Segundo autoridades, ao menos 18 rebeldes e oito militares foram mortos na Província de Hakkari, que faz fronteira com o norte do Iraque

Os rebeldes curdos atacaram com morteiros e granadas nesta terça-feira as unidades militares do governo turco no sudeste do país. Segundo autoridades, ao menos 18 rebeldes e oito soldados foram mortos nos confrontos que se seguiram ao ataque.

A ação aconteceu na região de Daglica, na Província Hakkari, que faz fornteira com o norte do Iraque. De acordo com a agência de notícias Associated Press, que conversou com oficiais do gabinete do governo no local, 16 soldados turcos ficaram feridos no ataque. Funcionários do alto escalão das Forças Armadas e ministros foram até o local do incidente para avaliar a situação.

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Tropas turcas patrulham região de Hakkari, no sudeste do país (2011)
AFP
Tropas turcas patrulham região de Hakkari, no sudeste do país (2011)

Turquia: Governo confirma que ataque matou civis curdos, e não rebeldes

Um ataque rebelde similar lançado na mesma região no final de 2007, que deixou 12 soldados turcos mortos, desencadeou uma operação de oito dias com incursões militares turcas no território iraquiano em fevereiro de 2008. Os rebeldes costumam usar o norte do Iraque como base para lançar ataques contra as tropas da Turquia.

O grupo rebelde, organizado em torno do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), luta por autonomia no sudeste turco. Centenas foram mortos desde que a facção resolveu se armar em 1984.

O ataque desta terça-feira ocorre em meio a esforços do governo em tentar se reconciliar com a minoria curda, garantindo uma série de direitos culturais. O premiê Recep Tayyip Erdogan recentemente anunciou planos para introduzir aulas de curdo nas escolas, após permitir que o idioma fosse falado em programas de televisão, institutos e cursos privados.

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A Turquia, entretanto, recusa-se a conceder as principais demandas dos ativistas curdos, rebeldes e políticos, de controlar uma educação curda à parte do resto do país, temendo que isso divida a nação em ainda mais minorias étnicas. A população curda é estimada em 20% da Turquia, que tem 75 milhões de habitantes.

Faruk Bal, vice-presidente de um partido nacionalista da oposição, afirmou à emissora TRT que o partido não vai unir forças na busca de uma solução política para o conflito, porque é contrário a dar concessões ao grupo rebelde, considerado uma organização terrorista pelos EUA e pela União Europeia.

"A violência de hoje só mostra que não importa o quando você dê, eles vão pediu por mais enquanto estiverem com armas em punho", disse Bal.

Com AP

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