Veja a íntegra da nota do Colégio Internacional Anhembi Morumbi

Estagiária acusa diretora da escola de racismo por ter sugerido que ela alisasse o cabelo

iG São Paulo |

Uma funcionária do Colégio Internacional Anhembi Morumbi, localizado no Brooklin, bairro nobre de São Paulo, registrou um boletim de ocorrência por racismo na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi). A estagiária de marketing Ester Elisa da Silva Cesário, de 19 anos, afirma que a diretora do colégio chamou sua atenção duas vezes e sugeriu que alisasse os cabelos crespos para manter a “boa aparência”.

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Veja abaixo a íntegra da nota do colégio sobre o caso:

O Colégio Anhembi Morumbi pautou suas mais de duas décadas de história pela construção de um ambiente e modelo de aprendizagem inclusivo, que hoje abriga professores, estudantes e funcionários de várias origens e tradições religiosas. Porque entende que o respeito às diferenças é um assunto muito sério para quem trabalha com Educação. Por isso, a instituição colocou formalmente esse tema em seu estatuto, na grade curricular e no calendário de eventos.

O colégio conta com uma equipe treinada e orientada para desenvolver uma cultura interna que vá além da tolerância e que busque criar as condições necessárias para a acolhida e a integração. Foi nesse sentido que foi instituído o uso de uniformes por parte de alunos e funcionários: para que o foco da atenção saia da aparência e seja dado ao indivíduo e sua natureza única, às suas potencialidades e características singulares.

A atenção que o tema já recebeu e recebe por parte da equipe de professores e funcionários erroneamente levou todos a crer que nunca alguém da equipe pudesse se sentir constrangido. Tal esforço fez com que a informação, recebida pela imprensa, de um BO aberto por uma das estagiária do colégio, surpreendesse a todos. A instituição ainda não foi notificada oficialmente, porém pelas informações fornecidas pela imprensa é possível adiantar que a direção da escola e o restante da equipe de funcionários com a qual nossa estagiária trabalha nunca teve a intenção de causar qualquer constrangimento. Como instituição de ensino, acreditamos no poder transformador da educação e, por isso, estamos contratando uma consultoria especializada em diversidade para que possamos aprofundar o tema internamente. Para que possamos receber bem a todos – alunos, professores e colaboradores – e operar com uma equipe múltipla e diversa, como é nossa filosofia. Pois é inevitável constatar que a boa intenção das pessoas envolvidas não foi suficiente para gerar a acolhida e integração que almejamos. Trabalharemos, agora, para entender os motivos e criar as condições necessárias para que atuais e futuros colaboradores se sintam totalmente integrados às equipes.

Fatos relevantes:

1) O Colégio Anhembi Morumbi foi fundado há 24 anos e, nesse período, nunca foi objeto de ações trabalhistas, de discriminação ou qualquer outra forma de constrangimento moral.
2) Atualmente temos 10 professores e funcionários negros ou pardos. Temos também 02 docentes e funcionários de origem oriental, com várias tradições religiosas.
3) Em torno de 22 de nossos alunos são negros ou pardos, 16 japoneses, 01 dinamarquês, 04 mexicanos, 03 uruguaios, 02 argentinos, 01 chileno, 03 chineses, 02 americanos e 01 peruano.
4) Não questionamos suas crenças religiosas. Pelo contrário, adequamos nosso calendário escolar às necessidades individuais quanto a ritos religiosos (alunos que precisam se ausentar em provas por questões religiosas, têm suas provas remarcadas, por exemplo.
5) O Projeto Interdisciplinar desenvolvido com alunos do Ensino Médio é aberto a temas de interesse dos alunos e, comumente, trata de questões ligadas a Diversidade Cultural, Preconceito, Bullying e Religiões, abrindo um importante debate sobre essas questões.
6) Este ano, a escola teve um ciclo de palestra de orientação para pais que incluiu temas como Bullying e Mídias Sociais.
7) Atividades desenvolvidas pela escola nos Ensinos Fundamental e Médio, em cumprimento à Lei nº 10.639/03.

Ensino Fundamental I – 1º ao 5º ano

As atividades são iniciadas no 1º ano, através da reflexão realizada em rodas de conversa, a partir de relatos dos alunos, imagens e histórias infantis sobre as diferenças culturais que caracterizam a formação do povo brasileiro. A cada ano, os alunos avançam na reflexão para, a partir do 4º ano, estarem aptos a refletir e compreender a influência da História e Cultura Afro-brasileira na História do Brasil.

No 4º ano, o assunto é tratado dentro do tema “Povos da Nação Brasileira”. No 5º ano, os alunos têm atividades específicas como a análise das atividades desenvolvidas pela Fundação Cultural Palmares, ligada ao Ministério da Cultura, que registrou 724 comunidades que nasceram como quilombos, que mantém em seu modo de vida importantes características oriundas de sua origem.

Ensino Fundamental I – 6º ao 9º ano

O estudo da História e Cultura Afro-brasileira permeia o currículo da disciplina de História do 6º ao 9º ano.

No 6º ano, a partir da análise comparativa entre a escravidão na Antiguidade e a do Brasil Colônia, introduz-se o estudo das lendas e mitos da cultura afro-brasileira.

No 7º ano é feito um paralelo entre a escravidão indígena e a africana, e ao mesmo tempo são trabalhadas as contribuições culturais afro-brasileiras na música.

No 8º ano, a História trata da Abolição, da discriminação racial do negro após a escravidão, do Zumbi dos Palmares, da Lei Afonso Arinos e do significado do Dia da Consciência Negra.

No 9º ano, letras de músicas são o ponto de partida para a reflexão sobre o preconceito e racismo vividos ainda hoje pela nossa população afro-brasileira.

Ensino Médio

No abrangente estudo sobre a História do Brasil, realizado nas três séries, os alunos tratam do assunto no âmbito histórico, cultural e social.

A 2ª série faz pesquisas sobre a contribuição dos negros, vindos da África como escravos, à cultura brasileira, assim como a brava resistência m relação à escravidão da população dos quilombos.

A 3ª série trata especificamente da questão da discriminação, encontrada ainda nos dias de hoje, após o estudo da pressão da Inglaterra sobre a escravidão que ainda se mantinha no Brasil, no século XIX e a definitiva Lei Áurea.

Na área de Literatura, os alunos iniciam seus estudos sobra autores afro-brasileiros com Castro Alves, no 2º colegial, e analisam as obras “Escrava Isaura” e “O Mulato”.

A área de Gramática, ao trabalhar com textos, também aborda a cultura afro-brasileira, em todas as séries.

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