Segundo parciais das eleições na França, socialista está a frente de presidente e diz ser candidato dos que querem virar a página

O candidato do partido socialista francês François Hollande afirmou neste domingo ser o candidato "dos que querem virar a página", após a divulgação das primeiras parciais das eleições na França. De acordo com resultados oficiais ainda não definitivos, Hollande obteve 28,63% dos votos contra 27,08% de Sarkozy. O segundo turno ocorrerá no dia 6 de maio.

Leia também: Hollande vence primeiro turno da eleição presidencial na França, diz estimativa

Terceiro lugar: Marine Le Pen é a grande surpresa do primeiro turno na França

Candidato socialista François Hollande discursa aos seus partidários
AP
Candidato socialista François Hollande discursa aos seus partidários

Da extrema-direita, a candidata Marine Le Pen ficou em terceiro com 18,01% dos votos. Em quarto lugar, aparece Jean-Luc Melechon, com 11%, seguido do centrista François Bayrou que alcançou 9,1% da preferência do eleitorado.

A participação das urnas foi considerada alta, chegando a 80,3% dos eleitores às 19h locais (14h de Brasília), de acordo com o jornal francês Le Monde. Na última eleição presidencial, cinco anos atrás, houve recorde de participação, com 84% dos eleitores nas urnas.

Aos seus partidários reunidos em sua cidade natal, Tulle, no sul da França, Hollande afirmou que essa é uma eleição que pesará no futuro da Europa. "É por isso que tantas pessoas estão nos observando. Eles estão se perguntando não sobre o nome do vencedor, mas mais especificamente sobre quais políticas ele seguirá", disse.

Enquanto isso, seu adversário, o atual presidente, afirmou em Paris que reconhecia a preocupação dos eleitores sobre o desemprego e a imigração e "a preocupação de nossos compatriotas de preservar seu estilo de vida".

Sarkozy pediu também três debates antes do segundo turno, um sobre economia, outro sobre assuntos sociais e um terceiro sobre relações internacionais.

Algumas pesquisas divulgadas no domingo já indicavam um cenário positivo para Hollande no segundo turno eleitoral.  A estimativa é que o socialista vença a votação de 6 de maio com uma vantagem de mais de 10 pontos percentuais.

De acordo com os dados do instituto de pesquisa Ifop, que entrevistou 1.004 pessoas após o fechamento dos colégios eleitorais, Hollande obteria 54,5% dos votos, enquanto o atual presidente ficaria com os 45,5% restantes. Uma percentagem similar foi apontada por Ipsos, que dá ao socialista 54% das intenções de voto, contra 46% dirigidas ao ainda chefe do Estado.

As eleições na França podem ter implicações significativas para a Europa e o euro uma vez que o bloco passa por um momento marcado pela crise econômica e desemprego.

Sarkozy, que ocupa a Presidência desde 2007, prometeu reduzir o grande deficit orçamentário francês e combater a evasão fiscal. Ele também defende um ato chamado Buy European (Compre Produtos Europeus) para contratos públicos e ameaçou tirar a França da zona migratória comum europeia, alegando que alguns países-membros não têm feito o bastante para conter a imigração de não-europeus.

Já Hollande prometeu aumentar impostos sobre grandes corporações e pessoas que ganham mais de 1 milhão de euros por ano. Também defendeu um aumento no salário mínimo, a contratação de mais 60 mil professores e a redução na idade para aposentadoria de alguns trabalhadores, de 62 a 60.

Se eleito, Hollande será o primeiro presidente esquerdista da França desde François Mitterrand, que cumpriu dois mandatos entre 1981 e 1995. Sarkozy seria então o primeiro presidente a não vencer um segundo mandato desde Valery Giscard d'Estaing, em 1981.

Salários, pensões, impostos e desemprego são apontados como as principais preocupações dos eleitores franceses na atual votação.

Presidente francês, Nicolas Sarkozy, fala aos seus partidários após eleições na França
AP
Presidente francês, Nicolas Sarkozy, fala aos seus partidários após eleições na França

A surpreendente Le Pen

Apesar do socialista ter ficado em primeiro lugar, a grande surpresa do primeiro turno foi a candidata de extrema-direita, Marine Le Pen. A classificação de Le Pen, além de evidenciar o crescimento da extrema direita no país, ofuscou o segundo lugar do presidente Nicolas Sarkozy e tirou do pódio o esquerdista Jean-Luc Mélenchon.

Na liderança da Frente Nacional desde janeiro de 2011, a política nascida em 5 de agosto de 1968 espera influenciar o segundo turno. A expectativa é que Le Pen apoio Sarkozy, com quem tem mais afinidade política.

Filha de Jean-Marie Le Pen, fundador da Frente Nacional, Marine tem levado o partido a novas direções. Ela dividiu a opinião pública com seus ataques à imigração ilegal e à suposta "islamização" da França. A candidata também enfatizou a oposição do FN ao euro e defendeu políticas protecionistas.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.