Venezuelanos vão às urnas em mais dura eleição para Chávez

No poder há quase 14 anos, presidente da Venezuela aposta suas fichas em carisma e programas sociais para vencer jovem opositor Henrique Capriles

iG São Paulo |

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, enfrenta a mais dura eleição de seus quase 14 anos de governo neste domingo, quando eleitores de todo o país vão às urnas numa votação que opõe o carisma e popularidade do líder contra as promessas do jovem opositor Henrique Capriles por mais empregos, segurança e igualdade.

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Chávez, 58 anos, enfrentou o retorno de um câncer este ano e quer um novo mandato de seis anos para consolidar sua autodenominada revolução socialista na nação integrante da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

Capriles, um jovem governador de 40 anos, correu uma maratona de oito meses de campanha com visitas casa a casa que mobilizou a oposição historicamente fraturada e estabeleceu sua melhor chance de conquistar a presidência desde a eleição de Chávez em 1998.

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AP
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e seu rival na eleição, Henrique Capriles (fotos de arquivo)

Uma derrota de Chávez retiraria do poder o grande líder do sentimento anti-americano na América Latina, enquanto potencialmente aumentaria o acesso das empresas petrolíferas às maiores reservas mundiais de petróleo. Já uma vitória permitiria a Chávez continuar a onda de nacionalizações e consolidar o controle sobre a economia.

Ex-militar que sobreviveu a um breve golpe contra seu governo em 2002, Chávez desenvolveu uma espécie de culto ao redor de si mesmo após se lançar como uma reencarnação messiânica do herói da libertação do século 19 Simon Bolívar, enquanto colocava bilhões de dólares em receitas de petróleo em programas sociais .

A maioria das pesquisas coloca Chávez à frente. Mas duas apontam vantagem de Capriles, e cujos índices têm subido nas outras.

Laços emocionais

As histórias de Chávez sobre sua infância pobre, mas feliz, em uma pequena cidade ajudaram a criar intensos vínculos emocionais com os venezuelanos pobres, que o veem como um membro da família. Por quase uma década, ele conquistou eleitores com clínicas de saúde gratuitas, alimentos subsidiados e novas universidades.

Ao longo do ano passado, ele lançou programas para dar pensões aos idosos, ajuda financeira a mães pobres, e dezenas de milhares de novas casas foram entregues na televisão ao vivo para adeptos cheios de lágrimas.

Contudo, os problemas o dia a dia estão ofuscando o fervor ideológico. Nacionalizações têm enfraquecido a iniciativa privada e dado aos integrantes do partido controle crescente sobre empregos. A fraca aplicação da lei, tribunais disfuncionais e armas em excesso tornaram a Venezuela mais violenta do que alguns países devastados pela guerra. Blecautes frequentes são um lembrete desagradável da renda do petróleo desperdiçada.

"Cada um de vocês deve fazer uma lista dos problemas que possui e se perguntar, quantos desses problemas esta revolução famosa resolveu para você?", afirmou Capriles em um comício recente.

Graduado em direito e amigo dos empresários, ele ganhou facilmente uma eleição primária da oposição em fevereiro e uniu os partidos anti-Chávez como ninguém antes dele.

Capriles prometeu romper com a visão doutrinária de Chávez de uma economia liderada pelo Estado e optar por um equilíbrio pragmático entre o bem-estar social e a livre iniciativa. Ele se considera um admirador da esquerda do Brasil, favorável ao mercado, que elevou quase 35 milhões de pessoas para a classe média ao longo de uma década.

Com Reuters

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