Júri popular do goleiro Bruno começa entre discussões e críticas da defesa

Advogados de defesa de Bola e Macarrão decidem abandonar julgamento. Juíza suspende sessão por 1 hora para almoço

Carolina Garcia - enviada a Contagem | - Atualizada às

Em meio a discussões e reclamações por falta de estrutura, o júri popular do assassinato de Eliza Samudio começou por volta das 12 horas. O primeiro dia de audiência começou após o previsto devido o atraso de algumas testemunhas e discussão de advogados. No total, 30 testemunhas serão ouvidas ao longo do processo. A audiência é realizada no Fórum de Criminal de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte.

Neste júri serão julgados o ex-goleiro Bruno Fernandes, Marcos Aparecido (Bola), Luiz Henrique (Macarrão), Dayanne Rodrigues e Fernanda Gomes. O posicionamento da defesa dos réus foi motivo de discussão nesta manhã. Ércio Quaresma, advogado de Bola, tentou por inúmeras vezes interromper a audiência. Ele também reclamou quando a juíza Marixa Fabiane Rodrigues dispensou sete jurados que haviam participado de um outro julgamento envolvendo Bola .

Minutos após a abertura do plenário, Quaresma iniciou uma discussão com o advogado Rui Pimenta, que defende Bruno, por ter "roubado seu lugar". Ao elevar sua voz contra Pimenta, foi interrompido pela juíza Marixa Fabiane que pediu calma e disse esperar "não ter que intervir em situações tão pequenas como essa". Foi dado cinco minutos para os advogados se entenderem. Quaresma acabou ganhando a discussão.

Em outros dois momentos, Quaresma citou problemas estruturais do fórum como ausência de extensões para os computadores da defesa e de lugares para familiares dos réus. O plenário tem capacidade para 120 pessoas, entre eles jornalistas, estudantes de direitos e representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Após o início dos trabalhos, antes do sorteio dos jurados, foi dado um período para os defensores se pronunciarem sobre as tramitações que, segundo eles, poderiam levar a anulação do júri. A juíza então concedeu 20 minutos de fala para a representação de cada réu. O Conselho de Sentença, composto por 25 moradores de Contagem, acompanha os pronunciamentos.

O primeiro a falar foi Quaresma que tumultuou o plenário com ameaças de abandonar o processo. Em seu discurso, citou o caso da juíza Patrícia Acioli, morta em agosto do ano passado, no Rio de Janeiro. Ao concluir sua fala, ele limpou a mesa, desejou boa sorte aos colegas e deixou o plenário. “Vou avisar meu cliente que ele não tem representação e não deve aceitar nenhum magistrado indicado pela juíza”. 

A juíza também confirmou a saída da defesa de Macarrão. Os dois estão indefesos, ou seja, ainda não há definição sobre se serão representados por defensores públicos. Ela suspende a sessão por 1 hora para almoço e para que outros advogados decidam se permanecem ou não no julgamento.

Júri e plateia

Outro ponto que influenciou o atraso do primeiro dia do julgamento foi o sorteio dos jurados. Ao todo, 25 moradores da cidade de Contagem foram convocados. Porém, houve faltas e suplentes precisaram ser chamados. Além disso, sete haviam participado de um julgamento envolvendo Bola e foram dispensados pela juíza.

Ingrid Oliveira, noiva do réu Bruno Fernandes, acompanha o julgamento sentada na plateia ao lado da família do ex-policial Bola. Ao ser abordada por jornalistas mais cedo, Ingrid preferiu não comentar nada sobre o caso.

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