"Captive" joga espectador no meio de um sequestro

Filme do filipino Brillante Mendoza tem Isabelle Huppert no elenco e é um dos destaques do Festival de Berlim

Mariane Morisawa, enviada especial a Berlim |

Em sua curta e prolífica carreira – com nove filmes em sete anos –, o filipino Brillante Mendoza já mostrou que não está nesse meio para fazer filmes agradáveis de olhar. Não é diferente em “Captive”, exibido para jornalistas na manhã deste domingo (12) no Festival de Berlim .

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Cena de "Captive", do cineasta filipino Brillante Mendoza

Depois de mostrar o sequestro e esquartejamento de uma mulher em “Kinatay”, troféu de melhor direção em Cannes 2009, e o drama de duas avós miseráveis em “Lola” , exibido em Veneza no mesmo ano, ele agora volta-se para um episódio acontecido em seu país em 2001, quando membros do grupo islâmico Abu Sayyaf sequestraram 20 pessoas num resort, escondendo-as num barco e depois deslocando-as pela floresta.

O ponto de vista é o da personagem Therese Bourgoine (Isabelle Huppert), criada para justamente dar uma visão de dentro da atividade do grupo e desse tipo de rapto, que se tornou comum nas Filipinas.

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Isabelle Huppert em "Captive"
No início, Therese vê os integrantes do Abu Sayyaf como inimigos e ponto. Aos poucos, um tipo de relação se desenvolve entre os captores e os capturados, e a protagonista começa a enxergar tudo com mais nuanças.

Mendoza mostra comportamentos e emoções humanos, com uma pegada realista, documental, mas fica atento demais às cenas de combate entre o Abu Sayyaf e o exército, soterrando um pouco os dramas e transformações dos personagens.

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“Captive” tem a câmera colada nos personagens, transportando o espectador para aquele inferno, mas não chega a ter o mesmo impacto de obras anteriores do cineasta.

“Para mim, a realidade não deve ser alterada pelo cineasta”, disse Mendoza na coletiva de imprensa que se seguiu à exibição. “Acho que os artistas não podem estar contentes em ser artistas, eles são responsáveis também pelo que acontece ao redor.”

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Huppert e o diretor Brillante Mendoza em Berlim
Isabelle Huppert, que conheceu o cineasta em Cannes, quando era presidente do júri que premiou o filipino como melhor direção, e conversou com ele sobre o projeto quando ambos estavam em São Paulo, em 2009, afirmou que não foi necessário fazer preparação.

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“O talento dele é justamente capturar esses momentos e colocar os atores à disposição do inesperado. Acho que, quanto menos preparada você estiver para seu filme, melhor. Nós nunca sabíamos quando nem o que ia acontecer”, contou. “Tínhamos de reagir, simplesmente. Não havia a sensação de que era ficção, e é assim que ele reduz os limites entre realidade e ficção.”

Mais tarde, ela acrescentou que provavelmente era a experiência mais incrível e extrema que jamais havia experimentado. “Foi muito além de um filme”, afirmou.

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