Declaração é feita antes de reunião do Mercosul que deve discutir punições contra país em resposta a impeachment relâmpago; novo presidente permitirá visita de Mercosul e OEA

Fernando Lugo , presidente cassado do Paraguai, rejeitou nesta quarta-feira a imposição de sanções internacionais contra seu país em retaliação pela sua destituição no Senado na sexta-feira de 22 de junho.

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Fernando Lugo, presidente cassado do Paraguai, fala com jornalistas dentro de carro na sede do partido País Solidário, em Assunção
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Fernando Lugo, presidente cassado do Paraguai, fala com jornalistas dentro de carro na sede do partido País Solidário, em Assunção

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Alguns dos vizinhos do país sul-americano, incluindo Brasil e Argentina, condenaram o rápido processo de impeachment de Lugo e devem discutir possível sanções contra o Paraguai durante um encontro do Mercosul entre quinta e sexta-feira na cidade argentina de Mendoza. Mas Lugo disse que sanções ou quaisquer tentativas de isolar o país "acabariam prejudicando os paraguaios".

"O presidente Lugo e seu governo da mudança não apoiam qualquer ação para punir o país economicamente", disse o ex-líder em um comunicado.

Na terça-feira, Lugo disse que não participaria da reunião do Mercosul , após ter afirmado previamente que compareceria ao encontro. Ele acabou mudando de ideia depois que o novo chanceler do Paraguai lhe alertou que poderia enfrentar repercussões legais se tentasse representar o país na cúpula.

Os membros do Mercosul proibiram o sucessor de Lugo , o ex-vice-presidente Federico Franco, de comparecer ao evento.

Também nesta quarta-feira, Franco disse que seu novo governo permitiria que representantes do Mercosul e da Organização dos Estados Americanos (OEA) visitem o país. "Podem vir quando quiserem e não encontrarão um único cidadão traumatizado", disse em uma coletiva. "A vida está normal."

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Franco afirmou que, apesar das duras posições de alguns países, "não tenho nada contra o Brasil ou a Argentina, porque temos relações muito boas com esses dois gigantes regionais".

As declarações foram feitas no dia em que o novo presidente visitou líderes militares na sua qualidade de comandante-chefe das Forças Armadas e  apresentou seu plano de governo ao Congresso em busca de apoio financeiro para os próximos 14 meses de gestão. Franco, um médico liberal, pretende cumprir o restante do mandato de Lugo, até agosto de 2013.

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O Congresso tem pendente a aprovação de crédito por parte de organizações internacionais para quase US$ 400 milhões considerados vitais para financiar o Orçamento de 2012 e estimular a economia, que este ano deve se contrair 1,5%, segundo dados oficiais.

Brasil foi um dos sete países latino-americanos que convocaram seus embaixadores para consultas depois do impeachment de Lugo. Em uma reunião da OEA na terça-feira em Washington D.C., Nicarágua, Venezuela, Bolívia e Equador apresentaram uma resolução defendendo suspender o Paraguai do organismo, mas fracassaram em conseguir apoio de outras nações.

Novo presidente do Paraguai, Federico Franco, gesticula durante apresentação de seu novo governo ao Congresso em Assunção
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Novo presidente do Paraguai, Federico Franco, gesticula durante apresentação de seu novo governo ao Congresso em Assunção

O Congresso do Paraguai destituiu Lugo em um procedimento relâmpago desencadeado por confrontos mortais entre policiais e sem-terra. O Senado o considerou culpado de "mau desempenho de suas funções", citando uma cláusula na Constituição que dá ampla margem para interpretação legislativa.

Manifestações pró-Lugo foram feitas durante o processo de impeachment, mas se esvaziaram amplamente depois que o líder cassado deixou o palácio presidencial.

*Com AP e Reuters

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