Foram 5.877 casos notificados em janeiro deste ano, contra 2.406 registros no mesmo período de 2015; zona leste da capital paulista concentra a maior parte das ocorrências

Agência Brasil

Aedes aegypti é o mosquito transmissor da dengue, do zika vírus e da febre chikungunya
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Aedes aegypti é o mosquito transmissor da dengue, do zika vírus e da febre chikungunya

Em janeiro de 2016, foram notificados 5.877 casos de dengue na cidade de São Paulo. Os números divulgados nesta terça-feira (23) pela Secretaria Municipal de Saúde indicam uma alta de 144% em relação aos 2.406 registros em janeiro do ano passado.

“O cenário que a prefeitura trabalha, de que devemos ter mais casos neste ano, vai se confirmando”, destacou o secretário de Saúde, Alexandre Padilha. Das ocorrências notificadas em 2016, 827 foram confirmadas.

Segundo Padilha, a zona leste da capital concentra a maior parte dos casos, especialmente nos bairros do Lajeado, na região de Guaianases, e Cangaíba, na região da Penha. Também tiveram incidência significativa da doença a região do Parque do Carmo e de Itaquera, além do Jardim São Luiz e do Sacomã, na zona sul.

A expansão da doença pela zona leste está ligada, na avaliação do secretário, a diversos fatores. Um deles é que a região foi fortemente afetada pela falta de água no Sistema Alto Tietê, que abastece essa parte da cidade. Com isso, os moradores começaram a armazenar água, o que propicia o surgimento de focos do mosquito Aedes aegypti , transmissor da dengue e também da febre chikungunya e do zika vírus.

Além disso, o secretário destacou que em vários bairros as condições de moradia e saneamento não são as ideais. As temperaturas mais altas neste ano são outro fator apontado por Padilha como facilitador do aumento de casos da doença.

Ação de bloqueio

De acordo com Padilha, o mapa da distribuição dos casos mostra que, apesar do aumento de registros, as ações da prefeitura tem tido impacto no combate aos focos de reprodução do vetor. Isso porque os agentes municipais vistoriam todos os imóveis em um raio de 300 metros de cada caso notificado, o chamado bloqueio. “O fato de você ter casos espalhados mostra que a ação de bloqueio tem sido efetiva”, disse o secretário. Ao todo, os fiscais de saúde visitaram 382 mil imóveis neste ano.

Apesar do número de casos já superar as ocorrências do mesmo período de 2015, Padilha lembrou que o número de infectados deve aumentar daqui para frente. “O período epidêmico para a dengue na cidade de São Paulo é dos meses de março, abril e maio”, alertou.

Os bairros mais críticos devem receber tendas para fazer atendimento de casos suspeitos de dengue. Os dois primeiros pontos passarão a funcionar a partir desta quarta-feira (24) nos bairros do Lageado e Cangaíba. Esse reforço das ações de saúde será feito em parceria com organizações sociais e hospitais filantrópicos de excelência.

Para facilitar a identificação dos focos da doença a prefeitura lançou um aplicativo que mostra um mapa colaborativo da dengue, com informações fornecidas pelos próprios usuários. A população poderá contribuir com relatos, fotos e outras informações.

Zika e chikungunya

Além da dengue, foram notificados em janeiro 236 casos de chikungunya. Foram notificados ainda 47 ocorrênciuas de zika vírus, sendo que quatro foram residentes da cidade de São Paulo, apesar de não haver confirmação de que a infecção ocorreu no município.

Neste ano, o zika vírus foi associado a seis casos de microcefalia na capital paulista. O contágio de todos os afetados, porém, teria ocorrido em outras cidades – três na região Nordeste e três em outros municípios do Estado de São Paulo.

Veja também na galeria abaixo os famosos que já foram infectados com a dengue:


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