Obama declara apoio ao casamento gay

Após pressão, líder põe fim a meses de ambiguidade em relação a tema potencialmente explosivo em ano eleitoral

iG São Paulo |

O presidente dos EUA, Barack Obama, defendeu nesta quarta-feira o direito de pessoas do mesmo sexo se casarem, revertendo sua posição sobre a questão e pondo fim a meses de ambiguidade sobre um tema potencialmente explosivo em ano eleitoral . "Afirmo que casais do mesmo sexo deveriam poder se casar", disse em uma entrevista ao "Good Morning America", da rede ABC News, tornando-se o primeiro presidente americano a assumir essa posição publicamente.

Opinião: Cresce pressão para que Obama esclareça posição sobre casamento gay

AP
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, discursa durante jantar em Washington (08/05)

A declaração foi feita após o líder americano enfrentar crescente pressão sobre a questão depois de seu vice-presidente e seu secretário de Educação terem se declarado favoráveis às uniões entre pessoas do mesmo sexo. Na entrevista, Obama disse ter concluído que é importante para ele declarar essa convicção pessoal. 

Obama afirmou que alcançou essa conclusão depois de debater a questão com membros de sua equipe, com funcionários gays e lésbicas e com sua própria família durante anos. Segundo ele, os EUA estão cada vez mais confortáveis em relação ao casamento gay, citando como exemplo a opinião de suas próprias filhas sobre o assunto.

“É interessante, porque parte disso (dessa discussão) é também geracional", disse. “Malia e Sasha (filhas) têm amigos cujos pais são casais homossexuais. Houve momentos em que eu e Michelle conversamos com elas durante o jantar, e expressaram seu desconforto com a possibilidade de os pais de seus amigos serem tratados de forma diferente. Isso não faz sentido para elas e, francamente, esse é o tipo de coisa que estimula uma mudança de perspectiva.”

Ele também mencionou os militares homossexuais que, apesar do fim de uma lei que os obrigava a esconder sua orientação sexual sob pena de exclusão, sentem-se "limitados (...) porque não podem se unir em matrimônio".

Além disso, o presidente afirmou que havia conversado com estudantes republicanos que, mesmo manifestado suas divergências em relação à sua política econômica ou diplomática, "acreditavam na igualdade" em matéria de direitos dos homossexuais.

Seu provável rival nas eleições de 6 de novembro, o republicano Mitt Romney , reagiu às declarações do presidente americano reiterando que, para ele, o casamento deve se restringir a um homem e a uma mulher . Para ele, os Estados deveriam ser capazes de decidir conceder certos benefícios legais a casais do mesmo sexo. Pesquisas mostram que a população americana está dividida sobre o tema.

A questão do casamento gay fortaleceu-se como tema de campanha depois que o vice de Obama, Joe Biden, declarou-se no domingo a favor da medida, enquanto nesta terça-feira eleitores da Carolina do Norte aprovaram uma medida constitucional que proíbe o casamento gay no Estado.

Leia também: Carolina do Norte aprova emenda que proíbe casamento homossexual

A seis meses da votação, e com outros referendos sobre o tema agendados em outros Estados, críticos vinham acusando Obama de não se posicionar claramente para tentar conseguir o apoio de eleitores favoráveis e contra o casamento gay. Em 2008, ainda como o candidato democrata à presidência, Obama disse que apoiava a união civil entre pessoas do mesmo sexo, mas não o casamento. No entanto, no final de 2010 Obama comentou que sua postura sobre o tema " estava evoluindo ", o que frustrou militantes gays.

No domingo, Biden afirmou estar “completamente confortável” em relação ao casamento gay. Depois, o secretário de Educação Arne Duncan também se posicionou a favor, tornando-se a terceira autoridade do governo Obama a tomar tal atitude – antes de Biden, o secretário de Habitação Shaun Donovan já tinha feito um comentário similar. Desde então, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, desviou de uma série de perguntas de jornalistas sobre a opinião de Obama.

A proibição do casamento gay na Carolina do Norte, aprovada por 58% dos votos contra 42% contra, deu novo fôlego ao debate. Após a votação, o porta-voz da campanha de Obama, Cameron French, disse que o presidente ficou “desapontado” com a decisão e taxou a proibição de "divisiva e discriminatória".

Seus assessores também buscam lembram que o presidente derrubou a regra do " Não pergunte, não conte " (Don’t ask, don’t tell), que requeria que militares gays servindo nas Forças Armadas mantivessem o silêncio sobre suas preferências sexuais.

Com AP, BBC e AFP

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