Vídeo mostra agressão de estudante por policial na USP

PMs envolvidos em confusão em prédio que já abrigou o DCE na zona oeste de São Paulo são afastados

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo |

A Polícia Militar (PM) afastou os dois policiais que estavam no Centro de Convivência, antiga sede do Diretório Central dos Estudantes (DCE), na Universidade de São Paulo (USP), na zona oeste de São Paulo, nesta segunda-feira. Um deles, o sargento André Ferreira, aparece em vídeos feitos pelos alunos agredindo o estudante Nicolas Menezes Barreto . O soldado Rafael Ribeiro Fazolin também estava na mesma ação.

A agressão ocorreu no momento em que os PMs tentavam retirar do local alunos e outros integrantes de movimentos sociais. A PM vai abrir uma sindicância, que dura 60 dias, para investigar o caso. Os policiais podem ser até expulsos da corporação. O coronel Wellington Venezian, responsável pela zona oeste da capital, afirmou que o procedimento “não é o correto da PM”.

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Veja as imagens:

Parte 1



Parte 2


Na gravação que se espalhou pelas redes sociais é possível observar que o policial agride fisicamente e ameaça com uma arma um jovem negro, aluno da USP Leste. Segundo relatos de estudantes que estavam no local nesta tarde, o prédio da instituição deixou de ser utilizado em 2006, quando a reitoria teria pedido a liberação da sede para a realização de uma obra, que nunca foi concluída. Como o prédio permaneceu vazio, alguns alunos e movimentos sociais, como o Ocupa Sampa, voltaram a ocupá-lo em 2009. Durante a greve realizada após a desocupação da reitoria por ação da PM no ano passado , o prédio voltou a ser centro de assembleias estudantis.

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Amana Salles/Fotoarena
Estudante de Matemática também registrou ocorrência por agressão
Na quinta-feira passada, policiais foram até o prédio e pediram que o grupo, que inclui militantes de movimentos sociais, se retirasse. Segundo os estudantes, eles ameaçaram tomar "as mesmas providências que na reitoria", quando 400 policiais fizeram a desocupação de uma área ocupada por 70 alunos. Os militantes deixaram o prédio. Na sexta-feira, um caminhão voltou ao local para retirar móveis e eletrodomésticos. Uma estudante de Matemática, grávida de cinco meses, que fotografava a ação foi agredida. Ela fez Boletim de Ocorrência e compareceu ao Instituto Médico Legal.

Hoje, alguns estudantes que defendem que a área deve voltar a ser do DCE e mantinham uma vigília no espaço foram surpreendidos pela polícia por volta das 11h. Os PMs foram fechar a última porta aberta no local. Quando os policiais foram questionados por alunos sobre mandado judicial para a ação, ocorreu a confusão gravada nos vídeos.

À tarde, o prédio já estava vazio e fechado, mas alguns estudantes permaneciam nas proximidades. Waldir Antônio Jorge, superintendente da Coordenadoria de Assistência Social (Coseas) da USP, esteve no local, mas disse que a construção não é de responsabilidade do órgão. "A área está ocupada há cerca de cinco anos, deixou de ser do Coseas para ser da Cidade Universitária", afirmou.

Amana Salles/Fotoarena
Representante da USP Waldir Antônio Jorge esteve no local da agressão, mas nega relação com ação de desocupação do prédio
A assessoria de imprensa da reitoria da USP informou que a guarda universitária não pediu reforço ou apoio da PM para desocupar o local, o que tenta fazer desde 2009. Segundo afirmou ao iG , o prédio deve estar vazio para realização de reforma.

No mesmo câmpus, ocorreram nesta segunda-feira provas da segunda fase da Fuvest .

Alívio e revolta
A agressão gerou revolta e alívio entre os estudantes do movimento grevista que pede a saída da Polícia Militar do Campus. Ao mesmo tempo em que estão revoltados com a truculência, alguns se dizem aliviados por terem filmado uma ação que demonstra como a polícia tem agido no câmpus.

O sargento André Luiz Ferreira atua na USP desde o início do convênio da Polícia Militar com a universidade, oficializado em setembro do ano passado. Segundo a PM, em seu histórico nunca constou nenhuma irregularidade. O efetivo da PM não será alterado na universidade. Outros dois policiais assumirão os postos dos PMs afastados.

Amana Salles/Fotoarena
Após agressão, prédio do antigo DCE foi fechado

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