Depoimento de testemunha de acusação encerra primeira sessão do júri em MG

Cleiton da Silva Gonçalves, que disse nunca ter prestado serviço de motorista para Bruno, confirmou que ouviu primo do goleiro dizer que "Eliza já era", mas não viu significado nisso

Carolina Garcia - enviada a Contagem | - Atualizada às

Alegando ser apenas amigo do goleiro Bruno, Cleiton da Silva Gonçalves foi a única testemunha de acusação a ser ouvida nesta segunda-feira (19) no julgamento sobre o sequestro, desaparecimento e morte da modelo Eliza Samudio, de 24 anos. A sessão do primeiro dia do júri popular foi encerrada após um dia de discussões e a desistência da defesa do ex-policial civil Bola .

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No começo do seu depoimento, a testemunha escutou e confirmou o conteúdo dos dois depoimentos prestados à polícia no ano de 2010. Segundo Cleiton, que diz nunca ter prestado serviços de motorista ao goleiro, ele ficou das 6h às 15h algemado na delegacia e “sem sentir os braços”. O promotor do Ministério Público iniciou os questionamentos.

Perguntado sobre a frase de Sérgio Salles, primo de Bruno e morto em agosto deste ano, quando ele citou “Eliza já era” dentro de um ônibus durante viagem de um time de futebol, Cleiton afirmou que “aquilo não teve nenhum significado”. Segundo ele, não quis saber o que aquilo significava porque “pessoas inocentes poderiam ser envolvidas nisso”. “Continuei lá no ônibus bebendo cerveja”, disse.

Em certo momento da investigação, o promotor apontou que uma amiga de Eliza reconheceu uma sandália preta de salto e um óculos de sol que foram encontrados no porta-malas do veículo Land Rover e na casa de Cleiton, respectivamente. Para Cleiton, os óculos não eram de Eliza, mas sim um presente da sogra para a ex-companheira. “Óculos é fácil comprar, ué? Minha namorada também gosta muito de óculos Ray Ban. A mãe dela que deu pra ela.”

Um momento que gerou comemoração da defesa de Fernanda Gomes foi o fato de Cleiton dizer não ter reconhecido a acusada em um bar, onde o time realizada uma festa pós-jogo. Segundo o promotor, consta nos autos que Bruno estava acompanhado por “uma mulher loira, gostosa, que não passa despercebido”. Ao ser questionado como havia perdido a presença de Fernanda no local, a testemunha respondeu: “Bruno sempre teve várias loiras gostosas”.

Carla Silene, advogada de Fernanda, celebrou a fala de Cleiton e fez contato visual com sua cliente a tranquilizando. Dayanne do banco dos réus não segurou o riso e soltou “é verdade”, como assumindo ter conhecimento das relações extraconjugais do ex-marido.

Após o período da promotoria, os defensores de Bruno realizaram perguntas sobre o perfil do jogador. De acordo com Cleiton, Bruno era conhecido com um dos melhores jogadores do Brasil e “nunca se mostrou uma pessoa desequilibrada”. O advogado Rui Pimenta fui alertado inúmeras vezes pela juíza Marixa Rodrigues para não tocar na testemunha. Durante o depoimento, Pimenta colocar várias vezes a mão nos ombros de Cleiton.

Além de afirmar que tem costume de beber durante a manhã, tarde e à noite, Cleiton disse ter conhecido o Macarrão há 14 anos no colégio. O depoimento durou ao todo 2h30 e, a pedido do promotoria, a testemunha ficará retida até o depoimento de João Batista, também arrolado pela acusação. Segundo a assessoria do Tribunal de Justiça (TJ) de Minas Gerais, poderá ocorrer uma acareação entre os dois.

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