuela", declarou. Segundo Chávez, seu novo governo começa "hoje mesmo" e ele será "cada dia um presidente melhor".

Chávez afirmou que a sua é a vitória da América Latina. "Hoje ganhou América Latina, o Caribe, os povos de nossa América ganharam com a vitória do povo venezuelano", disse. "Demos uma lição ao mundo do que é a Venezuela, do que é o povo venezuelano."

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Após reconhecer a derrota nas eleições, Capriles se dirigiu ao país em uma entrevista coletiva. "Quero saudar a todos, saudar todos os venezuelados, todo o nosso povo em todos os cantos da Venezuela. Esta manhã disse que para saber ganhar é necessário saber perder", disse.

O candidato derrotado também agradeceu "profundamente" aos seus mais de 6 milhões de eleitores que agora sentem-se tristes. "Nós começamos a construir um caminho", completou. "Nosso tempo chegará."

Capriles enviou ainda uma mensagem na qual parabeniza o presidente Hugo Chávez: "Há um país que tem duas visões e ser um bom presidente significa trabalhar para a união de todos os venezuelanos", sugeriu.

Na opinião do analista político Luis Vicente León, da consultoria Datanalisis, apesar de a vitória ser inferior à porcentagem de votos obtida por Chávez em 2006 (62,8%), é "suficientemente ampla" para consolidar seu projeto socialista.

"Chávez tende a capitalizar (sua eleição) para alcançar uma vitória maior nas eleições (para governadores) em dezembro e (para prefeitos) em abril", disse.

Na avaliação do analista político Carlos Romero, o desafio de Chávez para o próximo mandato é cumprir seu chamado à "reconciliação" e convocar a oposição para governar. "Há setores da classe média, do empresariado e da oposição que estariam dispostos a participar da vida política venezuelana se forem convidados pelo governo", afirmou.

Com BBC Brasil e EFE

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